Vou escrever isto hoje porque quero poder lê-lo sempre que me recusar a aceitar este sentimento, esta paixão. Vou escrevê-lo na tentativa desesperada de fazer perdurar esta óptima sensação que hoje sinto e que não sei explicar, nem preciso. Preciso apenas de a registar, de a partilhar, de a eternizar…
Nos últimos tempos, mas mais hoje, tenho-me vindo a aperceber de que me estou a voltar a apaixonar pela vida. Pela vida e por todos os ínfimos pormenores maravilhosos que nem todos conseguem e sabem apreciar. Hoje, até a chuva, coisa que detesto compulsivamente, me parece mais apreciável. Quem diz a chuva diz o céu cinzento, que hoje tem um brilho especial, diz as pessoas com quem me cruzei e troquei olhares, diz uma data infinita de coisas que é impossível traduzir com palavras a beleza que contêm.
O dia terminou há já algum tempo e eu sinto um cansaço enorme, mas é um cansaço fácil de suportar, agradável até de se sentir. É o cansaço de um dever cumprido, de um percurso terminado, de uma meta alcançada… É, definitivamente, um cansaço agradável, comparado ao outro que por vezes me atormenta.
Como não me posso reconciliar com a vida se, neste momento, me sinto feliz, preenchida, ainda que não totalmente, com o que ela me tem oferecido? Tenho um afilhado lindíssimo, deram-me, finalmente, asas para poder viver, praticamente em pleno, uma das minhas grandes paixões, tenho a sorte de ter uma certa aptidão e talento para essa paixão, tenho uma família que, longe de ser perfeita, me tem dado mais alegrias do que as anteriores tristeza e desilusões, tenho um irmão que amo incondicionalmente, tenho amigos a quem tanto devo e de quem gosto mesmo muito, na escola, tenho notas razoáveis, enfim…
Como posso não estar apaixonada pela vida? Ela que me ensinou e ensina tantas coisas? Ela que traz até mim os piores e os melhores momentos, as piores e as melhores pessoas do mundo, duas coisas que me ajudam a crescer e a chegar mais perto daquela perfeição que todos ambicionamos.
Como posso não estar novamente apaixonada?
É impossível continuar de costas voltadas e estar, sistematicamente, a recusar-me viver. É só disto que me quero recordar amanhã: que a vida é bela e que só tenho motivos para sorrir.
É definitivo e bem claro: estou completamente apaixonada pela beleza e complexidade da vida.
3 comentários:
:-)))))
ha certas situações na vida que nos cansam, tornam-nos mais frageis. Perdemos o sentido nalgum nó que esse grande novelo deu. Desorientamo-nos, e nem sempre é facil encontrar o fio condutor da nossa felicidade. Mas...o click chega, e a conjectura muda. As tristezas vão-se dissipando e as alegrias assumindo uma posição cada vez mais forte.
E é tão bom ter tudo de volta outra vez não é?
Dêmos graças de pudermos viver. Há tanta gente neste Mundo pior do que nós...mas nós temos os nossos desaires, e eles as vezes apenas servem para nos mostrar como a vida é boa...e é bonita, é bonita!
um beijinho
Maria :)
A vida é mesmo um grande novelo que se farta de dar nós e mais nós e que, por vezes, nos deixa perdidos no meio de tanta confusão. Bem que tentámos (sim porque o importante é sempre tentarmos) desenvencilhar-nos desses nós mas, como nem sempre o tentar é suficiente, há alturas em que acabámos por desanimar, por desistir até! (a pior que coisa que se pode fazer).
Quando passam essas tempestades, é sim muito bom termos tudo de volta outra vez, sentirmo-nos, outra vez, capazes de tudo, fortes, corajosos, arriscarmos sonhar novamente... É mesmo muito bom!:D
E a vida é, definitivamente, bela e uma graça pela qual devemos sempre e todos os dias, agradecer.
Beijo.
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