sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Querido Afonso, (3)

Meu pequenito, parabéns pelos teus 18 meses de vida! 
Da última vez que te escrevi ainda não tinha iniciado a aventura que me afasta de ti durante a maior parte da semana. Estava, portanto, feliz, pois tinha acompanhado, pormenorizadamente, cada novo passo do teu crescimento, cada nova etapa. Fui eu que te dei a primeira colher de sopa, o primeiro biberão de leite, a primeira colher de sobremesa… Foi a mim que deste o primeiro beijinho, a primeira palavra que disseste foi o meu nome… Deste-me um orgulho e uma alegria enormes!
Sabes, queria poder estar sempre presente como estive até ao teu primeiro ano de vida. Queria poder proteger-te sempre, ter-te sempre nos meus braços, no meu colo, mas não posso. Nem sequer é saudável para nenhum dos dois que assim o seja: não o é para ti, porque há certas coisas que precisas de aprender sozinho e que só com um ou dois “tombos” é que aprendes. Não o é para mim, porque tenho uma vida, sonhos e projectos para os quais tenho que trabalhar para os conseguir realizar. Foram esses sonhos e projectos que me levaram, em Setembro, a “deixar o ninho” e ir estudar para Vila Real. Não estar contigo todos os dias, como estava habituada, custou imenso. A primeira vez que chorei lá, foi por tua causa, porque não estava a conseguir suportar chegar a “casa” e não te ter lá para brincar, para te abraçar. Não estava a conseguir suportar chegar a casa, para passar o fim-de-semana, e ver que tinhas crescido sem que eu estivesse cá para ver esse progresso, não estava a conseguir suportar o olhar desconfiado com que olhavas para mim como se não me conhecesses, não estava a conseguir suportar a distância que sempre achei que conseguiria. Lembro-me tão bem de um ou outro fim-de-semana em que as diferenças eram mesmo assinaláveis: o teu riso tinha mudado, era já o de uma criancinha que sabia do que se ria, o teu cabelo parecia maior 5 cm, tu mesmo estavas maior. Lembro-me ainda mais do fim-de-semana em que só queria vir para casa, porque a tua mãe me tinha dito que tu tinhas dado os teus primeiros passinhos sozinho e eu estava ansiosa por ver. Como tive pena de ter perdido esse momento. Sempre achei que iria estar presente e assistir a isso, mas, infelizmente, não estive!!
Cresceste tanto nestes últimos meses. Começaste a fazer birras por tudo e por nada, começaste a chorar de cada vez que te tiram a chupeta, começaste a querer pegar em tudo o que vês e destróis tudo o que vai parar as tuas mãos...
Durante as férias de natal, e mesmo durante o mês de Janeiro, quando voltei a passar dias inteiros contigo, já assim crescidinho, as diferenças notam-se mesmo e, às vezes, és tão difícil de aturar. Consegues ser uma autêntica peste quando mexes nos meus livros, viras o meu caixote do lixo em cima do tapete, queres a todo o custo mexer no meu computador, etc, etc. Tudo o que vá parar as tuas mãos acaba estragado ou a fazer estragos! Não é fácil, nesses momentos, olhar para ti com um olhar ternurento, evitar dar-te umas palmadas e ralhar contigo. Não é mesmo fácil aturar-te quando estás cheio de sono e mesmo assim não queres dormir, quando acordas mal disposto e choras, aos berros, durante uns bons minutos… Mas, a parte isso, estás cada vez mais engraçado, mais adorável, mais fofinho. Adoro ver-te correr pela casa, adoro correr atrás de ti e ouvir-te a rir. Adoro ver-te a tentar falar, adoro quando vens à minha beira pedir-me colo… Adoro, adoro-te, amo-te cada vez mais!!!
Ainda bem que existes e fazes parte da minha vida, meu lindo!
Um grande beijinho,
Amo-te, meo Gui! 

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