sábado, 23 de maio de 2009

Consequências da vida...!

Esta é só mais uma noite em que posso contar todos os tic-tac’s que o relógio produz até que um nico de sono que seja se digne a aparecer…
Este tempo é sempre preenchido por pensamentos que, infelizmente, não têm sido os melhores…
Ultimamente uso esse tempo para fazer uma auto-caracterização. E, de cada vez que faço esta espécie de introspectiva, tenho encontrado um espaço vazio que a cada nova sessão me parece maior e mais fundo…
Uma parte de mim desapareceu…
Não sei onde a perdi. Não sei se fui eu que a perdi ou se foi ela que simplesmente me abandonou…
Sei que tenho saudades dela…
Sei que sinto a falta dessa parte que tanto me completava quando mais precisava…
Sei que era uma parte vital. Era ela que suportava as desgraças, as desventuras e os devaneios, os dissabores que a vida vai trazendo…
Sinto falta de ser a Carina a 100%...
Com o desaparecimento dessa parte de mim, estou mais fraca, física e psicologicamente. Estou mais débil, sou mais medrosa…
Deve ser por isso que ultimamente sou a Babi…
Estava agora a tentar lembrar-me de como era a Carina. Ui, que rapariga… Resmungava por tudo e por nada, respondia muito mal às pessoas, andava constantemente mal disposta, com cara de quem queria bater em alguém e tinha, repetidamente, ataques de fúria nervosa que descarregava em cima do primeiro que lhe aparecesse à frente… Era uma rapariga muito difícil… Era-o sim, mas também era muito corajosa… Era uma lutadora, tinha uma força incrível, era uma guerreira, mas era, sobretudo, uma vitoriosa!
Eu gostava da Carina, tentei apenas aperfeiçoar as partes menos boas…
Hoje não sei o que se passou… Demasiados aperfeiçoamentos? Excessos de tentativas?
Já não sou a Carina. Pior, a parte de mim que perdi e que, por isso, já não sou digna de me chamar Carina, foi a parte boa, porque a parte má ainda hoje é característica da Babi. Uma parte que está menos má, que já se consegue controlar melhor, é certo, mas que lá está.
Prefiro esta parte má da Babi. Gostava era de encontrar a parte boa que perdi. Não me importava de ficar a ser definitivamente a Babi se encontrasse a parte que me falta.
Se calhar não posso ter as duas partes e tenho que optar por uma das duas. Ser a Babi com uma parte má mais calma, mais controlada e ser uma fraca, uma desistente, ou optar por ser a Carina, com um feitio terrível mas com um a força e coragem que a fazem sentir imbatível...
Já que não as consigo juntar, era bom que, pelo menos, pudesse ter assim uma espécie de super fatos que fizessem de mim a Babi ou a Carina conforme os diferentes dias mas, enfim…
Como a Babi que sou, acabo por desistir de procurar e de juntar as duas partes numa só personalidade e, quem sabe, passar a ser a Faustina, por exemplo, e limito-me a adormecer porque o sono acabou de me bater à porta…
E agora tenho uma vozinha a sussurrar-me ao ouvido: “ Sempre a mesma atitude medricas, a constante desconfiança em relação a tudo o que é desconhecido, sempre a mesma desistente…”

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