segunda-feira, 29 de março de 2010

I'm in love again!

Vou escrever isto hoje porque quero poder lê-lo sempre que me recusar a aceitar este sentimento, esta paixão. Vou escrevê-lo na tentativa desesperada de fazer perdurar esta óptima sensação que hoje sinto e que não sei explicar, nem preciso. Preciso apenas de a registar, de a partilhar, de a eternizar…
Nos últimos tempos, mas mais hoje, tenho-me vindo a aperceber de que me estou a voltar a apaixonar pela vida. Pela vida e por todos os ínfimos pormenores maravilhosos que nem todos conseguem e sabem apreciar. Hoje, até a chuva, coisa que detesto compulsivamente, me parece mais apreciável. Quem diz a chuva diz o céu cinzento, que hoje tem um brilho especial, diz as pessoas com quem me cruzei e troquei olhares, diz uma data infinita de coisas que é impossível traduzir com palavras a beleza que contêm.
O dia terminou há já algum tempo e eu sinto um cansaço enorme, mas é um cansaço fácil de suportar, agradável até de se sentir. É o cansaço de um dever cumprido, de um percurso terminado, de uma meta alcançada… É, definitivamente, um cansaço agradável, comparado ao outro que por vezes me atormenta.
Como não me posso reconciliar com a vida se, neste momento, me sinto feliz, preenchida, ainda que não totalmente, com o que ela me tem oferecido? Tenho um afilhado lindíssimo, deram-me, finalmente, asas para poder viver, praticamente em pleno, uma das minhas grandes paixões, tenho a sorte de ter uma certa aptidão e talento para essa paixão, tenho uma família que, longe de ser perfeita, me tem dado mais alegrias do que as anteriores tristeza e desilusões, tenho um irmão que amo incondicionalmente, tenho amigos a quem tanto devo e de quem gosto mesmo muito, na escola, tenho notas razoáveis, enfim…
Como posso não estar apaixonada pela vida? Ela que me ensinou e ensina tantas coisas? Ela que traz até mim os piores e os melhores momentos, as piores e as melhores pessoas do mundo, duas coisas que me ajudam a crescer e a chegar mais perto daquela perfeição que todos ambicionamos.
Como posso não estar novamente apaixonada?
É impossível continuar de costas voltadas e estar, sistematicamente, a recusar-me viver. É só disto que me quero recordar amanhã: que a vida é bela e que só tenho motivos para sorrir.
É definitivo e bem claro: estou completamente apaixonada pela beleza e complexidade da vida.

domingo, 21 de março de 2010

Dia Mundial da Poesia

Bem, cá estou eu a responder ao recrutamento feito pela Sandrinha.
Tal como ela, também eu sou uma admiradora, não tão fanática como ela - mas acho que isso se deve ao facto de ela o conhecer à mais tempo do que eu- do nosso grande poeta F.Pessoa e dos seus heterónimos. O poema que irei publicar é do meu heterónimo preferido, Ricardo Reis, mas não é o poema que mais gosto, até porque eu não consigo escolher um para ser o meu preferido, é só um dos que gosto muito.


Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o o bolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O sofrimento está sempre associado ás grandes paixões!

Sou apologista da ideia de que quando as situações em que estamos envolvidos nos dão mais dores de cabeça, mais desgostos, mais problemas do que alegrias, do que prazer e satisfação, como deveriam dar, devemos acabar por desistir delas. Não digo desistir à primeira dificuldade, face ao primeiro obstáculo. Falo sim de situações em que todos e quaisquer esforços que façamos não produzem qualquer tipo de boa sensação, qualquer tipo de compensação. Falo de situações que nos fazem tão mal que acabamos por cair num enorme buraco onde só temos, por companheiros, o cansaço e a frustração.
É claro que esta pode não ser uma boa filosofia de vida. É apenas a minha filosofia, uma das minhas filosofias, e, sinceramente, não a aconselho a ninguém porque, por vezes, e tenho bem consciência disso, desistir é uma opção que não devia nunca ser considerada. Lutar por aquilo em que acreditamos, por aquilo que gostamos, é sempre a melhor solução. Desistir deve ser a última, das últimas hipóteses a considerar. Aliás, o ideal seria que nem fosse considerada, que não fosse nunca encarada como solução.
Tenho consciência disso, mas, mesmo que tente desfazer-me desta minha filosofia, acho que nasci para a ter como conselheira para o resto da vida. E o problema é que me guio por ela na maioria das situações da minha vida, acabando por abdicar de objectivos que, se me dispusesse a lutar um pouco mais, conseguiria atingir.
Tenho uma paixão que, ultimamente, me tem deixado de rastos, que me tem feito um mal enorme. Tudo o que me proporciona são momentos de puro stress, de agonia, dores de cabeça, insónias, cansaço, sobretudo cansaço e frustração! Quer dizer, acho que é mais do que uma paixão, é um vicio uma necessidade vital, uma… uma… uma coisa que está a dar cabo das minhas forças, das minhas energias todas! O mais engraçado desta situação é que já pensei em desistir, já tentei desistir, mas não consigo! Desta minha paixão tenho a certeza que nunca conseguirei desistir, consigo desistir de milhentas coisas, acho que de tudo até, mas disto, deste vicio?
Meu deus tem doído, tem doído tanto, têm-me feito tanto mal!
Gostava de conseguir desistir desta paixão que me está a matar aos poucos!

Página de um (o meu) diário.

As vantagens de se escrever um diário são muitas, uma delas é encontrar, nos textos que nele escrevemos, as situações que nos vão transformando naquilo que hoje somos e de nos permitir perceber como éramos e como pensávamos na altura em escrevemos os textos. Isto sem falar que também nos proporciona momentos de extremas gargalhadas aos constatarmos os erros ortográficos e de pontuação que dávamos. (Hoje, ao olhar para os meus textos da altura, já dou razão ao meu prof. de Português do 9ºano que dizia que eu não sabia escrever. )
Estive a ler uns registos que mantinha no meu 9º ano e posso dizer que as questões aqui colocadas, neste texto, são as mesmas com que ainda me confronto muitas vezes. É estranho pensar que já na altura sofria desta forma.
É bom recordar!

Dia 6 de Março, quinta-feira de 2008.

É incrível como de um momento para o outro a nossa vida pode dar uma volta de 180 graus… não estou a falar de uns dias, mas sim de tudo o que pode acontecer num mesmo dia… é horrível, de um momento para o outro, uma pessoa, uma situação, um problema consegue tirar-nos toda a alegria, toda a boa disposição… consegue arrancar-nos o sorriso da face e pôr-nos uma lágrima… como é que há pessoas, situações ou outras coisas com este poder??! Não conseguimos responder porque simplesmente não há resposta, acontece sem que possamos interferir, julgar ou modificar alguma coisa!...
Porque é que as pessoas se magoam umas às outras? Porque não somos justos e honestos para com os outros? Eu sei que o ser humano não é dotado de perfeição mas se calhar podia tentar alcançá-la não? Acho que o mundo era um sítio bem melhor se todos procurássemos alcançar um pouco a perfeição que nos falta…
Como é possível que até as pessoas de quem quase não gostamos, aquelas a quem apenas chamamos colegas também nos consigam magoar? Isto não devia ser possível…
A minha capacidade de controlar as minhas emoções começa a assustar-me… sou capaz de estar a chorar e passado 5 min já estou normal… sou capaz de stressar com alguma coisa mas passado 5 min já quase não me lembro disso… isto assusta-me, tenho medo do que me posso vir a tornar… tenho notado que com o passar dos tempos tenho-me tornado numa pessoa mais fria, pouco dada a emoções… tenho medo, medo de deixar de sentir, de deixar de gostar… tenho medo!!! =/

terça-feira, 16 de março de 2010

Prenda :)




Recebi um email da Sandrinha com este bonito selo de aprovação. Como ela me pediu, cá está ele publicado!

Muito Obrigado :)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência ! (5)

No outro dia, num dos ensaios do meu grupo de teatro, a Sandra, a nossa encenadora - dona do blogue "Ai rapariga", que consta na minha lista de blogues, aqui ao lado - falou-nos dos poemas de um senhor chamado João Negreiros e, pelos elogios que lhes teceu, fiquei curiosíssima para dar uma espreitadela no blogue do tal poeta. Bem, hoje lá me lembrei de ir bisbilhotar o blogue e comecei pelos post mais antigos e posso dizer-vos que foi "amor à primeira vista" :). O primeiro texto que li deixou-me completamente rendida a tamanho talento e, como tal, não podia deixar de o mostrar aqui no meu blogue. Não pedi autorização mas vou já fazê-lo, se o Sr. João não se importar continuará aqui, se ele se importar, fica, pelo menos o link do seu blogue - http://joaonegreiros.blogspot.com - que vale bem a pena visitar. Devo avisar-vos que os poemas são grandinhos :) mas também vos asseguro que os minutos que lhes dispensarem não vos farão perder nada, muito pelo contrário, ganharão, e muito!

"tu messias mais"


"se ninguém te quiser ouvir grita
escala um arranha-céus e diz tudo
até que as entranhas se esvaiam em acordeões
até que sejas impossível de ignorar
e se te baterem bate a mais portas
e se te baterem mais usa a testa como aríete e entra-lhes nos pensamentos
tu sabes que tens razão
tu tens sempre razão
tu vais salvar toda a gente de si própria
tu sabes o segredo que lhes vai mudar as vidas
tu és o sopro que lhes falta quando assobiam
o som da trombeta
o guizo do chapéu
o rasgo do papel
o mago da magia
o marco do correio
o pico do cume
a água do dromedário
tu vieste para ajudar
tu só queres ajudar
então porque não te deixam?
porque não te sopram carinho ao ouvido e te chamam nomes feios que tu sabes não serem da tua família nem da afastada
a sociedade também foi feita para ti
um bocadinho foi
um buraquinho foi
porque não te deixam entrar lá?
porque não te deixam estar lá?
querem-te à chuva e ao frio
sem amigos
sem calor
sem pão
sem sal
não te dão nem um naco da tua própria carne
nem a luz do teu quarto
nem o silêncio da tua mente
e tu aceitas?
e tu ficas-te?
e tu não protestas?
seu banana
seu falhado
seu funcionário sem sindicato
sua mulherzinha que nunca votou
sua criancinha que limpa o prato
seu homossexual não assumido
seu cão sem pulgas
seu cabrão sem cornos
seu tronco sem pau
seu pau mandado
seu arado sem terra
seu dinossauro radioactivo sem cidade japonesa
seu lamparina sem petróleo que foi inundar uma gaivota
seu cabeça sem capacho
seu diamante
seu bruto
seu papa-açorda
seu caramelo
seu lambe-cus
seu
seu
seu
seu és tu
seu és tu ouviste
seu é contigo
seu é para ti acorda
já é noite
já foi dia
amanhã vai ser tudo isso outra vez e tu estás ao relento
não tens onde ficar
não tens lugar na terra e ninguém to vai dar se não esgravatares
procura
pede
come
ataca
implora
arrasta-te
resvala
escorrega
assusta-os
ignora-os
tu sabes que tens razão
e a tua razão é respirar
se respiras tens direito à vida
se tens direito à vida tens direito a chorar
se tens direito a chorar tens direito a voz
se tens direito a voz tens direito a que te ouçam
se tens direito a que te ouçam tens direito a dizer algo que lhes mude as vidas
se tens direito a dizer algo a que lhes mude as vidas tens direito a mudar também a tua
não peças respeito
nasce respeitado
não implores por dignidade
apregoa a dignificação do Homem
não mendigues comida
acaba com a fome
não protejas os teus filhos
protege todos os filhos
não procures uma religião
faz o que um Deus bom faria
não ouças tudo o que te dizem
ouve todos os que falam
tens direito ao teu canto
e o teu canto é o de mudar tudo
tu podes mudar tudo
tu deves mudar tudo
tu sabes mudar tudo
repara nas pessoas e muda-as para melhor se elas quiserem
aproveita para ires melhorando também
dá-te como se fosses de borla
não peças nada em troca mas dá com um sorriso mais rasgado a quem te der um beijo no fim
não tenhas medo que te interpretem mal
aliás não tenhas medo que te interpretem
aliás não tenhas medo
guarda o melhor para os outros e o pior para ti
mas não sejas cruel contigo que és o único que tens
tens que ter noção do teu papel
e o teu papel é duro como se embrulhasse pregos ou cacos que não queremos nas mãos do senhor da recolha nem nos dentes do gato vadio
o que tu vais fazer agora porque é o único tempo que te pertence é mudar
mudar até que nada fica igual
até que esteja mesmo do agrado de todos
mas se por acaso no meio do teu percurso de conflito e mudança
no meio da tua jornada de luta pelo bem encontrares algo de profundamente belo
não lhe mexas
não lhe toques
pega numa cadeira de praia monta-a e senta-te calmamente a apreciar"

Autor: João Negreiros.