quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Porque é que negámos que viver também custa?"

A vida não é nenhum mar de rosas, nenhum conto de fadas. Longe de ser perfeita, por vezes, prega-nos partidas quando menos esperámos, quando menos convém.
Nunca ninguém está preparado, ou totalmente preparado, para os obstáculos que surgem no seu caminho ou para as situações dolorosas e imprevistas que nos levam a desistir de sonhos, a afastarmo-nos de coisas que gostámos, etc.
Quando surgem esses obstáculos e/ou imprevistos, de uma forma geral, existem três fases até conseguirmos (ou não) ultrapassar essa situação.
A primeira é a fase da negação. Aquela fase em que recusámos aceitar que tenha acontecido qualquer coisa, em que nos esforçámos, ao máximo, por ignorar os acontecimentos que, obrigatoriamente, alterarão a nossa realidade, em que continuámos com as mesmas rotinas, com as mesmas acções, numa tentativa exasperada de nos convencermos que nada aconteceu. A certa altura, não dá mais para continuar a viver esta fase, que mais não seja porque não é saudável e alguém nos chamará a atenção disso. É então que surge a segunda fase. A fase da aceitação, e esta é, talvez, a prova de fogo que nos testa os mais variados sentimentos e na qual podem ser despertados outros que desconhecíamos e que, na sua maioria, preferíamos ignorar para sempre, a sua existência.
Depois da fase da aceitação surge a terceira fase, não mais agradável. A fase da habituação. Esta é a fase na qual aprendemos e nos habituámos a lidar com uma nova realidade, aceite anteriormente. É a fase em que temos que redefinir objectivos e rotinas, sonhos e ambições.
De todas, a fase da negação, apesar de ser a menos saudável, é, de longe, a mais “agradável”. A da aceitação é, por vezes, a mais difícil de atingir, mas a mais custosa é, sem dúvida, a fase da habituação.
Quando nos destroem sonhos e objectivos e somos obrigados a habituarmo-nos a uma nova realidade, esse processo, para além de poder nunca ser concluído, poderá levar-nos a estados que nunca pensámos que existissem.
Coragem, força de vontade, auto-determinação mas, acima de tudo, capacidade de saber dar a volta por cima de cada obstáculo, são os segredos para podermos continuar a (sobre)VIVER.

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