“Tu pertences a um tipo de mulher que só vive a plenitude do amor na distância ou na impossibilidade. És aquilo a que eu chamo uma “Mulher Impossível”, porque amas com todas as tuas forças os homens que por alguma razão ou outra não podes ter. Para ti, o amor é a própria luta pelo amor, não é uma construção nem uma edificação. Por isso não te casas, não crias bases para ter uma família e ser uma esposa exemplar. Mas estás certa, o teu encanto é justamente esse. E pelo menos tens a honestidade de não te mascarares por detrás de uma situação socialmente aceitável e de não embarcares num casamento de circunstância.
- O pior é que assim nunca mais tenho família nem filhos.
- Claro que vais ter, como toda a gente. Um dia destes encontras uma pessoa com quem te dás bem e casas-te com consciência que pode não ser para a vida toda, mas casas feliz e tornas-te uma mãe exemplar e orgulhosa da sua prole como quase todas as mulheres acabam por ser. ”
Um comentário:
Ainda Margarida Rebelo Pinto? :D
Hum, não me digas que te revês nesta passagem...
Mas ninguém pode viver a plenitude do amor na distância ou na impossibilidade! Isto é um contra-senso... Será tudo menos plenitude, no mínimo. Pode estar-se longe da vista mas perto do coração. Porém, a totalidade seria não a distância ou a impossibilidade mas a proximidade e a real possibilidade.
Depois, não é essa mulher então que é impossível, mas sim os homens que ela deseja, já que são eles os objectos de amor que ela não pode ter ou alcançar... Portanto aí deveria ser homens impossíveis e não a mulher. A impossibilidade da mulher só se entenderia se ela não conseguisse amar, por exemplo, mas logo a seguir a autora afirma essa convicção sentimental.
“O amor é a própria luta pelo amor” parece-me uma redundância. O processo de luta pelo sentimento já em si carrega o sentimento. E ali a autora parece que os destrinça: sugere que há um amor na luta e um outro amor na conquista. Mas amor é... amor, simplesmente. E depois, o que é o amor senão uma construção e uma edificação que resulta desse labor, dessa luta? Parece-me algo incongruente essa afirmação da autora.
De seguida, acaba por objectivar um encanto em não querer um casamento de circunstância, pretensamente sem amor, mas adianta logo à frente que terá um dia um casamento de consciência... Ora, se por um lado, há o elogio de não querer casar sem amor, por outro, há a noção de que arranjará alguém “mais ou menos”, alguém com quem estará momentaneamente, mas que aí já será feliz e terá orgulho em ser mãe. Penso que as duas situações vão, no fundo, dar ao mesmo. Em ambas faltará sempre o amor, já nem falando na plenitude então.
Repara, primeiro não encontra o amor e tem a coragem de o assumir não casando. Por outro, não terá o amor para a vida toda mas já será feliz como esposa e mãe?! Acho que é precisamente o contrário que encontramos na realidade dos dias de hoje. Há muitas mulheres frustradas com a sua condição de esposas, que não amam os maridos e nem sequer têm coragem de partir para o divórcio quer pela dependência financeira que têm pelo marido, quer por vergonha muitas vezes. Ah, e erradamente julgam quem manter um casamento de aparência é saudável para os filhos que assim estão juntos com os progenitores. Nada mais errado!
Em resumo, não acho nada que haja mulheres felizes com a condição de amarem “mais ou menos” (o que quer que isso seja) um homem ou de acharem que pelo facto de casarem o tempo as fará feliz. Penso que acontece exactamente o contrário.
É um bocado incoerente a Margarida...
Beijinhos, Nita! ;)
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