sexta-feira, 10 de abril de 2009

Reconhecimentos !

Neste momento odeio-me!
Nos momentos em que a raiva me assalta e o ódio me corre nas veias sou capaz de fazer as piores coisas, sou capaz de desejar, para os que me provocam tamanho sofrimento, as piores sortes, sou capaz de cometer atrocidades, desumanidades, loucuras... no entanto, durante esses momentos, não faço nada. Limito-me a chorar e a ouvir a minha consciência dizer para não fazer nada do que aqueles maus sentimentos sugerem. Ouço-a dizer que não devo fazer aos outros aquilo que não gosto que me façam a mim. diz-me ainda, que se alimentar esses ódios e essas raivas, esses maus pensamentos e desejos me tornarei numa pessoa má, repugnante, revoltada…
Não tenho vergonha do ódio que me percorre o corpo quando sou espicaçada por alguém. Não tenho vergonha dos pensamentos que me ocorrem quando estou dominada por tão maus sentimentos. Não me odeio por causa disso, considero que é uma reacção “normal”. Odeio-me sim por não conseguir manter essa raiva e esse ódio vivos, por não conseguir manter sempre acesos os desejos de vingança, por ouvir a minha consciência e por tudo terminar depois de uns bons minutos de choro. Por terminar ali simplesmente sem a mínima luta, a mínima resistência… odeio-me por desistir!
Sou magoada constantemente pelas pessoas das quais era normal esperar protecção. Sou usada e manipulada por aqueles que amo cegamente e por isso fazem de mim o que querem… Em relação a estes, faço juras de que nunca mais os voltarei a perdoar, de que nunca mais confiarei neles, de que nunca mais permitirei que a amor cego me leve a ser novamente usada… desejava ser forte o suficiente para conseguir manter estas promessas. Não me odeio por tentar coisas destas pois acho que tenho o direito de querer tentar já que ninguém merece ser usado e maltratado. Odeio-me sim quando acabo por quebrar todas essas promessas que me levam a cair sempre nos mesmos erros e a sofrer sempre pelos mesmos motivos… odeio-me por ser demasiado fraca!
Em determinados momentos, espero das pessoas que me rodeiam, coisas/atitudes que não me podem dar. Que não me dão, não porque não querem mas porque simplesmente não adivinham qual o gesto, a palavra, a atitude certa de que estou à espera. Odeio-me por ser tão insatisfeita, por ser tão exigente!
Faço muitas vezes asneiras que prejudicam pessoas que amo. Digo muitas vezes, às pessoas de quem mais gosto, coisas que não se dizem a ninguém. Tenho, muitas vezes, atitudes irreflectidas que magoam as pessoas que para mim são importantes…
Sou uma parva que acredita que as pessoas são todas um poço de bondade…
Sou demasiado calculista para gozar em pleno os momentos de felicidade…
Sou uma pessoa imperfeita… odeio todas estas minhas facetas!
Odeio-me…
Neste momento, odeio-me!

2 comentários:

Anônimo disse...

Há sentimentos que nos fazem mal. Empurram-nos para baixo. O ódio é uma delas.
Não te odeies por não conseguires fazer mal a quem te faz mal. Tu és melhor que isso, e sabes que é verdade.

Carina Costa disse...

sim, eu sei que sou e sei que é a melhor atitude que posso ter... é a atitude certa que me distingue deles e faz de mim melhor pessoa que eles, eu sei disso...
mas há momentos em que desejo mesmo fazer-lhes tão mal como me fazem...
mas enfim... cenas da vida!

bigado pelo comente e pela força :)