segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A aventura universitária :) (5)

Bem, o primeiro semestre desta aventura toda já terminou faz alguns dias.
O meu estado no fim desta primeira etapa é tal que nem sequer forças, paciência, vontade e tempo tenho tido e arranjado para partilhar os melhores momentos que lá passei, partilhei e vivi durante os últimos tempos.
Três meses foi o tempo que já se passou desde o início até esta primeira paragem.
Lembro-me bem das primeiras semanas. Praxes intensivas, montes de novidades e coisas novas… Lembro-me ainda mais e com uma nitidez tal que até quase tenho medo de voltar a pensar nisso, do sofrimento que passei a partir da quarta semana. Sim, estranhamente, foi a partir da quarta semana que comecei verdadeiramente a desesperar. Chorava, sofria como se me estivessem a torturar, tive vontade de fugir e desistir como nunca tinha tido. O tempo foi passando e a constatação de que tinha sido aquilo que eu tinha escolhido, que se estava lá não era por acaso e já que estava devia tentar aproveitar e divertir-me ao máximo, porque tinha que estar lá e tinha (embora desistir tivesse sido considerado como hipótese nos piores momentos, nunca seria uma realidade) e se não estivesse contrariada e mal com a vida, o tempo passaria muito mais depressa e de uma forma muito mais agradável, ajudou a começar a encarar esta aventura de um modo diferente. Um modo que mudou e melhorou tudo.
O último mês passado na Vila foi fantástico. Foi diferente, foi agradável, foi bom, fez-me bem e já deixa saudades. Foi marcado por imensos sorrisos, montes de experiências, doses excessivas de cansaço, mas também, e o mais importante foi o mês de aprofundamento de laços afectivos.
Há uma boa meia dúzia de pessoas que já fazem parte da minha nova vida, que já deixaram a sua marca, que me fazem sorrir e gostar de estar por lá. Graças a elas e com elas fui feliz nos últimos tempos que passei lá e sei que ainda serei muito mais nos próximos que aí vêm.
Quero passar muitos mais fins-de-semana como o primeiro e único que até agora lá passei, quero ir passear pelo parque corgo com a minha Miss e tirar fotos com ela, quero ir ao teatro outra vez, quero ir jantar ao shopping ou ir ao shopping só por ir, quero passar horas na cozinha ou no quarto à treta com as gentes do costume, quero fazer outra vez uma guerra de almofadas nos dois blocos da residência, quero ajudar a Miss a fazer o jantar e jantar em casa dela, quero passar horas com ela na net, quero dormir manhas inteiras, quero ter poucas coisas para fazer e fazer o que tenho para fazer às horas que quero sem ter que dar justificações a ninguém, quero… quero voltar à Vila porque, confesso, já tenho saudades e isto de estar em casa sem fazer nada já não dá com nada! J

sábado, 18 de dezembro de 2010

Querido Pai Natal, (ok, isto é um bocado estranho :p)

Querido Pai Natal, 
Este ano, como em todos os outros, portei-me muito bem, dentro dos possíveis. Claro que sou humana, fazer aneiras, cometer erros e quebrar as regras de vez em quando faz parte dessa condição, mas, assim de uma forma geral, fui uma boa menina. :) Como tal, posso pedir presentes, não posso? *.*
Ora então cá vai a minha lista:
* a maquina fotográfica que tu sabes que quero à imenso tempo (já deves estar cansado que te peça isto);
* um telemóvel novo;                  * uma pen;
* uma carteira;                            * umas joelheiras novas;
* um casaco;                               * umas botas;
* dois ou três livros (os títulos são à escolha, os autores já estás cansado de saber);
Hum, queria mais duas ou três coisas, mas sei como os shoppings andam entupidos por esta altura e não quero que percas todo o teu tempo comigo, pois sei que há por aí mais meninas e meninos que também se portaram bem este ano e que também querem presentes, por isso, fico por aqui!
Sabes? Estou a brincar contigo. Esquece esta primeira lista. Há coisas bem mais importantes que eu quero e que tens mesmo que mas dar para eu poder ser feliz e continuar a ser uma boa menina, sim?
Neste natal quero:
* Manter os bons amigos que tenho;
* Não sofrer muito por causa das saudades;
* Não ficar mais de duas semanas sem ver o meu Gui , os meus amigos e a minha família;
* ter força para fazer os sacrifícios que são necessários para poder continuar a fazer uma das coisas que mais amo na vida;
* Que as pessoas que amo e com quem me preocupo sejam felizes. Porque se eles não são eu também não sou.
* Fazer as cadeiras todas do 1º ano do meu curso;
* Ter boas notas;
* Ter tempo para ler e para passear;
* Continuar a ter conversas até altas horas da noite;
* Ver muita neve;
E não quero:
* Ficar doente;
* Andar stressada e preocupada;
* Ver os meus amigos infelizes ou com problemas;
* Passar por qualquer tipo de experiência/situação dolorosa;
* Ter que tomar decisões difíceis;
* Perder ninguém que tenho, neste momento, na minha vida;
Quero e não quero um monte de coisas que tu sabes perfeitamente, nem precisava de te estar a escrever esta carta. Sabes que estou feliz. Não totalmente, mas estou, e desde que não me tires nada do que tenho agora e o que me vás dar daqui para a frente seja mais ou menos do mesmo que me tens dado, por mim está tudo bem! Não sou exigente a pedir!
Bem, fico à espera que não guardes a minha carta esquecida no meio de todas as outras.
beijinhos,
Feliz Natal

sábado, 11 de dezembro de 2010

Há trabalhos assim! :p

Bem, isto que aqui vou pôr faz parte de um trabalho que tivemos que apresentar numa aula e digamos que é uma espécie de guião da apresentação que fizemos. A maioria das informações são reais, outras pura e simplesmente foram inventadas porque tinhamos que interpretar sensações e incluir imensos movimentos e expressão corporal na apresentação.


A manhã de quinta-feira de duas pessoas que de um momento para o outro começaram a partilhar rotinas!

Dia da semana: quinta-feira. São 7h40 da manhã quando toca o despertador de uma, e 8 horas quando toca o despertador de outra. Hora da aula: 9horas, para as duas. A primeira é a miss (a Bruna), está-se mesmo a ver! A outra é a Carina, também não é difícil de perceber, por alguma razão ela vai sempre de fato de treino e sapatilhas para aquela aula. Não tem tempo para mais!
Toca o despertador e a rotina é semelhante para as duas: espreguiçam-se, levantam-se, espreguiçam-se novamente, abrem a porta da casa de banho, olham-se ao espelho, lavam a cara, dirigem-se ao quarto, vestem-se, enquanto uma delas liga à outra para saberem se vão apé como sempre ou se é preferível ir de corgobus, depende das condições meteorológicas. Acabam isso, dirigem-se á cozinha, tomam o pequeno-almoço, lavam a loiça e o passo seguinte é voltar a ligar para saber se a outra já está a chegar ou para avisar a outra para vir para a rua, depende de quem se despachar primeiro!
Dois beijinhos iniciam o contacto que elas manterão até ao fim da manhã.
Durante a caminhada, há sempre o momento em que se começam a queixar: se não é do calor que está por irem aceleradas é do frio por irem meias a dormir ainda, se não é do cansaço porque a noite foi de pouco sono é do enjoo ou má disposição que o pequeno-almoço tomado á pressa provocou, enfim… Depois há sempre o já chamado “momento do Corgo” em que uma delas vai um bocado mais distraída e quase é atropelada. Lá tem que ser a outra a puxá-la para o passeio e acabam as duas a praguejar com o condutor.
A chegada ao Complexo às vezes é brindada pelo “momento João-Carina” no qual a miss insiste com a Carina que devia ir falar com ele e dizer-lhe que o acha giro e essas coisas todas. A Carina fica toda envergonhada mas ao mesmo tempo sorridente quando se fala nele e acaba sempre por conseguir que a miss se cale com a desculpa “Ui, já viste as horas? Estamos atrasadas…”
Chegam à aula, dizem bom dia, pousam os sacos e os casacos e saltam para o palco onde a aula vai ser passada a fazer exercícios de expressão corporal, interpretação de situações, sensações, etc.
No fim da aula a correria é sempre a mesma porque ainda há que ir a casa, acabar de fazer a mala e estar na rodonorte às 13h15m onde há um autocarro que as leva de fim-de-semana.
Com a correria toda e com a má disposição matinal a persistir, há alturas em que vomitar é a solução. Depois disso ou sem isso, e depois de perderem o corgo, lá vão elas outra vez apé. Voltam a experimentar aquelas sensações todas de cansaço, calor, etc, mas não desistem, não podem. O autocarro espera-as.
Chegam à casa da miss, que é a primeira casa, e é na rua que se fazem as despedidas apressadas: dois beijinhos, um abraço e um “Adeus, bom fim-de-semana, até domingo”, que é quando para cá voltam outra vez.
Bem, e é isto que as duas criaturas repetem todas as quintas, pelo menos até ao final do primeiro semestre, que nunca se sabe o que mudará no próximo!


domingo, 5 de dezembro de 2010

Os finais não podem ser todos felizes!

Duas frases há que resumem a história que ele e ela viveram durante um mês, duas semanas e três dias das suas vidas. Ele fez com que tudo começasse. Ela foi “obrigada” a acabar com tudo o que tentaram e tinham já construído!
A vida tem situações engraçadas e prega-nos partidas que nos fazem, por vezes, andar um pouco perdidos! Mas isso tudo não são mais do que formas que ela arranja para nos fazer crescer, para nos ensinar algumas coisas.
Voltando á história. Eles conheciam-se já há algum tempo, mas não se falavam quando se encontravam. Por razões que não vale a pena explicar, por não terem o mínimo interesse, começaram a falar, e um dia, depois de um pequeno problema, ele decide levá-la a casa.
Estava a chover e ficaram dentro do carro a conversar. Ele a tentar acalmá-la, ela sempre a pensar no que se tinha passado. Ficaram muito tempo a olhar um para o outro e demorou a acontecer o que ambos queriam que acontecesse: o primeiro beijo! Ela não tinha a certeza se aquilo devia ter acontecido ou não. Ele tinha mais do que todas as certezas do mundo.
Um dia depois, ela volta à rotina, pega na mala e vai embora. As certezas que não tinha, só as iria ter no fim-de-semana seguinte, quando ele lhe pegou na mão, olhou para ela e lhe perguntou se ela queria ficar com ele para sempre! (a paixão nos primeiros tempos é mesmo assim: cheia de ilusões e promessas que ninguém pode assegurar que sejam cumpridas!)
Ela continuava sem certezas e contrariamente ao que é o seu comportamento normal não lhe levantou obstáculos, não fugiu, não teve medo. Simplesmente deixou-se ir, embalada nas certezas que ele parecia ter. Foi assim que começou aquela história que iria ser vivida entre duas cidades, entre histórias e desculpas arranjadas, entre sacrifícios e batalhas que acabaram por ser perdidas.
Há coisas na vida que estão destinadas a não dar certo, por mais que se lute.
O tempo foi passando e as coisas começaram a não resultar. Ninguém a pode acusar de não ter tentado. Mas também não é justo que se atire as culpas todas para cima dele. Também não é importante descobrir de quem é que é a culpa. O que realmente importa é que tenham sido felizes enquanto durou e que se esqueça as coisas más que fizeram um ao outro. Acabou, acabou. Que fiquem as boas recordações e que sigam as suas vidas. E é isso que já estão os dois a fazer neste momento.
As coisas nunca acontecem sem um propósito!

sábado, 27 de novembro de 2010

Pedaços de Mensagens Trocadas (5)

Há momentos na vida em que simplesmente estamos cansados, pensamos em desistir e só queremos é o nosso cantinho. Tentar estar sempre ocupado para afastar esses pensamentos, para evitar termos tempo para nos darmos conta dos problemas e situações em que estamos envolvidos não é solução nenhuma, embora pareça. Quando estamos um pouco mais em baixo, temos mais é que nos acalmar, pensar, reflectir, esquecer e seguir em frente.
Nesses momentos, há pessoas que fazem com que tudo melhore e é tão bom quando recebemos o apoio de pessoas que fazem parte de nós!

“Há coisas que na hora que deviam sair, simplesmente se esquecem de ser ditas * nunca desistas de fazer aquilo que realmente gostas bichinha! Porque com essa força e com essa tão presente paixão, toda a gente é contagiada J Já percebi que nem tudo é fácil, não é mesmo, mas pronto, faz parte. Conheço-te à pouco, é verdade, mas já vi que és muito forte e sei que consegues ultrapassar isso tudo J gosto muito de ti e acredito em ti, em tudo o que fazes e em tudo o que sei que ainda vais fazer! Sem ti não é a mesma coisa * bichinha do meu coração J


“Não tens que agradecer, fica comigo só J gosto mesmo de ti, podes contar comigo para tudo o que precisares *”

Obrigado por isto Bichinha <3

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A aventura universitária :) (4)

Já lá vão dois meses desde o início desta atribulada e entusiasta aventura. Já lá vão dois meses de choro, de stress, de correrias, de adaptação a novas rotinas, a novas pessoas, à nova casa. Já lá vão é uma forma de dizer, porque há coisas que ainda não estão a 100%, mas para lá caminham.
Começo a gostar muito de estar por Vila Real. Esta e a semana passada foram das melhores que passei por lá. Posso dizer que já começo a ser feliz na minha nova morada, que começo a deixar entrar na minha vida pessoas novas, rostos diferentes. Acho que já cresci e aprendi qualquer coisa durante este tempo todo de inadaptação. Pelo menos estas duas semanas senti-me diferente. Tinha mais do que motivos para andar stressada, mal disposta e irritada mas, pelos vistos, esta nova vida faz-me bem, está-me a ensinar a controlar as minhas emoções, a gerir o meu tempo. Deve ser das pessoas, dos novos amigos, todos tão diferentes, todos com histórias de vida que são um exemplo. Alguns com boa disposição e filosofias contagiantes, outros com conselhos e “puxões de orelhas” para dar na altura certa…
No meio disto tudo, as saudades são uma coisa que ainda fazem os meus olhos deixar cair uma ou outra lágrima, que me fazem sorrir de alegria quando chega a hora de vir embora, mas agora a partida também já não custa tanto, a semana já passa mais rápido… acho que estou a começar a seguir o conselho de um dos meus novos amigos que me disse: “Se estás em Vila Real, põe cá a cabeça, não tragas só o corpo”! Acho que me estou a apaixonar pela minha nova rotina, pelos novos rostos que fazem parte dela, pela cidade em que passo metade da minha semana, pela minha casa onde tenho passado bons momentos, onde tenho trocado e partilhado tantos olhares, tantas gargalhadas. Preocupações, apreensões e lágrimas também! Só ainda não consegui aprender a gostar da universidade, da forma de funcionamento e do modo de ensino do nível superior, mas acho que até disso vou aprender a gostar.
Acho que as coisas vãos ser boas daqui para a frente. Acho que tinha toda a razão quando afirmava que queria ir estudar para longe, porque era o que eu precisava para poder ter um pouco de sossego. Ainda me custa admitir que sim, que esta foi a melhor opção, mas acho que é tudo uma questão de tempo!
P.S - Sansão: Ainda não passaram três meses e já começo a dar-te razão J

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O que andamos a ler (4)

De vez em quando, no meio de correrias, estudo, treinos, saídas, discussões, jogos, malas e roupas lá vou arranjando um tempinho para ler um livro que anda sempre comigo! "O Tamanho do Mundo". Um nome bastante sugestivo. Um livro confuso mas até interessante. É de leitura relativamente leve, neste momento não consigo arranjar tempo nem concentração para ler Saramago ou outra coisa qualquer mais exigente!

Os excertos que vou aqui pôr não deixam de ter a sua "graça". Falam sobre viagens e despedidas, numa altura em que eu faço coisas dessas semanalmente e o próprio livro farta-se de viajar também todos os fins-de-semana e mesmo durante a semana dentro do meu saco ou da minha mala :).

"Todos os dias os nossos trajes de viagem deverão estar preparados, pousados sobre o cadeirão que cada um tem à beira da cama, porque todos os dias podemos partir. Todos os dias podem ser aquele. Quando ele chegar, eu saberei, sentirei entrar em mim a névoa da despedida, instalar-se lentamente para ficar o terno fascínio da arrancada, a brumosa melancolia que nos arrasta a partir."


"Em cada viagem assim era, o fidalgo punha a mão no peito como se receasse perder a respiração e ficava a olhar para as coisas extasiado, os olhos a liquefazerem-se, brilhantes e molhados, e depois começava a soluçar, por vezes tão violentamente que Niccolo se inquietava."

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Pedaços de Mensagens Trocadas (4)

Uma boa questão para reflectirmos de vez em quando: O que é um amor perfeito? Esta é a minha resposta a essa pergunta.

O que é um amor perfeito? Essa é uma das questões que permite uma imensidão de respostas, até porque é uma pergunta subjectiva, sem definição.
Nunca perdi muito tempo a idealizar um amor-perfeito, tenho medo da desilusão que, neste caso, é muito provável.
No entanto, tenho a plena certeza de que encontrarei o meu amor perfeito, porque como não tenho um idealizado, acho que o meu amor perfeito e ideal será aquele que encontrarei quando me sentir totalmente feliz, realizada, completa, ao pé de uma determinada pessoa. Quem me proporcionar todos esses sentimentos será a minha cara-metade, o meu amor perfeito, o meu mais do que tudo!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

E porque a perfeição não existe mas nunca se deve desistir de a tentar alcançar!

Tenho uma capacidade e uma facilidade enormes em queixar-me seja pelo que for. Quem me conhece sabe que passo metade do dia a fazê-lo e acho que deve ser dos defeitos mais horríveis que tenho, porque me chateio a mim e chateio os outros desnecessariamente. Ora, e é um defeito horrível e chateio-me e chateio os outros desnecessariamente porquê? Porque era muito mais inteligente ocupar esse tempo em que me queixo a encontrar soluções (porque as há sempre) para os problemas de que me queixo, porque as queixas e lamentações não me levam a lado nenhum, muito pelo contrário. Mas estas conclusões não são de agora, o problema (e é sempre um grande problema) tem sido abandonar os hábitos e/ou os traços de personalidade que vamos ganhando/cultivando com o passar do tempo. É preciso força de vontade, determinação, amor -próprio, apoio, para podermos operar uma mudança desta envergadura na nossa vida. E como tem sido difícil. Os resultados não aparecem, a frustração e o cansaço persistem… e lá vou eu queixando-me, arrastando-me à espera que os dias passem, sentada, imóvel a vê-los passar e o tempo a não ser aproveitado, a escorrer-me por entre os dedos… é horrível!
Objectivo/ambição: ser daquelas pessoas que não ficam a ver o tempo passar, daquelas que o agarram e vivem cada minutinho como se fosse o último das suas vidas, que fazem de cada dia um momento produtivo. Em suma, conseguir mais vivacidade, ser mais activa e empreendedora, correr riscos, lutar por objectivos, envolver-me/realizar projectos, aproveitar, aproveitar e criar!

sábado, 30 de outubro de 2010

A aventura universitária :) (3)

Estou no autocarro a ir para casa, depois de mais uma semana que custou imenso a passar e estou feliz. Apreensiva com o que o fim-de-semana tem guardado para mim, mas feliz, porque afinal estar em casa é sempre estar em casa.
Os meus olhos brilham (não vejo, mas sei que brilham) e a minha boca desenha um sorriso enorme quando vejo placas a dizer: “Braga”. São tão lindas essas plaquinhas azuis com letras brancas J.
A viagem custa sempre, mesmo a de regresso a casa, porque o cansaço é tanto e porque cada nova viagem é sempre uma relembrança da distância que me separa de casa e de tudo o que lá tenho e que me é tão importante. Hoje está a custar mais do que o normal e não percebo porquê…
Esta semana houve o desfil da miss e do mister caloiro, tivemos praxe suja de mestres, andei atarefada com um trabalho de grupo e a frequência de inglês deu-me cabo do bom humor a semana inteira. Concluindo: “Bela merda, não gostei nada”!  Foi mais uma semana muito difícil para mim. Chorei, andei irritada, calada, mal disposta, resmungona, enfim…  o típico feitio à Carina Costa. Já me devia ter habituado minimamente a esta nova vida, à nova casa, aos novos colegas, à nova rotina, mas está a custar bastante entrar nesse ritmo. Só espero é que seja apenas uma fase! E que passada a fase de adaptação, “este ano é que vai ser”. Sinceramente é tudo o que eu espero, mesmo!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência ! (12)

Ora aqui está um grande texto porque contém uma sugestão que deveríamos pensar em aceitar. Porque não tentarmos fazer essa "revolução pendente"? O mundo precisa, definitivamente, de ser mais humano e quando o passar a ser, será um sitio muito melhor e seremos todos muito mais felizes, com certeza!

"Falham os que mandam e falham os que se deixam mandar… São circunstâncias muito complexas as que marcam ou decidem o destino dos homens… Apenas sei que o mundo necessita de ser mais humano e essa é uma revolução pendente, uma revolução que, para além disso, deveria ser pacífica e sem traumas porque seria ditada pelo sentido comum."

Título: "Circunstâncias muito complexas"
Autor: José Saramago

sábado, 16 de outubro de 2010

A aventura universitária :) (2)

A aventura universitária já teve melhores dias.
Estar longe de casa, da família, dos amigos e dessas coisas todas a que estava habituada tem sido difícil. Eu sabia que ia ser difícil.
Esta foi a semana em que me apeteceu realmente e, pela primeira vez, fugir para casa. O que é um bocado estranho, porque esta era já a quarta semana e custou-me mais do que as outras todas. Talvez tenha sido pelo cansaço que se vai acumulando devido ao stress da nova rotina à qual ainda não estou habituada, talvez tenha sido pelas saudades enormes de tudo e de todos que me deixavam o coração apertadinho… melhor, talvez tenha sido por causa da conjugação destes e de mais uma data infindável de factores, não interessa. O que interessa realmente é que me senti triste, sozinha e perdida, chorei como nunca tinha chorado nas semanas anteriores, cresceram em mim dúvidas que não quero alimentar e, acima de tudo, não quero voltar a ter uma semana como esta. E tudo farei para que isso não aconteça.
Amanhã já é dia de partir outra vez. É dia de fazer a mala, de dar e receber os abraços, os beijos e as palavras que guardo para levar comigo durante mais uma semana. É, talvez, dia de deixar cair uma ou outra lágrima cá, ao partir, lá, ao chegar, mas é, acima de tudo, o dia em que se inicia mais uma semana de tantas outras que farão parte desta aventura universitária que estou e escolhi viver.
Se estou preparada para a enfrentar? Que venha ela, logo se verá…

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O que andamos a ler (3)

Tenho tantas saudades de ter tempo para isto: para ler! Quando tenho tempo estou tão cansada que não me consigo concentrar na leitura de nada. Ainda bem que tenho guardadas citações de livros que li e que sempre vai dando para reler uma ou outra coisinha de vez em quando.
Hoje deu-me uma especial saudade de ler Saramago. Já sinto mesmo falta de ler qualquer coisa dele e então vasculhei nas citações que tenho guardadas e encontrei um excerto que mostra bem o que Saramago sabia fazer de melhor: criticar usando, para isso, a ironia. Fantástico!

“Olhe que nós, por cá, também não vamos nada mal em pontos de confusão entre o divino e o humano, parece-me até que voltamos aos deuses da antiguidade, Os seus, Eu só aproveitei deles um resto, as palavras que os diziam, Explique melhor essa tal divina confusão e humana confusão, É que, segundo a declaração solene de um arcebispo, o de Mitilene, Portugal é Cristo e Cristo é Portugal, Está aí escrito, Com todas as letras, Que Portugal é Cristo e Cristo é Portugal, Exactamente. Fernando Pessoa pensou alguns instantes, depois largou a rir (…), Ai esta terra, ai esta gente, e não pôde continuar, havia agora lágrimas verdadeiras nos seus olhos, Ai esta terra, repetiu, e não parava de rir, Eu a julgar que tinha ido longe de mais no atrevimento quando na Mensagem chamei santo a Portugal, lá está, São Portugal, e vem um príncipe da Igreja, com a sua arquiepiscopal autoridade, e proclama que Portugal é Cristo, E Cristo é Portugal, não esqueça, Sendo assim, precisamos de saber, urgentemente, que virgem nos pariu, que diabo nos tentou, que judas nos traiu, que pregos nos crucificaram, que tumulo nos esconde, que ressurreição nos espera, Esqueceu-se dos milagres, Quer você maior milagre que este simples facto de existirmos, de continuarmos a existir, não falo por mim, claro, Pelo andar que levamos, não sei até quando e onde existiremos […]”


Nota - conversa entre Ricardo Reis e Fernando Pessoa
Retirado da obra - O Ano da Morte de Ricardo Reis

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A aventura universitária :)

Que grande correria tem sido estes últimos dias. É tudo novo: a casa, a escola, os amigos, as gentes, os professores… É o que dá entrar no primeiro ano da universidade e ainda por cima longe de casa.
 Quando se parte para uma aventura destas deixa-se muita coisa para trás, tem que se deixar, somos obrigados a isso, e custa tanto ter que fazê-lo.
Depois de três semanas stressantes, completamente diferentes de tudo aquilo que já vivi e imaginei, ainda estou viva e de boa saúde, o que é bom sinal. J
O novo ritmo é de loucos: ando todos os dias quilómetros, faço sempre as refeições com as mesmas pessoas, nos mesmos sítios, estou sempre com as mesmas pessoas… às vezes torna-se tão saturante esta rotina a que tive que me habituar repentinamente e sem tempo para adaptações, que fico com vontade de fugir para casa, mas depois de umas lágrimas, de um momento de sossego, tudo volta à normalidade.
Mudar de ares era o principal objectivo quando decidi ir para Vila Real. Mas a determinação vacilou um bocado quando chegou definitivamente a hora de deixar o ninho e partir à aventura. Lembro-me tão bem dos dias antecedentes à primeira despedida. Lembro-me e custa-me imenso recordar, por causa das saudades e da sensação de desconforto e de insegurança, o dia seguinte ao dia em que fui fazer a matrícula a Vila Real. Nesse dia, em casa, comecei a pensar na partida que seria no domingo, daí a três dias, e o choro e o pânico foram inevitáveis. A sensação era mesmo pavorosa. A ajudar à “festa” vinham os comentários dos amigos mais próximos a dizer que se queriam despedir de mim antes de eu ir, como se eu fosse para o estrangeiro e nunca mais regressasse ou algo do género… Foram três super longos dias, mesmo!
A primeira semana custou imenso por causa do choque inicial que as coisas novas provocaram. Mas as saudades e o período de adaptação atingiram-me com mais intensidade no início da segunda semana. Custa tanto partir no domingo à noite quando se sabe que se só se volta no fim da semana. A segunda-feira custa ainda mais. Cada início de semana parece ser o início de tudo, outra vez. Então esta semana é que foi… esta terceira semana foi bastante boa e ao mesmo tempo tão dura, porque foi nesta semana que senti verdadeiramente saudades de casa, porque foi nesta semana que me apercebi que tenho quase tudo o que me pertence e faz feliz em Braga e que estou separada da felicidade por não sei quantos quilómetros.
Apesar de tudo, tem sido uma boa aventura e temos que viver com as escolhas que fazemos. Como tal, depois de as fazermos e quando não há solução, há que tentar ser feliz onde quer que estejamos, tentar ser feliz com quem quer que estejamos… e é isso que eu estou a fazer e que vou fazer sempre até ao fim desta nova etapa da minha vida.
Já começo a entrar no ritmo… começo a gostar de Vila Real, de estar por lá, desde que tenha a certeza que na quinta-feira de manhã posso pegar nas minhas malas e fazer-me à estrada, porque tenho um grande pedaço da minha felicidade em Braga e não quero nunca passar muito tempo sem apreciar e amar esse pedaço.
Se estou feliz? Triste não estou… Para já estou bem com a minha nova vida e tenho a certeza que a tendência será para vir a ficar cada vez melhor, porque, embora longe, o meu pedaço de felicidade que fica em casa quando parto, sei que será sempre meu!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pedaços de Mensagens Trocadas (3)

É por estas e por outras coisas que eu ainda não apaguei o meu hi5. Para poder ir relendo, quando me apetece, comentários como estes, que sabem tão bem quando as saudades e as lembranças de certos momentos fazem com que as lágrimas escorram sobre o nosso rosto...


Eu: Minha necessidade vital, sabes o que vim cá fazer? Vim, porque cheguei à conclusão de que tudo o que temos no agora não é certo no futuro que virá; vim porque a vida dá muitas voltas e tudo o que acaba por ficar são as memórias, as lembranças dos momentos... 

Vim relembrar-te que sem ti não sei viver, que és mais do que importante para a minha existência, mais do que essencial para o meu crescimento, que és mais e mais e mais... 
E porque não é só nos maus momentos que se dizem estas coisas, queria dizer.te que sempre que precisares "conta comigo que eu estarei aqui"... Gosto quando falas comigo! 
A tua felicidade é a minha felicidade, a tua tristeza é a minha tristeza, literalmente! 
Na incerteza do que nos reserva o futuro, quero que saibas sempre que te amo incondicionalmente e que, aconteça o que acontecer, sempre te amarei ( mesmo que não seja com tanta intensidade como te amo agora). 
Minha Pita'Twix <3


resposta da Rita ao comentário: "ohh babixa é tao bom ler ixto e saber k nao tás bebada ( axo eu xD) 
sabes k tambem adoro aturar-t em momentos de mau humor, de tentar arranjar um moçoilo pa ti com a sarinha, de ouvir os teus " fodeu-se" à frente da prof de port, de correr atras do carro dos CDS/PP ou lá o k akilo era ( as eleiçoes sao melhores k os saldos)e de ouvir rir-t dos meus vitélos x)... 
Mas o k eu adoro mais é sentir ciumes teus kuando vais lindissima pa escola pork é aí k eu me lembro do kuanto te idolatro. 
eu amo-te babi snicker's. se algum dia o meu corpo disser k já nao te ama, procura-m noutro lugar k eu devo tar bem escondida á espera k me encontres =)"

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A carta de demissão, nunca a de despedida, porque "eu não digo adeus, eu digo até já na dúvida de saber como o futuro virá"!

Meninas,
O nosso treinador sempre me disse (em tom de brincadeira) que quando fosse embora teria que escrever a minha carta de demissão e entregá-la aos dirigentes do clube registada pelos CTT. Mais do que a eles, acho que é junto de vocês que tenho que a apresentar e justificar-me, porque vocês é que são a (minha) equipa!
Pois bem, como todas sabem, tirando as que entraram novas para a equipa, essas nem sequer vão perceber este meu gesto, mas isso agora também não interessa, vou estudar para longe e isso impossibilita que continue na equipa. Há a possibilidade de treinar convosco aos sábados, se vocês me quiserem aturar, mas nem todos os fins-de-semana estarei cá e isso é uma decisão que ainda tenho que tomar em conjunto com o nosso treinador…
Estou a demitir-me mas não tenho qualquer intenção de abandonar-vos. Sempre que possível estarei presente. Serei a claque, a bate palmas da equipa, a relatadora de resultados, a escritora de artigos para o nosso (vosso?) site com comentários acerca da vossa evolução ou de outra coisa qualquer, serei a tapa buracos sempre que necessário e possível, serei tudo e mais alguma coisa – que humanamente me seja possível - para que nunca vos perca de vista. J
Não vou armar-me em hipócrita e dizer que foi tudo maravilhoso, que fomos a equipa perfeita, longe disso. Este primeiro ano foi difícil. Muito difícil, mas começo a pensar como o nosso treinador que sempre acreditou em nós, e que sempre me disse, de cada vez que eu me queixava, que “o que é preciso é paciência” e que, passada a fase de adaptação, “este ano é que vai ser”! J Só precisam de juntar a vossa paciência à dele e acreditarem todas juntas, o resto virá, fruto também do trabalho e da dedicação, por acréscimo. Aproveito para deixar um especial apelo aos mais recentes membros da equipa: empenhem-se, esforcem-se, trabalhem sempre a 100%. Este primeiro ano será difícil para vocês por causa de todas as mudanças e adaptações mas vai ser óptimo para crescerem e evoluir. Esta é uma oportunidade única para começarem a jogar voleibol a sério. Amem o que fazem, apoiem-se umas às outras, façam face a todas as dificuldades que forem surgindo, nunca desistam, unam-se e sejam uma verdadeira equipa, é esse o meu maior desejo: é ver-vos realizadas enquanto equipa de cada vez que cá vier.
Foi excelente ser treinada pelo Mário (ele permitir-me-á, com certeza, a familiaridade J). A ele tenho a agradecer o desenvolvimento e a aquisição de competências e qualidades que me transformaram na capitã e na jogadora que fui para vocês ao longo da passada época. Uma capitã e jogadora ainda pouco experiente, com muito para aperfeiçoar e aprender, mas fui fazendo sempre o melhor que sabia.
Ser capitã não é nada fácil, esta será talvez uma mensagem mais dirigida para a nova capitã que tenho a certeza que vos deixará orgulhosas. Como eu estava a dizer, não é nada fácil, têm-se responsabilidades acrescidas, é preciso dar o exemplo na pontualidade, na assiduidade, no empenho, na atitude, em tudo. É preciso ser-se o motor de união, quando esta não existe, é-nos exigido que saibamos distinguir o que é pessoal do que é profissional e uma data de outras coisas que eu, certamente, não fui exímia em concretizá-las todas, mas tentei. Tentei e pude contar com a vossa ajuda para sempre tentar fazer melhor. Muito obrigado por tudo: pelos momentos, pelos sorrisos, pelos abraços, pelas palmas, pelo carinho, por tudo mesmo, até pelos momentos menos bons porque com todos eles fui aprendendo qualquer coisa.
Obrigado equipa :D Um especial obrigado ao nosso coach J
Desejo-vos imensos sucessos e felicidades, mas lembrem-se que isso só depende de vocês ;) 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pedaços de Mensagens Trocadas (2)

Mais um extracto recolhido nos e-mails trocados com pessoas com quem é sempre bom conversar, porque somos compreendidos, porque podemos falar sobre o que quisermos, simplesmente porque são sempre boas conversas, mesmo com a limitação de não serem "face to face", como seria ideal. 

Concordo quando dizes que o fardo é por vezes demasiado pesado, é mesmo, há feridas que nunca saram, passados anos ainda sangram, ainda doem. Há momentos efectivamente terríveis e que deixam marcas inconfundíveis na nossa personalidade, às vezes marcas boas, outras vezes negativas, não só para a nossa relação com os outros mas, principalmente, para a nossa relação connosco próprios. E são essas que eu acho que não valem a pena. Por consequência de determinadas experiências, às vezes, dou por mim a infligir, a mim própria, reprovações que são dolorosas. É nesses momentos que escrevo, muitas vezes, os meus textos que publico no blogue, se não o fizesse, à muito que teria "explodido".
Aprendermos com o sofrimento, com a dor, é sempre uma forma muito dolorosa. Se vale a pena ou não? Em relação à minha experiência, no global, acho que tem valido a pena, no entanto, sou a favor de que deveria haver outra forma de nos ensinar, porque há situações em que a aprendizagem tem sido negativa nomeadamente no tocante à relação comigo própria.

Autor: Eu própria.

sábado, 4 de setembro de 2010

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência ! (11)

Gosto quando os filmes que vejo me permitem fazer este tipo de registos, é sinal que são, na minha opinião, bons filmes e que me ensinaram qualquer coisa.




O perdão liberta a alma, destrói o medo… É por isso que é uma arma tão poderosa.”

“ - Diga-me François... qual é a sua filosofia sobre a liderança? Como inspira a sua equipa a dar o seu melhor?
- Dando o exemplo. Sempre fui ensinado a seguir o exemplo.
- Isso está correcto. Mas como os fazer serem melhores do que aquilo que pensam que podem ser? Isso é muito difícil, julgo eu. Inspiração, talvez… Como nos inspiramos a nós próprios para a grandeza, quando nada menos que isso será suficiente? Como inspiramos toda a gente à nossa volta? Às vezes penso que é usando o trabalho dos outros.
Na Ilha Robben, quando as coisas se complicavam, encontrava inspiração num poema.
- Num poema?
- Um poema vitoriano. Apenas palavras. Mas elas ajudaram-me a resistir, quando tudo o que queria fazer era desistir. Mas não veio aqui para ouvir um velho falar de coisas que não fazem sentido.
- Não, não, por favor, Sr. Presidente. Para mim faz todo o sentido… No dia de um grande jogo, um teste digamos, no autocarro, a caminho do estádio, ninguém fala.
- Sim. Estão todos a preparar-se.
- Sim. Mas quando penso que estamos preparados, peço ao condutor para meter uma música escolhida por mim, uma que todos conhecemos. E ouvimos as palavras, juntos... e isso ajuda.
- Lembro-me quando fui convidado para os Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992. Toda a gente no estádio me recebeu com uma música. Naquela altura, o futuro... o nosso futuro... parecia desolador. Mas ouvir aquela música e as vozes de pessoas de todo o planeta, fez-me ter orgulho em ser sul-africano. Inspirou-me a vir para casa e fazer melhor. Permitiu-me esperar mais de mim próprio.
- Posso perguntar qual era a música, senhor?
- Bem...era a Nkosi Sikelel' iAfrika. Uma música muito inspiradora.
Precisamos de inspiração, François. Porque, no que diz respeito a construir a nossa nação, devemos todos exceder as nossas próprias expectativas."


excerto retirado do filme: "Invictus"

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A construção do sonho que acabou por não se realizar.

Era uma vez um sonho que fui sonhando ao longo de muitos e muitos dias…
O sonho acabou por se ir tornando num objectivo possível de alcançar, mas para isso era preciso trabalhar, despender algum tempo na preparação desse trabalho que precisava de ser feito, mas acima de tudo era preciso força de vontade, empenho, garra, coragem e determinação, coisas que eu tinha pouco.
Um sonho/objectivo acarreta sempre as inevitáveis dúvidas e receios, desperta medos e apreensões e pode acabar por se ter que desistir dele, mesmo antes de se tentar, se não formos suficientemente fortes ou se não tivermos os apoios necessários.
No início, as certezas eram muitas. Com o passar do tempo, foram surgindo novos caminhos, novas opções que os medos e a falta de coragem foram apresentando como uma solução mais fácil e talvez igualmente gratificante, e aí tiveram que começar a ser tomadas decisões, as dúvidas começaram a surgir… e é nessa linha ténue em que, por vezes, nos encontrámos que o apoio de quem nos é importante, ou a falta dele, nos faz pender para o lado correcto ou não.
Há sonhos que não conseguimos construir, e muito menos perseguir, sozinhos. Este meu sonho era um deles. Felizmente, tive, e tenho, a sorte de estar rodeada de pessoas que me ajudaram a acreditar que conseguia construir este meu sonho, que me ajudaram a dar-lhe vida e a transformá-lo em sonho/objectivo possível de se tornar uma realidade alcançada.
O apoio esteve sempre lá. O sonho é que teimava em desvanecer-se nas alturas em que os medos falavam mais alto. Estive muito próxima de decidir matá-lo de vez, por desejar acabar com o sofrimento que aquela perseguição me estava a causar. Muito próxima mesmo. Tão próxima que se poderia duvidar se seria verdadeiro o sonho que eu dizia ter e querer realizar. Eu própria acho que cheguei a duvidar, tal era a vontade de desistir, mas quem me conhece bem sabe que era, e nunca deixou de o ser, verdadeiro.
Houve alturas em que certas pessoas acreditaram mais do que eu na realização deste sonho, e foi esse apoio que fez com que eu não desistisse. Não desisti e fui tentar realizá-lo para que depois pudesse, pelo menos, dizer que tentei. E ainda bem que assim foi, porque agora é a única coisa que tenho para dizer acerca da realização desse sonho: Não consegui, mas, pelo menos, sei que tentei. Se valeu a pena ou não é um balanço do qual ando a fugir desde o dia em que soube que não o consegui realizar…
E, porque o apoio das pessoas foi a coisa mais importante para mim nesta tentativa, quero aproveitar para deixar um enorme agradecimento a todos os que estiveram sempre ao meu lado. Agradecer as palavras de incentivo, de esperança, de acreditação, agradecer os abraços, os beijinhos, os mimos, a coragem que me fizeram ter… Por tudo, Obrigado. Mas o maior agradecimento vai para duas pessoas que foram, sem dúvida, os que mais contribuíram para que eu não desistisse: um porque sabe exactamente o que dizer na altura certa, o outro porque teve a paciência e a dedicação de me aturar algumas horas e de me ajudar no que eu precisei. Aos dois, porque sempre acreditaram que eu conseguiria, porque nunca me deixaram desistir, um muito obrigado: pelo carinho, pela paciência, pela atenção, mas, sobretudo, pelas imensas dores de cabeça que me deram de cada vez que me chamavam á razão, de cada vez que insistiram para que eu continuasse… Muito Obrigado, mesmo!
O que acontece a seguir? Não sei. Acho que agora seguirei um outro caminho e será aí que irei tentar perseguir um outro sonho que apareça. O importante é que eu tente ser feliz e isso, podem ter a certeza que tentarei sempre.

sábado, 28 de agosto de 2010

Pedaços de Mensagens Trocadas.

Pedaços de mensagens trocadas é a nova rubrica que decidi criar no meu blogue.
Esta ideia surgiu-me há já algum tempo e decidi, hoje, dar-lhe início.
Aqui irei publicar mensagens que escrevi/escreverei, que disse/direi a alguém ou que recebi/receberei ou ouvi/ouvirei de alguém.

Esta primeira mensagem foi escrita por mim, num dos tantos e-mails trocados com um seguidor do meu blogue. Os primeiros desses e-mails estão cheios de pedacinhos que darão óptimas postagens! Aqui fica a primeira mensagem:

Não nos devemos perder na busca da realização de determinados sonhos, porque esses, também podem ser bem ingratos, às vezes piores do que a realidade. Se passarmos a maior parte do tempo a sonhar, quando tivermos que encarar a realidade, porque temos sempre que o fazer, principalmente em certas alturas da vida, poderá ser uma experiência desagradável.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência ! (10)

Nada melhor para assinalar a décima postagem desta rubrica do as palavras deste grande génio que há pouco tempo nos deixou. São palavras de José Saramago recolhidas de uma entrevista que li.

“Há acções individuais que parecem mostrar que o ser humano pode ser sempre outra coisa. Há circunstâncias que fazem ascender nele o melhor que ele tem. E há outras que fazem ascender nele o pior que ele tem.”

“Sou suficientemente céptico para nunca acreditar. Quanto maior é a promessa mais eu desconfio. Agora, ter a consciência de que quanto maior é a promessa mais fácil é vir a faltar a ela – ou cumpri-la de uma maneira incompleta – não podia, evidentemente, conduzir-me, não pode conduzir ninguém, à paralisia. Entre um cem que eu sei que não posso alcançar e um oitenta e quatro que sim, talvez, pois então joguemos nos oitenta e quatro.”

sábado, 21 de agosto de 2010

Já lá vão dois anos, venham muitos mais :)

Lembro-me perfeitamente do dia em que me aventurei na criação deste blogue. Já tinha uma meia dúzia de textos escritos num caderno e como a vontade e o gosto de escrever ia crescendo, achei uma boa ideia criar um blogue. E foi isso que fiz na noite do dia 21 de Agosto de 2008. Quando acabei de o criar e publiquei os dois primeiros textos, invadiu-me um sentimento enorme de satisfação que nos dias seguintes, cada vez que vinha à net era o primeiro site que eu visitava. Lembro-me perfeitamente desses primeiros dias.
Dois anos já lá vão, e desde a sua criação, este meu blogue já mudou de imagem e formato algumas vezes. Só o nome que lhe foi dado na altura à falta de melhor permanece o mesmo. Confesso que nunca lhe achei muita piada, era apenas um nome provisório, mas o tempo foi passando e, o que é certo é que, dois anos depois, continua o mesmo e eu continuo com a mesma ideia de o querer mudar, mas não me parece que seja desta vez. Talvez numa outra altura…
Como não podia deixar de ser, aniversário traz mudanças: O Meu Cantinho tem nova imagem, tem novidades, a sua escritora decidiu publicitá-lo no seu perfil das redes sociais e agora é só esperar que os próximos tempos sejam muito bons para este blogue.
O Meu Cantinho não precisa de pedir prenda de anos porque já recebeu muitas ao longo da sua existência e as melhores prendas que se podem oferecer são as visitas, as leituras, os comentários, as criticas, as sugestões de quem por aqui vai passando.
Parabéns ao meu Cantinho!

domingo, 15 de agosto de 2010

Faz-me lembrar alguém que eu conheço!

“Tu pertences a um tipo de mulher que só vive a plenitude do amor na distância ou na impossibilidade. És aquilo a que eu chamo uma “Mulher Impossível”, porque amas com todas as tuas forças os homens que por alguma razão ou outra não podes ter. Para ti, o amor é a própria luta pelo amor, não é uma construção nem uma edificação. Por isso não te casas, não crias bases para ter uma família e ser uma esposa exemplar. Mas estás certa, o teu encanto é justamente esse. E pelo menos tens a honestidade de não te mascarares por detrás de uma situação socialmente aceitável e de não embarcares num casamento de circunstância.
- O pior é que assim nunca mais tenho família nem filhos.
- Claro que vais ter, como toda a gente. Um dia destes encontras uma pessoa com quem te dás bem e casas-te com consciência que pode não ser para a vida toda, mas casas feliz e tornas-te uma mãe exemplar e orgulhosa da sua prole como quase todas as mulheres acabam por ser. ”

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência ! (9)

Hoje o excerto que trago é de um filme que vi aqui há dias.
Before Sunset, poderia ser um filme muito monótono e entediante, visto que as únicas cenas que vemos são um passeio/diálogo entre duas personagens que se tinham apaixonado há uns anos e que, passados 9 anos, se voltam a encontrar, mas o humor das personagens e o diálogo em si que transmite o essencial da condição humana – a fragilidade, os sentimentos, etc. – tornam-no num filme bastante interessante.
De todo ele decidi destacar este excerto, nem sei bem explicar porquê, gostei simplesmente.

“- No meu trabalho, vejo pessoas que começam com grandes visões idealistas de se tornarem o novo líder que criará um mundo melhor. Eles apreciam o objectivo mas não o processo. Mas a realidade é que o verdadeiro trabalho de melhorar as coisas está nas pequenas realizações de cada dia. E é isso que tens de apreciar para te manteres nesse campo.
- Onde queres chegar?
- Eu estive a trabalhar numa organização que ajudava aldeias no México. A preocupação deles era como fazer chegar os lápis enviados às crianças nas escolas da província. Não eram grandes ideias revolucionárias, eram os lápis.
Vejo pessoas que trabalham no duro, e o que é muito triste é que os mais devotados, esforçados e capazes de tornar o mundo melhor geralmente não têm o ego e a ambição de serem líderes. Não têm interesse nenhum em recompensas superficiais. Não lhes interessa que o seu nome apareça na imprensa. Gostam de ajudar os outros. Vivem o presente.
- Mas é tão difícil viver o presente... Eu sinto que estou destinado a estar insatisfeito com tudo. Estou sempre a tentar melhorar a minha situação. Satisfaço um desejo, e isso cria outro. Mas depois penso, que diabo, o desejo é o que motiva a vida. Achas que é verdade, que nunca seríamos infelizes?
- Não sei. Não querer nada não é um sintoma de depressão?
- É isso, não é? É saudável ter desejos. Não sei. É o que os budistas dizem, não é? Liberta-te do desejo e descobrirás que já tens tudo que precisas.
- Mas eu sinto-me viva quando quero mais do que as necessidades básicas. Querer, seja intimidade com outrem ou uns sapatos novos, é lindo. Gosto que tenhamos esses sempre renovados desejos.
- Talvez seja apenas um sentido de direito. Como sempre que sentes que mereces esse novo par de sapatos. É bom que queiras coisas desde que não fiques chateada se não as conseguires. A vida é difícil. É suposto ser. Se não sofrêssemos, não aprenderíamos nada.”

quinta-feira, 29 de julho de 2010

"O que andamos a ler?" (2)

Ultimamente não tenho lido muito e já quase me tinha esquecido deste desafio que a Maria nos propôs e que eu decidi aceitar.
Bem, hoje decidi trazer-vos um excerto de um diálogo que retirei de um livro que comprei a algum tempo - “Sei Lá” - e que acho interessante entre a Madalena, a personagem principal e narradora da história, e um seu pretendente, o Francisco. Acho interessante porque gosto da forma como ele define a amizade entre homens e mulheres, porque o Francisco, com o seu dom de adivinhação, me faz lembrar um amigo e porque me sinto como a Madalena quando converso com ele: “Nua e exposta”, porque não preciso quase de falar para que ele perceba o que me vai na alma.

“- Saio com ele porque é meu amigo de infância e porque é boa companhia.
- Mas vocês parecem tão diferentes! De que é que falam a noite toda?
- Não falámos. A amizade entre homens é completamente diferente da vossa. Não passámos horas a fio no cabeleireiro de rolos na cabeça a revelar as nossas intimidades. Saímos para beber cervejas, jogar às cartas e contar anedotas. É esse o verdadeiro espírito de camaradagem masculina. O que conta é o quanto nos divertimos e como. Não interessa se é a comer tremoços e a olhar para as mulheres ou a falar de futebol e Fórmula 1. Não somos como vocês que passam os dias a analisarem-se umas às outras como ratos do laboratório.
- Isso não é verdade.
- Nada é mais verdade, minha querida. Queres que te descreva o serão? As tuas amigas fizeram-te um jantar de anos. E cada uma de vocês passou a noite a observar meticulosamente todas as outras do grupo. Deu para perceber que de todas de quem mais gostas é da Mariana, que entre ti e a Luísa existe uma certa rivalidade, ao que parece mais do lado dela que do teu, que apesar de seres amiga da Teresa dás-te muito melhor com o João, que a Catarina adora ser a Fada do Lar mas inveja-vos a vocês, solteiras, pela liberdade que têm. Queres que continue?
Estou sem fala. Engulo em seco e olho para o relógio para ver se ele comenta. Em vez disso, o olhar adoça-se e faz-me uma festa no cabelo.
- […] és a mais equilibrada de todas, e a mais objectiva. Tens é uma historia aí qualquer mal resolvida. Até para respirar fazes esforço! Alguém já te roubou o oxigénio e por isso ainda te consideras em plena convalescença, o que não é rigorosamente verdade porque já estás óptima, mas deves ter percebido que também é bom estar na defensiva porque assim ao menos ninguém te volta a invadir.
O Francisco está a revelar-se esperto, muito esperto.
- Desculpa se fui muito directo, mas já estava farto de ser tratado como se me passasse tudo ao lado. Além disso, acho-te graça […]
Sinto-me vacilar. Estou nua, exposta a este homem que só vi duas vezes e que decidiu não me largar. Tenho outra vez alguém a entrar na minha vida, que é exactamente o que eu não queria. Já não sei o que quero, só sinto que este homem que tanto me enerva com o seu olhar calculista e o meio sorriso cínico também me atrai e me dá vontade de me deixar ir atrás do seu tom encantatório com que me está a embalar. Enrolo as mãos uma na outra para agarrar a alma. Ainda não, é demasiado cedo, não quero envolver-me com ninguém, quero ficar sozinha, sossegada no meu canto até ser eu a decidir abrir outra vez as portas. E no entanto, já tinha saudades deste torpor sobressaltado de descobrir e ser descoberta por alguém."


Autora: Margarida Rebelo Pinto.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Querido Afonso, (2)

Meu pequenino completas hoje o teu primeiro ano de vida. PARABÉNS!
Estou aqui a lembrar-me de vários episódios que tenho bem presentes na memória e que sempre recordarei, porque todos eles foram marcantes. Vou partilhar alguns contigo. Ora, comecemos por ordem cronológica: a notícia da tua existência. Foi na noite de natal do ano passado, em 2009, que o pai me revelou que iria ter um novo irmão. Lembro-me muito bem das palavras que ele usou e da forma desastrosa e desajeitada com que falou, aliás, com que sempre fala quando o assunto envolve questões sentimentais. (Fica-te já a observação e prevenção!) Consegui perceber que ele estava feliz, que não tinhas sido um “acidente”, mas antes um “caso” bem planeado. Tenho que te confessar que o sentimento não era mútuo. Não foi com bons olhos que recebi a notícia, não porque tivesse ciúmes ou algo do género, também não sei explicar ao certo porquê, mas creio que o medo da responsabilidade e do trabalho que forçosa e inevitavelmente, recairiam sobre mim contribuíram imenso para que eu não tivesse ficado contente com a notícia, como o pai estava.
Outra coisa que me lembro e que aconteceu poucos dias depois tem a ver com o meu partilhar de emoções e apreensões com uma pessoa que me é muito especial. Foi num treino de voleibol, durante o aquecimento, que contei à Rita a novidade: “novo irmão” is comming. Eu estava ainda a tentar digerir a notícia e lembro-me que a Rita nem precisou de tempo para o fazer. Penso que se ela não me visse naquele estado apreensivo tinha desatado a dar pulos de alegria. Foi um momento um tanto ou quanto hilariante, pelo local e pela conversa em si, constantemente interrompida pelas chamadas de atenção do treinador. Memorável.
Seguidamente, chegou a altura de anunciar aos outros amigos mais próximos as novidades. Desta vez foi a simples notificação do facto, sem lugar para manifestações de apreensões ou algo do género. Lembro-me perfeitamente das palavras que usei. Estávamos todos juntos a falar sobre o natal e os presentes e eu, muito lampeira, anunciei, com estas exactas palavras: “O meu pai e a minha madrasta também decidiram dar-me um presente no natal: um novo irmão”! Ficaram todos boquiabertos comentaram uma ou outra coisa e o assunto “natal, prendas” prosseguiu.
Bem, o tempo lá foi passando. Desde o dia do anúncio da tua existência tinha cerca de 7 meses para me acostumar à ideia que me estava a custar imenso aceitar. Estava e continuou a estar. Até tenho vergonha de te revelar isto, mas os momentos que me marcaram não foram todos bons ou hilariantes ou algo parecido, também houve alguns maus. Um deles foi a forma estúpida e fria com que te recebi. Eu tinha acabado de chegar de Lisboa, ainda não tinha aceitado que tu já existias e estavas no minha vida para ficar, vinha chateada porque, de forma indirecta, é verdade, foi por tua causa que eu não fui de férias para o Algarve e tudo isso influenciou a minha atitude de um certo desprezo que se traduziu na mera espreitadela que dei no teu berço, para ver como eras e fui para o meu quarto, não me recordo bem, mas acho que chorei. Estava num estado horrendo, disso lembro-me, e nesse estado andei durante quase o primeiro mês da tua existência.
Mas felizmente, as coisas foram mudando, para melhor. À medida que o tempo ia passando os meus olhos começaram a brilhar quando falava sobre ti a alguém, o meu orgulho em ter um afilhado foi crescendo, o meu amor por ti foi-se tornando no que é hoje: um amor incondicional.
Querido, lembro-me de muitos mais momentos que gostaria de partilhar contigo, mas acho que os guardo para uma próxima carta.
PARABÉNS, mais uma vez! Felicidades.
Amo-te, meo Gui,
Beijinhos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência ! (8)

Quando chegam as férias de Verão todos os estudantes ficam super contentes e fazem mil e um planos para aproveitar e gozar o merecido descanso. Ter saudades da escola é uma ideia que a maioria recusa. Mas terminada uma etapa importante, e nas vésperas de iniciar outra ainda mais trabalhosa, essa ideia começa a parecer-nos uma realidade da qual não poderemos fugir.
Não é só da escola que todos, mais tarde ou mais cedo, teremos saudades, é também de certos professores, daqueles que muito nos ensinaram, não só a nível das temáticas escolares mas, e talvez, sobretudo, a nível pessoal, de atitude e educação.
Hoje, andava a arrumar a tralha do ano lectivo que, para mim, encerrou ontem com a afixação das notas da 1ª fase de exames, e descobri um texto que uma professora nos escreveu no qual nos deu conselhos e felicitações e que aqui vos mostro um pequeno excerto. Esta é uma das professoras de quem terei muitas saudades e de quem sempre admirei o facto de não ser "hábito [seu] deixar as obrigações pela metade" e o afinco e paixão com que se dedica à profissão e aos alunos. Com ela aprendi que para sermos grandes no que fazemos, temos que ser inteiros. Temos que ser tudo em cada coisa. Pôr quanto somos no mínimo que fazemos. Com ela aprendi muitas mais coisas que guardarei para sempre e pelas quais lhe agradeço imenso.

"Desejo-vos grande sorte (porque, para além da vontade e do esforço, vos fará muita falta!), pois sei que não será fácil. As conquistas exigem esforço e nem todos estais preparados para tão arrojado empreendimento: deixar o ninho e começar a voar por conta própria. O "lá fora" não é só o aceno de liberdade há muito almejada, é também um espaço de complexos desafios, competições, adversidades várias, que ajudam a crescer, mas tantas vezes à custa de muitos "amargos de boca"! Este será o primeiro dia do resto das vossas vidas. [...]
É, então, com estas palavras amigas e a alma embargada pela comoção saudosa, que vos deixo estas recomendações, forjadas a partir da minha experiência e de mensagens lidas na voz mágica e sábia dos artistas da palavra [...]
Que sejais felizes até ao céu! Boa entrada no Futuro! E muitas Vitórias!"

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O que somos nós se não temos sonhos, objectivos, ambições, projectos, hobbies? Nada! Estes são os combustíveis que o nosso coração precisa para continuar a bater são eles que nos fazem viver. Mas desenganem-se os utópicos, porque para conseguirmos conservá-los e mantê-los vivos é preciso sofrer. São combustíveis não renováveis, podem é existir os alternativos, é necessário saber preservá-los, contribuir com acções por vezes heróicas e quase supra-humanas para a sua manutenção… é preciso possuir um espírito recheado de perseverança, coragem, muita e muita coragem, força de vontade, os fracos acabam sempre por desistir e optam pelo caminho mais fácil, é preciso paciência (“é preciso é paciência, tudo se resolve e nenhuma decisão é irreversível”), fôlego, é necessário ter fôlego para suportar as insónias e as preocupações que surgem quando se quer manter esses combustíveis vivos…
Em suma, sofremos uns arranhões, sangramos um pouco, sofremos outro bocado, mas depois da intempérie vem sempre a bonança. E estes combustíveis, quando tratados e preservados, produzem resultados extremamente satisfatórios e agradáveis para o corpo e mente.

Estou aqui a pensar se hei-de ser corajosa ou se irei optar por procurar combustíveis alternativos... (e estou cheia de sono!)
Não chego, nem quero tomar nenhuma decisão. Poças, são duas horas da manhã e eu estou deitada há duas horas e meia. As coisas começam a tomar a dimensão do insuportável. Só quero conseguir adormecer e acordar bem tarde amanhã, de preferência elucidada por uma visão profética qualquer que tenha durante um sonho.
Até amanhã…

segunda-feira, 21 de junho de 2010

"O que um examezinho de caca provoca nas pessoas" !

Durante toda a noite procurei pelo botão mágico que me iria permitir desligar o cérebro, fechar os olhos e adormecer profundamente, mas a procura revelou-se infrutífera. A tortura prolongou-se até altas horas e a noite foi longa e penosa…
De manhã, quando acordei por força do hábito, a minha cabeça latejava, os meus olhos ardiam, o meu corpo quase não se mexia. Estava um autêntico farrapo. Pior fiquei quando me olhei ao espelho. Foi aí que me veio à lembrança a porcaria do dia que iria ter pela frente, para o qual tinha que arranjar forças, sabe-se lá onde. Mas antes disso era ainda necessário reunir toda a coragem que me restava para conseguir manter o meu corpo afastado da cama de onde ele não queria sair, (nem ele nem eu que se não tivesse arranjado essa coragem, teria ficado por lá até que o dia acabasse).
A muito custo, assim como a noite, a manhã foi passando.
Por volta da hora de almoço, as tonturas intensificavam-se, o estômago teimava em recusar toda e qualquer comida, o mal-estar era, verdadeiramente, incomodativo. A ansiedade e o nervosismo eram bem visíveis no tremer das mãos, no semblante apreensivo e consternado…
Chegada a hora, estava um autêntico caco! A prova a que fui submetida foi executada de forma pouco satisfatória, mas mesmo assim contava que corresse pior. Resta esperar que não tenha mesmo sido pior do que penso!
Agora, já no fim do dia, estou tranquila (escrever ajuda sempre muito) e pronta para enfrentar mais outro dia, muito parecido com este, já amanhã, pois o que acontecer amanhã pode ser um factor decisivo no prosseguimento, ou não, de alguns dos meus sonhos! (As idas ao médico deixam sempre as "criancinhas" cheias de medo!)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Um ídolo, um génio, um sábio... :(


O cansaço, mas, sobretudo, a estupefacção e a profunda tristeza, não me deixam dizer grande coisa acerca do assunto: "morreu o Nobel da Literatura". Acho que, por si só, o título usado para noticiar o acontecimento diz muita coisa ( se não tudo o que é necessário).
Resta-me guardar comigo, para sempre, o desejo que tinha de conhecer, pessoalmente, esta incrível personalidade que tanto admiro! :(

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O pedido da Formiga...

Há coisas que perdoámos à luz de certos princípios "altruístas", quando o fazemos porque acreditámos no arrependimento da pessoa em questão, quando achámos que essa pessoa merece uma segunda oportunidade porque errar faz parte da condição humana... e há outras em que perdoámos, em parte, por sermos egoístas, porque se não perdoarmos não conseguimos esquecer, ao não esquecer não avançamos com a nossa vida e não voltamos a ser felizes...
Pediste/perguntaste-me se não era capaz de perdoar... Estás, praticamente, perdoado, fiz-lo foi segundo a vertente egoísta, porque acho que não mereces uma segunda oportunidade, porque tenho medo que me voltes a iludir e a magoar, e isto, se calhar, são consequências dos teus erros, uma consequência que ficou e ficará como lembrança do sofrimento que me causaste.
Esquece que eu existo, por favor, para que eu possa perdoar-te de vez e esquecer, também, que um dia exististe.

domingo, 30 de maio de 2010

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência ! (7)

"Esta palavra esperança, com maiúscula ou sem ela, o melhor é riscá-la do nosso vocabulário. Só os exilados e os desterrados que se conformaram com o desterro e o exílio a devem usar, à falta de melhor. Dá-lhes consolo e alívio. Os não conformados têm outra palavra mais enérgica: vontade."

Autor: José Saramago.

Sou uma não conformada por natureza, e a vontade que tenho é tão grande que sei que conseguirei mudar o meu mundo, mais cedo ou mais tarde, com muita ou pouca dificuldade. Não é esperança que tenho, é mesmo vontade, e vou conseguir!

terça-feira, 25 de maio de 2010

:)

Sorrisos ao início, no decorrer e ao fim do dia? Sim, quero-os sempre.
A sensação é tão rara que, quando nos ataca, parece nova, sentimo-nos como se fosse a primeira vez que nos tivesse a acontecer. Realmente só quando as coisas nos faltam é que lhes sabemos dar valor.
É parecido com o estarmos apaixonados, é parecido com o estarmos contentes quando nos acontece uma coisa boa, mas não é isso, é uma sensação inexplicável porque é originada não por um, não por dois mas por vários acontecimentos que nos deixam num estado que é um misto de felicidade e de euforia. Não nos limitamos a sorrir, sorrimos sozinhos, sorrimos por tudo e por nada, sorrimos com o sorriso normal, sorrimos com os olhos, sorrimos com o corpo... Irradiámos alegria, felicidade, satisfação, bem-estar
e até loucura que dá um toque final ao nosso estado resplandecente que nos faz aguentar qualquer cansaço, suportar qualquer atrocidade...
Amanhã, quero-os outra vez. Aliás, quero-os sempre comigo, os sorrisos! :)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O (nosso) primeiro encontro.

"O caminho não era longo, principalmente para quem se atreveu a subir a metáfora feminina dos Himalaias. Mas extensa era a estrada das dúvidas. Teria curvas e contracurvas no encontro? Qual o índice de inclinação empático, qual a perigosidade dos sentimentos? Não me afligiam as interrogações, apesar de tudo.
(…)
Silêncio, que o pensamento fala apressadamente. (…)
Na boca de lá, que palavras sairão? (…) Coragem que a vida são três dias antes da Páscoa. Depois ressuscitamos, como eu ali.
Sede de sentir. Fome de ver. (…) És matriz da perfeição nunca perfeita do mundo. É na imperfeição que existe a beleza. É ali e em mim que existes tu. (…) Um olhar mais transviado e eis o transbordo luminoso nos meus olhos. Tu.
Papéis invertidos: eu no cume, eu no como (?!) e tu firme e tu leve no elevador da confrontação. Desenhos que risquei por antecipação saíram obras-primas na tua cara. A minha imaginação nunca seria capaz de rascunhar momentos como aquele. No mesmo pé, no mesmo destino, és Mouris...cá ou lá. (…) Palpitei que gostasses do saco azul. Afinal a cor do mar guarda as melhores coisas e ainda tem o céu como espelho, duplicando a sensação de infinito. Eu senti-me assim. Com tempo, tendo-o pouco. Com tudo, tendo-te só pela frente.
Desembrulhaste-me a alma com os teus olhos castanhos. Céus, como me senti vestido antes! O Norte é verme... Lho digo eu! (…) Maturidade que te vejo em tantas voltagens de contactos anteriores e que não me deram choque, pois já sabia há muito do teu toque supra-humano. (…)
Ri... ‘tá? É que eu fico tele-imóvel e sem mensagens de graça já com o singular de linda, quanto mais com o plural! O centro não é para mim. Atenção, dou-a aos outros. A ti. A mares que são vólei entre hippies e transeuntes, como eu no futuro. (…)
Vai, foge-me que eu não tenho rede para saltares. (…) Joga o teu orgulho dum campo ao outro, p(r)onto! AplaudIREI sempre que quiseres. Entregas-te ao sacrifício nas pontas dos dedos. Eu sei que te dói o vólei alheio. Mas sempre um sorriso, sempre o conforto, sempre a ternura, no servir a lealdade à eqUIpa! Capitã, campeã... Amanhã? Não, certezas do hoje.
(…) Final do jogo. Última a sair, eterna primeira a subir a cabeça. Haverá alguém a pôr-te a coroa, te garanto!
Banho, que eu venho já. Café, esqueci-me do corpo. Todo ele a pensar em ti. Voltei num ápice, mais dois dedos de conversa que o vólei não levou. (…) O aDEUS que eu não queria. Em suma, foi chegar, ver e ressusCITAR. Livremente obrigado, deusa que me insPIRAS!”

Autor: Companheiro de relação esquesito-especial. :)

sábado, 8 de maio de 2010

A essência e o segredo...

A vida é o que nos acontece enquanto estamos ocupados a tentar vivê-la.
É os medos, as alegrias, as tentativas e os erros, as hesitações e decisões, a violência e a ternura. É sangue e gargalhadas, lágrimas e sorrisos, paixão e ódio. A vida são momentos, atitudes, sentimentos…
Tudo o que fazemos para tentar viver, às vezes, não é mais do que isso: uma tentativa. Uma tentativa tão exasperada que nos mostra um lado penoso da vida.
Se deixarmos de tentar, uma vez ou outra, não nos fará mal nenhum. Só nessas alturas é que nos daremos conta do que é realmente viver e de como as coisas podem ser mais fáceis. A vida é o que nos acontece, todos os dias, naturalmente.
Não digo que devemos assistir passivamente à passagem da vida, claro que não, isso também não será viver. Mas, de vez em quando, sabe bem apreciá-la no que de mais simples e belo ela tem. Sem pressas, sem correrias…
O segredo para vivermos e atingirmos a felicidade passa por sabermos viver. Lutar por nós, pelos outros, por aquilo em que acreditámos faz parte dessa aprendizagem, mas essa deve ser sempre feita de uma forma controlada, contida, sem grandes stresses e preocupações - esta é a vida que nós construímos, sim porque nós temos esse poder. Além disso, devemos parar, de vez em quando, para, pura e simplesmente, observarmos o que acontece à nossa volta, para apreciarmos as consequências das nossas atitudes e acções - e esta é a tal vida que acontece naturalmente e que tem uma beleza indescritível.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Dói, e dói cada vez mais...

Por vezes, fruto de acontecimentos recentes ou por qualquer outro motivo, temos pensamentos parvos. São parvos porque surgem quando estamos com a cabeça quente, quando estamos fragilizados... São parvos porque nunca os teríamos se não fosse existirem estes factores todos que contribuem para os termos.
É claro que a esses pensamentos de ocasião não deve nunca ser dada grande importância mas... E se esses pensamentos se começam a tornar sistemáticos? Será que aí devemos continuar a ignorá-los? Será que não fazem mesmo algum sentido?

Ultimamente penso tanto em desistir... É um pensamento parvo frequente mas que se calhar merecia ser elevado à condição de decisão. É que se for bem a ponderar os factos não é assim tão parvo quanto parece.
Estou a sofrer muito e começo a sentir-me fraquejar de novo. Se desistisse evitava a possibilidade de cair outra vez naquele lugar horrível onde estive até há bem pouco tempo e onde odeie estar.
É certo que não sei se conseguiria desistir. É quase certo que nos primeiros tempos iria sofrer muito mais do que estou a sofrer agora mas, é como a Pita diz, ao fim de 21 dias as coisas novas tornam-se num hábito. Podia ser que conseguisse.
Mas, enfim, feliz ou infelizmente, tenho a certeza que não conseguiria e que haveria uma boa meia dúzia de pessoas que nunca me deixariam desistir.
Como diria "o outro": Nunca ninguém disse que as lutas que temos que travar na vida, não deixavam cicatrizes!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência ! (6)

Ultimamente ando “numa onda” de ver filmes. Tenho visto bons filmes, maus filmes, filmes muito bons… Um dos últimos que vi e do qual gostei, chamou-me a atenção esta citação, abaixo transcrita. Quando nela se menciona a profissão jornalismo pode referir-se todas as profissões, pois em todas elas existem sempre os “vaidosos e parvos”, a pressão e o stress.
Gostei dos conselhos que nela estão contidos.



“Existem tantos exibicionistas no jornalismo, tantos vaidosos e parvos. Estão sempre a tentar convencer toda a gente, sempre a tentar parecer melhor do que são. A boa notícia é: jornalistas como esses fazem com que seja mais fácil distinguirmo-nos. Se fores um pouco humilde, eficiente e solícito, podes destacar-te.
(…) É verdade, Jornalismo é um trabalho difícil, toda a gente anda sob muita pressão, toda a gente a trabalhar para a edição sair, ninguém consegue dormir, mas é permitido sorrir de vez em quando.”


Excerto retirado do filme: “Shattered Glass”.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

"O que andamos a ler?"

"O que andamos a ler?", é o titulo dado pela Maria(dona do blogue "Ninhos em Banho-Maria"), ao desafio que lançou aos seus amigos blogueres e seguidores.
Este desafio, como ela mesmo explica no seu blogue, consiste em divulgarmos, nos nossos blogues, as leituras que formos fazendo.
Ora, eu como adoro ler, decidi aderir a este desafio, e além do mais pareceu-me que será interessante e que permitirá a troca de ideias e a divulgação de sugestões de leitura. Como tal, deixo aqui também o repto aos meus seguidores: partilhem também, nos vossos blogues, as leituras que andam a fazer.

Ora, o livro que irei partilhar nesta minha primeira resposta ao desafio não é o que ando a ler, mas foi um que li anteriormente e do qual gostei muito. Intitula-se "Evangelho Segundo Jesus Cristo" e é da autoria daquele que, para mim, é um dos melhores escritores, José Saramago.
Neste livro, o autor conta-nos a vida de Jesus de uma forma moderna, anti-religiosa. É um relato que em nada tem a ver com o que nos é descrito no Evangelho religioso. É um relato que humaniza a vida de Cristo, que o apresenta como um simples ser humano. (“O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo do sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo.”)

Esta é uma das várias passagens que mais me chamaram a atenção:

“Mas foi Pastor [o Diabo] quem falou, Tenho uma proposta a fazer-te, disse, dirigindo-se a Deus, e Deus, surpreendido, Uma proposta, tu, e que proposta vem a ser essa, o tom era irónico, superior, capaz de reduzir ao silêncio qualquer que não fosse o Diabo, conhecido e familiar de longa data. Pastor fez um silêncio, como se procurasse as melhores palavras, e explicou, Ouvi com grande atenção tudo quanto foi dito nesta barca, e embora já tivesse, por minha conta, entrevisto uns clarões e umas sombras no futuro, não cuidei que os clarões fossem de fogueiras e as sombras de tanta gente morta, E isso incomoda-te, Não devia incomodar-me, uma vez que sou o Diabo, e o Diabo sempre alguma coisa aproveita da morte, e mesmo mais do que tu, pois não precisa de demonstração que o inferno sempre será mais povoado do que o céu, Então de que te queixas, Não me queixo, proponho, Propõe lá, mas depressa, que não posso ficar aqui eternamente, Tu sabes, ninguém melhor do que tu o sabe, que o Diabo também tem coração, Sim, mas fazes mau uso dele, Quero hoje fazer bom uso do coração que tenho, aceito e quero que o teu poder se alargue a todos os extremos da terra, sem que tenha de morrer tanta gente, e pois que de tudo aquilo que te desobedece e nega, dizes tu que é fruto do Mal que eu sou e ando a governar no mundo, a minha proposta é que tornes a receber-me no teu céu, perdoado dos males passados pelos que no futuro não terei de cometer, que aceites e guardes a minha obediência, como nos tempos felizes em que fui um dos teus anjos predilectos, Lúcifer me chamavas, o que a luz levava, antes que uma ambição de ser igual a ti me devorasse a alma e me fizesse rebelar contra a tua autoridade, E por que haveria eu de receber-te e perdoar-te, não me dirás, Porque se o fizesses, se usares comigo, agora, daquele mesmo perdão que no futuro prometerás à esquerda e à direita, então acaba-se aqui hoje o Mal, teu filho não precisará de morrer, o teu reino será, não apenas esta terra de hebreus, mas o mundo, o universo, por toda a parte o Bem governará (…), Lá que tens talento para enredar almas e perdê-las, isso sabia eu, mas um discurso assim nunca te tinha ouvido, um talento oratório, uma lábia, não há dúvida, quase me convencias, Não me aceitas, não me perdoas, Não te aceito, não te perdoo, quero-te como és, e, se possível, ainda pior do que és agora, Porquê, Porque este Bem que eu sou não existiria sem esse Mal que tu és, Um Bem que tivesse de existir sem ti seria inconcebível, a um tal ponto que nem eu posso imaginá-lo, enfim, se tu acabas, eu acabo, para que eu seja o Bem, é necessário que continues a ser o Mal, se o Diabo não vive como Diabo, Deus não vive como Deus, a morte de um seria a morte do outro, É a tua ultima palavra, A primeira e a ultima (…). Pastor encolheu os ombros e falou para Jesus, Que não se diga que o Diabo não tentou um dia a Deus (…).”