quinta-feira, 29 de abril de 2010

Dói, e dói cada vez mais...

Por vezes, fruto de acontecimentos recentes ou por qualquer outro motivo, temos pensamentos parvos. São parvos porque surgem quando estamos com a cabeça quente, quando estamos fragilizados... São parvos porque nunca os teríamos se não fosse existirem estes factores todos que contribuem para os termos.
É claro que a esses pensamentos de ocasião não deve nunca ser dada grande importância mas... E se esses pensamentos se começam a tornar sistemáticos? Será que aí devemos continuar a ignorá-los? Será que não fazem mesmo algum sentido?

Ultimamente penso tanto em desistir... É um pensamento parvo frequente mas que se calhar merecia ser elevado à condição de decisão. É que se for bem a ponderar os factos não é assim tão parvo quanto parece.
Estou a sofrer muito e começo a sentir-me fraquejar de novo. Se desistisse evitava a possibilidade de cair outra vez naquele lugar horrível onde estive até há bem pouco tempo e onde odeie estar.
É certo que não sei se conseguiria desistir. É quase certo que nos primeiros tempos iria sofrer muito mais do que estou a sofrer agora mas, é como a Pita diz, ao fim de 21 dias as coisas novas tornam-se num hábito. Podia ser que conseguisse.
Mas, enfim, feliz ou infelizmente, tenho a certeza que não conseguiria e que haveria uma boa meia dúzia de pessoas que nunca me deixariam desistir.
Como diria "o outro": Nunca ninguém disse que as lutas que temos que travar na vida, não deixavam cicatrizes!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência ! (6)

Ultimamente ando “numa onda” de ver filmes. Tenho visto bons filmes, maus filmes, filmes muito bons… Um dos últimos que vi e do qual gostei, chamou-me a atenção esta citação, abaixo transcrita. Quando nela se menciona a profissão jornalismo pode referir-se todas as profissões, pois em todas elas existem sempre os “vaidosos e parvos”, a pressão e o stress.
Gostei dos conselhos que nela estão contidos.



“Existem tantos exibicionistas no jornalismo, tantos vaidosos e parvos. Estão sempre a tentar convencer toda a gente, sempre a tentar parecer melhor do que são. A boa notícia é: jornalistas como esses fazem com que seja mais fácil distinguirmo-nos. Se fores um pouco humilde, eficiente e solícito, podes destacar-te.
(…) É verdade, Jornalismo é um trabalho difícil, toda a gente anda sob muita pressão, toda a gente a trabalhar para a edição sair, ninguém consegue dormir, mas é permitido sorrir de vez em quando.”


Excerto retirado do filme: “Shattered Glass”.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

"O que andamos a ler?"

"O que andamos a ler?", é o titulo dado pela Maria(dona do blogue "Ninhos em Banho-Maria"), ao desafio que lançou aos seus amigos blogueres e seguidores.
Este desafio, como ela mesmo explica no seu blogue, consiste em divulgarmos, nos nossos blogues, as leituras que formos fazendo.
Ora, eu como adoro ler, decidi aderir a este desafio, e além do mais pareceu-me que será interessante e que permitirá a troca de ideias e a divulgação de sugestões de leitura. Como tal, deixo aqui também o repto aos meus seguidores: partilhem também, nos vossos blogues, as leituras que andam a fazer.

Ora, o livro que irei partilhar nesta minha primeira resposta ao desafio não é o que ando a ler, mas foi um que li anteriormente e do qual gostei muito. Intitula-se "Evangelho Segundo Jesus Cristo" e é da autoria daquele que, para mim, é um dos melhores escritores, José Saramago.
Neste livro, o autor conta-nos a vida de Jesus de uma forma moderna, anti-religiosa. É um relato que em nada tem a ver com o que nos é descrito no Evangelho religioso. É um relato que humaniza a vida de Cristo, que o apresenta como um simples ser humano. (“O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo do sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo.”)

Esta é uma das várias passagens que mais me chamaram a atenção:

“Mas foi Pastor [o Diabo] quem falou, Tenho uma proposta a fazer-te, disse, dirigindo-se a Deus, e Deus, surpreendido, Uma proposta, tu, e que proposta vem a ser essa, o tom era irónico, superior, capaz de reduzir ao silêncio qualquer que não fosse o Diabo, conhecido e familiar de longa data. Pastor fez um silêncio, como se procurasse as melhores palavras, e explicou, Ouvi com grande atenção tudo quanto foi dito nesta barca, e embora já tivesse, por minha conta, entrevisto uns clarões e umas sombras no futuro, não cuidei que os clarões fossem de fogueiras e as sombras de tanta gente morta, E isso incomoda-te, Não devia incomodar-me, uma vez que sou o Diabo, e o Diabo sempre alguma coisa aproveita da morte, e mesmo mais do que tu, pois não precisa de demonstração que o inferno sempre será mais povoado do que o céu, Então de que te queixas, Não me queixo, proponho, Propõe lá, mas depressa, que não posso ficar aqui eternamente, Tu sabes, ninguém melhor do que tu o sabe, que o Diabo também tem coração, Sim, mas fazes mau uso dele, Quero hoje fazer bom uso do coração que tenho, aceito e quero que o teu poder se alargue a todos os extremos da terra, sem que tenha de morrer tanta gente, e pois que de tudo aquilo que te desobedece e nega, dizes tu que é fruto do Mal que eu sou e ando a governar no mundo, a minha proposta é que tornes a receber-me no teu céu, perdoado dos males passados pelos que no futuro não terei de cometer, que aceites e guardes a minha obediência, como nos tempos felizes em que fui um dos teus anjos predilectos, Lúcifer me chamavas, o que a luz levava, antes que uma ambição de ser igual a ti me devorasse a alma e me fizesse rebelar contra a tua autoridade, E por que haveria eu de receber-te e perdoar-te, não me dirás, Porque se o fizesses, se usares comigo, agora, daquele mesmo perdão que no futuro prometerás à esquerda e à direita, então acaba-se aqui hoje o Mal, teu filho não precisará de morrer, o teu reino será, não apenas esta terra de hebreus, mas o mundo, o universo, por toda a parte o Bem governará (…), Lá que tens talento para enredar almas e perdê-las, isso sabia eu, mas um discurso assim nunca te tinha ouvido, um talento oratório, uma lábia, não há dúvida, quase me convencias, Não me aceitas, não me perdoas, Não te aceito, não te perdoo, quero-te como és, e, se possível, ainda pior do que és agora, Porquê, Porque este Bem que eu sou não existiria sem esse Mal que tu és, Um Bem que tivesse de existir sem ti seria inconcebível, a um tal ponto que nem eu posso imaginá-lo, enfim, se tu acabas, eu acabo, para que eu seja o Bem, é necessário que continues a ser o Mal, se o Diabo não vive como Diabo, Deus não vive como Deus, a morte de um seria a morte do outro, É a tua ultima palavra, A primeira e a ultima (…). Pastor encolheu os ombros e falou para Jesus, Que não se diga que o Diabo não tentou um dia a Deus (…).”

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Porque é que negámos que viver também custa?"

A vida não é nenhum mar de rosas, nenhum conto de fadas. Longe de ser perfeita, por vezes, prega-nos partidas quando menos esperámos, quando menos convém.
Nunca ninguém está preparado, ou totalmente preparado, para os obstáculos que surgem no seu caminho ou para as situações dolorosas e imprevistas que nos levam a desistir de sonhos, a afastarmo-nos de coisas que gostámos, etc.
Quando surgem esses obstáculos e/ou imprevistos, de uma forma geral, existem três fases até conseguirmos (ou não) ultrapassar essa situação.
A primeira é a fase da negação. Aquela fase em que recusámos aceitar que tenha acontecido qualquer coisa, em que nos esforçámos, ao máximo, por ignorar os acontecimentos que, obrigatoriamente, alterarão a nossa realidade, em que continuámos com as mesmas rotinas, com as mesmas acções, numa tentativa exasperada de nos convencermos que nada aconteceu. A certa altura, não dá mais para continuar a viver esta fase, que mais não seja porque não é saudável e alguém nos chamará a atenção disso. É então que surge a segunda fase. A fase da aceitação, e esta é, talvez, a prova de fogo que nos testa os mais variados sentimentos e na qual podem ser despertados outros que desconhecíamos e que, na sua maioria, preferíamos ignorar para sempre, a sua existência.
Depois da fase da aceitação surge a terceira fase, não mais agradável. A fase da habituação. Esta é a fase na qual aprendemos e nos habituámos a lidar com uma nova realidade, aceite anteriormente. É a fase em que temos que redefinir objectivos e rotinas, sonhos e ambições.
De todas, a fase da negação, apesar de ser a menos saudável, é, de longe, a mais “agradável”. A da aceitação é, por vezes, a mais difícil de atingir, mas a mais custosa é, sem dúvida, a fase da habituação.
Quando nos destroem sonhos e objectivos e somos obrigados a habituarmo-nos a uma nova realidade, esse processo, para além de poder nunca ser concluído, poderá levar-nos a estados que nunca pensámos que existissem.
Coragem, força de vontade, auto-determinação mas, acima de tudo, capacidade de saber dar a volta por cima de cada obstáculo, são os segredos para podermos continuar a (sobre)VIVER.