quinta-feira, 16 de abril de 2009

Reflexões !

Este é um texto cujo o tema é mais um daqueles sobre os quais tenho mil ideias a fervilhar sempre na minha cabeça mas quando vou para tentar escrevê-las não as consigo exprimir pois nunca encontro uma forma fácil de o fazer e então acabo por desistir. Desta vez não desisti, até porque este é um tema sobre o qual tenho pensado muito ultimamente, e o resultado é este que podem ver a seguir. Acho que está mais ou menos bem conseguido e é muito provável que venha a sofrer alterações visto que houve duas ou três ideias que não desenvolvi e talvez venha a desenvolver!


O meu pai é aquilo a que se chama um católico praticante e como tal, cumpre religiosamente o seu dever de nos levar, a mim e ao meu irmão, à missa pelo menos uma vez por semana.
Durante anos acreditei nessa religião em que milhões de pessoas acreditam tão cegamente mas, neste momento, não tenho bem a certeza daquilo em que acredito, sei apenas que deixei de acreditar no Deus que nos é apresentado na Bíblia, sei apenas que deixei de ter fé.
O desenvolvimento intelectual que comecei a notar no início de 2007 e a capacidade crítica que ia aumentando à medida que ia adquirindo mais conhecimentos e ia aperfeiçoando as capacidades de argumentação e raciocínio, fizeram com que começasse a duvidar e a questionar os ensinamentos até então aprendidos em muitos anos de catequese. Questões como: Que espécie de deus é aquele que nos obriga a prestar-lhe culto, pelo menos, uma vez por semana? (coisa que, neste momento, faço com grande contradição e que se tornou num suplicio); que deus é aquele que nos ameaça que, se não se fizer a sua vontade, nos castigará?, começaram a dissolver a minha crença pois, ou não obtinha respostas ou simplesmente as respostas que me davam não chegavam para acalmar as minhas desconfianças, por assim dizer, já que eram respostas que se sustentavam e só serviam para quem tinha fé.
No ano passado, em Julho, quando fiz a Crisma (sacramento com o qual encerramos dez anos de catequese), já me encontrava com estas dúvidas e incertezas e a minha crença naquele deus que era obrigada a venerar já caminhava, a passos largos, para a extinção. Por altura em que nos preparávamos para receber esse tal sacramento, os catequistas disseram-nos uma coisa à qual eu tomei a maior atenção e da qual fiz o mais pormenorizado registo pois sabia que me ia ser útil: disseram-nos que este sacramento nos conferia a maturidade suficiente para já podermos ser responsabilizados pelas nossas acções e escolhas.
Uns meses depois, com esse argumento fornecido pelos catequistas e já com a crença que me restava dissipada, decidi começar a exprimir abertamente ao meu pai a minha desistência e a minha descrença. Começaram, então, as discussões em que todos os meus argumentos visam livrar-me desse castigo de ter que assistir, semanalmente, a uma cerimónia em que não acredito em metade das coisas que lá se realizam e muito menos ouço alguma coisa do que o padre tem para dizer, já que, normalmente, aproveito esse tempo para fazer os planos para a semana que se inicia, para rever e organizar tarefas, enfim…
Em cima mencionei o facto de as minhas dúvidas terem começado a aparecer quando comecei a notar um grande desenvolvimento do meu intelectual e da minha capacidade crítica, o que me leva a concluir, e é mais um dos muitos argumentos que exponho ao meu pai quando ele me pergunta porque é que não acredito na existência de deus, que quem acredita cegamente e não questiona os ensinamentos religiosos, são as pessoas que não são “inteligentes” o suficiente para porem em causa aquilo que lhes é ensinado, que não tem a capacidade de, neste caso, raciocinarem por elas próprias porque acreditam naquilo que lhes ensinaram e pronto, contentam-se com o facto de serem conhecimentos antigos e acham que se é antigo e ainda existe é porque é verdadeiro.
Um dos argumentos que usam os que também não acreditam na existência de deus, é que a religião católica foi inventada pelos Homens, porque o povo precisava de alguém a quem pudesse recorrer, pedir auxilio. Tenho de confessar que, durante o tempo em que fui crente, encontrava-me, muitas vezes, antes de ir para a cama, a rezar a deus, a pedir-lhe ajuda e força quando tinha algum problema ou então, e muito comum também, foram as diversas vezes em que lhe pedia que o teste do dia seguinte me corresse bem. Sentia-me bem ao saber que tinha sempre ali aquele suporte, com quem sempre podia contar, em quem sempre ia procurar refúgio quando, muitas vezes, ficava pela madrugada dentro a chorar e a falar sozinha porque acreditava que naquele momento ele me estava a ouvir. Confesso que nesses tempos vivia mais feliz do que agora em que, muitas vezes, me falta o tal apoio que eu achava nele.
Cada vez mais, estou a ser dominada por uma necessidade de conhecimento que me começa a corroer o espírito. Acho que, tal como Descartes, o meu método para chegar ao conhecimento é a dúvida. Dou por mim a por em causa tudo o que já conhecia e tudo o que conheço de novo. Começo por duvidar e só aceito determinada teoria/conhecimento quando arranjar, eu própria, provas ou argumentos que justifiquem tais teorias/conhecimentos. Foi assim que tudo começou em relação à religião: comecei por pôr em causa, não encontrei argumentos fortes e credíveis, no meu ponto de vista, que a justificassem e acabei então por considerá-la falsa, deixando de acreditar e, como tal, recusando-me a praticá-la.
Não vou mentir, era mais feliz quando não tinha estas necessidades, quando vivia na inocência, na ignorância. Duvidar de quase tudo, não obter resposta para muitas das questões, principalmente para as mais essências, alimenta-nos um sentimento de frustração que vai crescendo à medida que o tempo passa e as necessidades de conhecimento se intensificam. Viver sempre insatisfeito, sempre à procura de alguma coisa que justifique determinados factos é um fardo muito pesado para se carregar, traz até infelicidade.

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