quinta-feira, 29 de julho de 2010

"O que andamos a ler?" (2)

Ultimamente não tenho lido muito e já quase me tinha esquecido deste desafio que a Maria nos propôs e que eu decidi aceitar.
Bem, hoje decidi trazer-vos um excerto de um diálogo que retirei de um livro que comprei a algum tempo - “Sei Lá” - e que acho interessante entre a Madalena, a personagem principal e narradora da história, e um seu pretendente, o Francisco. Acho interessante porque gosto da forma como ele define a amizade entre homens e mulheres, porque o Francisco, com o seu dom de adivinhação, me faz lembrar um amigo e porque me sinto como a Madalena quando converso com ele: “Nua e exposta”, porque não preciso quase de falar para que ele perceba o que me vai na alma.

“- Saio com ele porque é meu amigo de infância e porque é boa companhia.
- Mas vocês parecem tão diferentes! De que é que falam a noite toda?
- Não falámos. A amizade entre homens é completamente diferente da vossa. Não passámos horas a fio no cabeleireiro de rolos na cabeça a revelar as nossas intimidades. Saímos para beber cervejas, jogar às cartas e contar anedotas. É esse o verdadeiro espírito de camaradagem masculina. O que conta é o quanto nos divertimos e como. Não interessa se é a comer tremoços e a olhar para as mulheres ou a falar de futebol e Fórmula 1. Não somos como vocês que passam os dias a analisarem-se umas às outras como ratos do laboratório.
- Isso não é verdade.
- Nada é mais verdade, minha querida. Queres que te descreva o serão? As tuas amigas fizeram-te um jantar de anos. E cada uma de vocês passou a noite a observar meticulosamente todas as outras do grupo. Deu para perceber que de todas de quem mais gostas é da Mariana, que entre ti e a Luísa existe uma certa rivalidade, ao que parece mais do lado dela que do teu, que apesar de seres amiga da Teresa dás-te muito melhor com o João, que a Catarina adora ser a Fada do Lar mas inveja-vos a vocês, solteiras, pela liberdade que têm. Queres que continue?
Estou sem fala. Engulo em seco e olho para o relógio para ver se ele comenta. Em vez disso, o olhar adoça-se e faz-me uma festa no cabelo.
- […] és a mais equilibrada de todas, e a mais objectiva. Tens é uma historia aí qualquer mal resolvida. Até para respirar fazes esforço! Alguém já te roubou o oxigénio e por isso ainda te consideras em plena convalescença, o que não é rigorosamente verdade porque já estás óptima, mas deves ter percebido que também é bom estar na defensiva porque assim ao menos ninguém te volta a invadir.
O Francisco está a revelar-se esperto, muito esperto.
- Desculpa se fui muito directo, mas já estava farto de ser tratado como se me passasse tudo ao lado. Além disso, acho-te graça […]
Sinto-me vacilar. Estou nua, exposta a este homem que só vi duas vezes e que decidiu não me largar. Tenho outra vez alguém a entrar na minha vida, que é exactamente o que eu não queria. Já não sei o que quero, só sinto que este homem que tanto me enerva com o seu olhar calculista e o meio sorriso cínico também me atrai e me dá vontade de me deixar ir atrás do seu tom encantatório com que me está a embalar. Enrolo as mãos uma na outra para agarrar a alma. Ainda não, é demasiado cedo, não quero envolver-me com ninguém, quero ficar sozinha, sossegada no meu canto até ser eu a decidir abrir outra vez as portas. E no entanto, já tinha saudades deste torpor sobressaltado de descobrir e ser descoberta por alguém."


Autora: Margarida Rebelo Pinto.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Querido Afonso, (2)

Meu pequenino completas hoje o teu primeiro ano de vida. PARABÉNS!
Estou aqui a lembrar-me de vários episódios que tenho bem presentes na memória e que sempre recordarei, porque todos eles foram marcantes. Vou partilhar alguns contigo. Ora, comecemos por ordem cronológica: a notícia da tua existência. Foi na noite de natal do ano passado, em 2009, que o pai me revelou que iria ter um novo irmão. Lembro-me muito bem das palavras que ele usou e da forma desastrosa e desajeitada com que falou, aliás, com que sempre fala quando o assunto envolve questões sentimentais. (Fica-te já a observação e prevenção!) Consegui perceber que ele estava feliz, que não tinhas sido um “acidente”, mas antes um “caso” bem planeado. Tenho que te confessar que o sentimento não era mútuo. Não foi com bons olhos que recebi a notícia, não porque tivesse ciúmes ou algo do género, também não sei explicar ao certo porquê, mas creio que o medo da responsabilidade e do trabalho que forçosa e inevitavelmente, recairiam sobre mim contribuíram imenso para que eu não tivesse ficado contente com a notícia, como o pai estava.
Outra coisa que me lembro e que aconteceu poucos dias depois tem a ver com o meu partilhar de emoções e apreensões com uma pessoa que me é muito especial. Foi num treino de voleibol, durante o aquecimento, que contei à Rita a novidade: “novo irmão” is comming. Eu estava ainda a tentar digerir a notícia e lembro-me que a Rita nem precisou de tempo para o fazer. Penso que se ela não me visse naquele estado apreensivo tinha desatado a dar pulos de alegria. Foi um momento um tanto ou quanto hilariante, pelo local e pela conversa em si, constantemente interrompida pelas chamadas de atenção do treinador. Memorável.
Seguidamente, chegou a altura de anunciar aos outros amigos mais próximos as novidades. Desta vez foi a simples notificação do facto, sem lugar para manifestações de apreensões ou algo do género. Lembro-me perfeitamente das palavras que usei. Estávamos todos juntos a falar sobre o natal e os presentes e eu, muito lampeira, anunciei, com estas exactas palavras: “O meu pai e a minha madrasta também decidiram dar-me um presente no natal: um novo irmão”! Ficaram todos boquiabertos comentaram uma ou outra coisa e o assunto “natal, prendas” prosseguiu.
Bem, o tempo lá foi passando. Desde o dia do anúncio da tua existência tinha cerca de 7 meses para me acostumar à ideia que me estava a custar imenso aceitar. Estava e continuou a estar. Até tenho vergonha de te revelar isto, mas os momentos que me marcaram não foram todos bons ou hilariantes ou algo parecido, também houve alguns maus. Um deles foi a forma estúpida e fria com que te recebi. Eu tinha acabado de chegar de Lisboa, ainda não tinha aceitado que tu já existias e estavas no minha vida para ficar, vinha chateada porque, de forma indirecta, é verdade, foi por tua causa que eu não fui de férias para o Algarve e tudo isso influenciou a minha atitude de um certo desprezo que se traduziu na mera espreitadela que dei no teu berço, para ver como eras e fui para o meu quarto, não me recordo bem, mas acho que chorei. Estava num estado horrendo, disso lembro-me, e nesse estado andei durante quase o primeiro mês da tua existência.
Mas felizmente, as coisas foram mudando, para melhor. À medida que o tempo ia passando os meus olhos começaram a brilhar quando falava sobre ti a alguém, o meu orgulho em ter um afilhado foi crescendo, o meu amor por ti foi-se tornando no que é hoje: um amor incondicional.
Querido, lembro-me de muitos mais momentos que gostaria de partilhar contigo, mas acho que os guardo para uma próxima carta.
PARABÉNS, mais uma vez! Felicidades.
Amo-te, meo Gui,
Beijinhos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência ! (8)

Quando chegam as férias de Verão todos os estudantes ficam super contentes e fazem mil e um planos para aproveitar e gozar o merecido descanso. Ter saudades da escola é uma ideia que a maioria recusa. Mas terminada uma etapa importante, e nas vésperas de iniciar outra ainda mais trabalhosa, essa ideia começa a parecer-nos uma realidade da qual não poderemos fugir.
Não é só da escola que todos, mais tarde ou mais cedo, teremos saudades, é também de certos professores, daqueles que muito nos ensinaram, não só a nível das temáticas escolares mas, e talvez, sobretudo, a nível pessoal, de atitude e educação.
Hoje, andava a arrumar a tralha do ano lectivo que, para mim, encerrou ontem com a afixação das notas da 1ª fase de exames, e descobri um texto que uma professora nos escreveu no qual nos deu conselhos e felicitações e que aqui vos mostro um pequeno excerto. Esta é uma das professoras de quem terei muitas saudades e de quem sempre admirei o facto de não ser "hábito [seu] deixar as obrigações pela metade" e o afinco e paixão com que se dedica à profissão e aos alunos. Com ela aprendi que para sermos grandes no que fazemos, temos que ser inteiros. Temos que ser tudo em cada coisa. Pôr quanto somos no mínimo que fazemos. Com ela aprendi muitas mais coisas que guardarei para sempre e pelas quais lhe agradeço imenso.

"Desejo-vos grande sorte (porque, para além da vontade e do esforço, vos fará muita falta!), pois sei que não será fácil. As conquistas exigem esforço e nem todos estais preparados para tão arrojado empreendimento: deixar o ninho e começar a voar por conta própria. O "lá fora" não é só o aceno de liberdade há muito almejada, é também um espaço de complexos desafios, competições, adversidades várias, que ajudam a crescer, mas tantas vezes à custa de muitos "amargos de boca"! Este será o primeiro dia do resto das vossas vidas. [...]
É, então, com estas palavras amigas e a alma embargada pela comoção saudosa, que vos deixo estas recomendações, forjadas a partir da minha experiência e de mensagens lidas na voz mágica e sábia dos artistas da palavra [...]
Que sejais felizes até ao céu! Boa entrada no Futuro! E muitas Vitórias!"