Bem, a criação desta rubrica foi uma grande ideia que tinha como objetivo ser atualizada regularmente, porque assim iria ficando com memórias escritas de imensos momentos que foram preenchendo e tornando esta aventura universitária tão fantástica, tão inesquecível, mas também imensamente sofredora.
A última vez que atualizei isto as coisas não estavam lá muito bem, mas já tinha criado os laços que ainda hoje mantenho e que foram a minha maior ajuda para que cá tivesse ficado, numa cidade longe do "ninho", longe de todos os que estava habituada a ver todos os dias. A verdade é que, as coisas lá se foram compondo e agora, já na reta final, fiquei com imensa pena de ter deixado que a preguiça desse cabo do objetivo que me levou a criar este espaço e, apesar de ter todos os momentos presentes, adorava que estivessem registados também.
Estamos, por estes dias, na altura de escrever e de ler fitas e, só agora é que me estou a aperceber que isto foi tudo tão rápido e que ir embora vai custar muito mais do que eu estava à espera. Estamos no tempo da choradeira e da nostalgia. Já para não falar que a semana académica vem aí e promete ainda mais choradeira e muuuuuito mais, porque afinal de contas é a última e, como tal, tem de ficar para a história! :)
E o lema é: "É agora ou nunca"! Venha ela ;)
"Escrevo para iluminar os corredores da minha alma... ...O que escrevo? Registo o que me acontece, num esforço para compreender o que me aconteceu. Não invento nada. Não preciso de inventar nada. Não sou escritora. Podia chamar a isto um diário cego, porque não tem datas. Prefiro chamar-lhe um elucidário." (Excerto retirado da obra: "" Barroco Tropical" de José Eduardo Agualusa)
terça-feira, 16 de abril de 2013
O que andamos a ler (8)
Mais um livro riscado da lista de leituras, menos um na lista dos que estão à espera na estante lá do quarto! :) Nunca tinha lido nenhum livro deste autor, tinha apenas lido as histórias que ele escreve para o Correio da Manhã, mas confesso que gostei muito! Lê-se muito bem e o autor sabe exatamente como nos cativar do início ao fim.
Aqui ficam algumas citações para vos despertar o interesse:
"Sabe, tenente, a maldade é a característica mais perene do ser humano."
"O dinheiro acabar-se-ia e não podiam fazer nada para o evitar, a não ser, talvez, recusarem-se a aceitar a realidade que saltava aos olhos e fazerem como muita gente que continuava a levantar-se todos os dias sem ter a imaginação, ou a força moral, para reconhecer o fim quando ele chegava."
"Regina recordou-se dos bons momentos passados com Laurinda e não conseguiu evitar um ressentimento, uma ponta de melindre a roer-lhe a consciência. Mesmo que involuntariamente, sem intenção maldosa, ela sentia a partida da amiga como uma pequena traição. Mas não, obrigou-se a reconsiderar, "no estado de nervos em que ela ia, coitada, tinha mesmo era de sair daqui o mais depressa possível." Mas era o que se sentia quando alguém se depedia. Mais um que abandona o barco. Os próprios, que partiam, anunciavam-no quase com vergonha, no tom comprometido de quem atraiçoa os amigos, juntando argumentos piedosos, como que a pedirem compreensão, tolerância."
"Patrício estava a descobrir que era mais fácil a bravura física do que a coragem moral."
Autor: Tiago Rebelo
In: O Último Ano em Luanda
Aqui ficam algumas citações para vos despertar o interesse:
"Sabe, tenente, a maldade é a característica mais perene do ser humano."
"O dinheiro acabar-se-ia e não podiam fazer nada para o evitar, a não ser, talvez, recusarem-se a aceitar a realidade que saltava aos olhos e fazerem como muita gente que continuava a levantar-se todos os dias sem ter a imaginação, ou a força moral, para reconhecer o fim quando ele chegava."
"Regina recordou-se dos bons momentos passados com Laurinda e não conseguiu evitar um ressentimento, uma ponta de melindre a roer-lhe a consciência. Mesmo que involuntariamente, sem intenção maldosa, ela sentia a partida da amiga como uma pequena traição. Mas não, obrigou-se a reconsiderar, "no estado de nervos em que ela ia, coitada, tinha mesmo era de sair daqui o mais depressa possível." Mas era o que se sentia quando alguém se depedia. Mais um que abandona o barco. Os próprios, que partiam, anunciavam-no quase com vergonha, no tom comprometido de quem atraiçoa os amigos, juntando argumentos piedosos, como que a pedirem compreensão, tolerância."
"Patrício estava a descobrir que era mais fácil a bravura física do que a coragem moral."
Autor: Tiago Rebelo
In: O Último Ano em Luanda
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Desabafos, que é para isso que isto serve.
Escrever sempre foi, para mim, uma forma de descarregar sentimentos, de os deitar cá para fora como não o sei fazer de outra forma, porque as palavras não me saem tão certas quando são ditas, porque o coração se solta quando me sento e pego num lápis ou numa caneta ou quando simplesmente escrevo tudo o que me vem à cabeça e descarrego frustrações, pensamentos, loucuras, ambições, nas teclas do computador.
Quando verbalizo, quando falo, há sempre algo que fica por dizer, há sempre qualquer coisa que não foi transmitida na medida certa, que é dito como descargo de sentimentos e me sai com mais ou menos ênfase do que seria certo, do que seria aconselhado. Quando falo, demoro muito a dizer o que quero. O meu maior problema é falar de sentimentos! Sei muito bem como expressar as minhas resmunguices, os meus pontos de vista, as minhas razões, mas quando é para falar de sentimentos, dêem-me, por favor, um papel e uma caneta e ficará perfeito, se for para falar bem, para elogiar, ou então, será doloroso de ler, se for para criticar, se eu não aprovar, se não fizer parte dos meus valores.
Houve um tempo em que me fartei de sofrer dramaticamente, como também é muito meu hábito, e então decidi que não me iria importar com nada, que não ia mais deixar que me roubassem pedaços, porque estava a ficar um caco. Estive muito tempo sem escrever nada, nem mesmo parvoíces, nem mesmo daquelas coisas que escrevo e guardo para mim ou então nem sequer guardo, porque nada faz sentido, porque só estava a precisar de falar comigo própria. Estive, durante quase esse mesmo tempo, sem falar com ninguém sobre o que me ia acontecendo, porque, achava eu, a minha estratégia estava a resultar e eu não me estava a deixar abalar por nada.
Há pouco tempo dei por mim com a minha muralha a cair por terra com um pequeno embate, e quando me vi, desfeita em pedaços, quase sem nada ao que me agarrar é que percebi que as coisas são para serem sofridas quando acontecem. Depois de sofridas, resolvidas e, finalmente, esquecidas. Não são para serem ignoradas, para se fazer de conta que não nos atingem, que não nos ferem e fazem dor!
Ja aprendi que a estratégia passa por não pôr tudo de mim em todas as coisas, mas só nas que valem a pena, nas que não nos fazem sofrer e que só assim se pode evitar sofrimentos, mas que, mesmo que a gente se engane e essas coisas nos tragam coisas más, é lidar com elas de frente e nunca fugir, porque elas acabam sempre por nos apanhar de uma maneira ou de outra.
Quando verbalizo, quando falo, há sempre algo que fica por dizer, há sempre qualquer coisa que não foi transmitida na medida certa, que é dito como descargo de sentimentos e me sai com mais ou menos ênfase do que seria certo, do que seria aconselhado. Quando falo, demoro muito a dizer o que quero. O meu maior problema é falar de sentimentos! Sei muito bem como expressar as minhas resmunguices, os meus pontos de vista, as minhas razões, mas quando é para falar de sentimentos, dêem-me, por favor, um papel e uma caneta e ficará perfeito, se for para falar bem, para elogiar, ou então, será doloroso de ler, se for para criticar, se eu não aprovar, se não fizer parte dos meus valores.
Houve um tempo em que me fartei de sofrer dramaticamente, como também é muito meu hábito, e então decidi que não me iria importar com nada, que não ia mais deixar que me roubassem pedaços, porque estava a ficar um caco. Estive muito tempo sem escrever nada, nem mesmo parvoíces, nem mesmo daquelas coisas que escrevo e guardo para mim ou então nem sequer guardo, porque nada faz sentido, porque só estava a precisar de falar comigo própria. Estive, durante quase esse mesmo tempo, sem falar com ninguém sobre o que me ia acontecendo, porque, achava eu, a minha estratégia estava a resultar e eu não me estava a deixar abalar por nada.
Há pouco tempo dei por mim com a minha muralha a cair por terra com um pequeno embate, e quando me vi, desfeita em pedaços, quase sem nada ao que me agarrar é que percebi que as coisas são para serem sofridas quando acontecem. Depois de sofridas, resolvidas e, finalmente, esquecidas. Não são para serem ignoradas, para se fazer de conta que não nos atingem, que não nos ferem e fazem dor!
Ja aprendi que a estratégia passa por não pôr tudo de mim em todas as coisas, mas só nas que valem a pena, nas que não nos fazem sofrer e que só assim se pode evitar sofrimentos, mas que, mesmo que a gente se engane e essas coisas nos tragam coisas más, é lidar com elas de frente e nunca fugir, porque elas acabam sempre por nos apanhar de uma maneira ou de outra.
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