terça-feira, 28 de abril de 2009

A caminhada dolorosa sem compensação à vista!

A escuridão deixada pela última tempestade começava já a dissipar-se. Havia até dias em que o sol, timidamente, lá ia brilhando uma ou outra vez…
Tudo começou a melhorar quando cheguei à conclusão de que aquela escuridão não era boa para que se pudesse ter um crescimento saudável e, foi então que, decidi mudar de rumo, tentar afastar de mim todas aquelas más sensações que me estavam a matar aos poucos…
Os meus planos, no entanto, fracassaram como sempre tem acontecido…
Hoje, desfizeram-me o mundo sorridente para onde estava a tentar caminhar, esmagaram-me o sol na cara e cobriram-me o espírito de inseguranças, de anseios que percepcionam a chegada de uma nova e grande tempestade que trará, inevitavelmente, aquela maldita escuridão de volta…
Tenho receio… Não quero voltar ao mesmo. Não quero voltar a sentir-me daquela forma. É tão doloroso.
Se voltar a acontecer…
Não sei quantas mais vezes serei capaz de recomeçar, nem sequer sei se tenho forças para isso, para voltar a tentar…
Sempre que tento, e normalmente, quando estou quase a conseguir recuperar, aparece alguma coisa que faz com que tudo comece de novo. Voltam as más sensações, os maus pensamentos, as noites de choro, os momentos de desespero…
Pergunto-me, muitas vezes, se vale a pena lutar?
Começo a ficar cansada de tantas batalhas… Estou a começar a ficar com grandes cicatrizes que não estou a conseguir sarar… O meu corpo, física e psicologicamente, começa a ressentir-se de tantas tentativas…
Se calhar há coisas na vida que estão destinadas a fracassar e que não adianta tentar remediar…

sábado, 25 de abril de 2009

Seres exemplares …

Não são perfeitos. São especiais, são diferentes, são admiráveis…
A ela conheço-a há quase dois anos e cada vez mais se tem revelado um exemplo para mim…
Se me perguntarem qual é a palavra que melhor justifica essa admiração responderei que é a palavra FORÇA. Em dezasseis anos de existência ela é, e arrisco mesmo a dizer, a pessoa mais forte com quem já convivi de perto… A título mesmo só de exemplo, recordo-me de um episódio em que ela contou, resumidamente, a história dos seus primeiros anos de vida. Uma história que está marcada por momentos menos bons, por diversas atrocidades, dificuldades, obstáculos que, criança alguma deveria ser obrigada a suportar. A ouvi-la estavam vinte e tal pessoas que ela mal conhecia. Não é qualquer um que tem essa coragem. Expor a nossa vida pessoal, ainda por cima uma historia como a dela, a pessoas desconhecidas é uma coisa que muitas pessoas não conseguiriam fazer e, no entanto, ela conseguiu. Esteve, talvez, uns vinte minutos a contar a sua infância, infelizmente muito diferente das nossas, e, não me recordo muito bem, mas pelo menos, pôs um dos presentes a chorar, ela, no entanto, aguentou firme até ao fim, sem derramar uma única lágrima, não fraquejou um único segundo… Conseguiu, eu não conseguia e é essa a força que tanto admiro…
Depois de saber alguns pormenores da vida desta rapariga sou incapaz de olhar para a minha da mesma forma porque, afinal há gente que sofre muito mais… Ao olhar para a garra que ela tem, para a força que lhe permite manter sempre o sorriso, para a determinação que não a deixa ir-se abaixo nem desviar-se dos seus objectivos, só sou capaz de ver nela um exemplo a seguir, a tentar imitar…
Ainda há quem diga que eu sou forte. Eu, que me deixo ir abaixo tantas vezes. Eu, que permito que os obstáculos da vida me roubem o sorriso. Eu, que deixo que os desgostos me prendam na escuridão… Não te conhecem miúda.
És simplesmente o reflexo vivo da FORÇA!
Desejo, sinceramente, que sejas muito feliz…
Ele, a outra pessoa que neste momento tanto admiro e de quem muito gosto. A ele conheço-o há mais tempo, considero-o um exemplo por razões diferentes…
Quais razões?
Sobretudo, talvez, pelo facto de ser uma pessoa fantástica e por considerar que pertence a uma “raça” de seres humanos em vias de extinção que fazem jus aos nomes que os classificam na perfeição: ÚNICOS e ESPECIAIS.
Não sou capaz de enumerar todos os motivos que justificam essa admiração. É complicado encontrar as palavras certas para descrever este sentimento que não se centra numa só qualidade mas sim, numa maneira de ser, de pensar, de agir/reagir que tornam essa admiração tão complexa e inexplicável. É uma coisa que se sente, não se explica, ou então muito dificilmente…
Ele tem sido uma pessoa muito importante na minha vida e tem uma grande responsabilidade por aquilo em que me tenho vindo a tornar. Se há pessoas que têm o direito de se orgulharem daquilo que sou e/ou virei a ser, ele tem, seguramente, esse direito…
Basta dizer que é um Amigo!
Aos dois agradeço imenso…
A ela que, com o exemplo da sua força, me inspira a procurar também as forças que eu própria desconheço, que me ensina que a tristeza se assusta e desaparece se a encararmos com um maravilhoso sorriso, que me mostra que a determinação e esperança são a melhor forma de conseguir contornar os obstáculos e atingirmos os nossos objectivos…
A ele agradeço, sobretudo, as muitas horas de paciência gastas comigo, as muitas dicas para aperfeiçoar um feitio bastante difícil, todas as palavras do género: “não devias fazer isto”, “não devias falar dessa forma para as pessoas”, “podes até ter razão mas perdes-la toda só pela forma como te expressas”, enfim…
Obrigado, por tudo!!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Reflexões !

Este é um texto cujo o tema é mais um daqueles sobre os quais tenho mil ideias a fervilhar sempre na minha cabeça mas quando vou para tentar escrevê-las não as consigo exprimir pois nunca encontro uma forma fácil de o fazer e então acabo por desistir. Desta vez não desisti, até porque este é um tema sobre o qual tenho pensado muito ultimamente, e o resultado é este que podem ver a seguir. Acho que está mais ou menos bem conseguido e é muito provável que venha a sofrer alterações visto que houve duas ou três ideias que não desenvolvi e talvez venha a desenvolver!


O meu pai é aquilo a que se chama um católico praticante e como tal, cumpre religiosamente o seu dever de nos levar, a mim e ao meu irmão, à missa pelo menos uma vez por semana.
Durante anos acreditei nessa religião em que milhões de pessoas acreditam tão cegamente mas, neste momento, não tenho bem a certeza daquilo em que acredito, sei apenas que deixei de acreditar no Deus que nos é apresentado na Bíblia, sei apenas que deixei de ter fé.
O desenvolvimento intelectual que comecei a notar no início de 2007 e a capacidade crítica que ia aumentando à medida que ia adquirindo mais conhecimentos e ia aperfeiçoando as capacidades de argumentação e raciocínio, fizeram com que começasse a duvidar e a questionar os ensinamentos até então aprendidos em muitos anos de catequese. Questões como: Que espécie de deus é aquele que nos obriga a prestar-lhe culto, pelo menos, uma vez por semana? (coisa que, neste momento, faço com grande contradição e que se tornou num suplicio); que deus é aquele que nos ameaça que, se não se fizer a sua vontade, nos castigará?, começaram a dissolver a minha crença pois, ou não obtinha respostas ou simplesmente as respostas que me davam não chegavam para acalmar as minhas desconfianças, por assim dizer, já que eram respostas que se sustentavam e só serviam para quem tinha fé.
No ano passado, em Julho, quando fiz a Crisma (sacramento com o qual encerramos dez anos de catequese), já me encontrava com estas dúvidas e incertezas e a minha crença naquele deus que era obrigada a venerar já caminhava, a passos largos, para a extinção. Por altura em que nos preparávamos para receber esse tal sacramento, os catequistas disseram-nos uma coisa à qual eu tomei a maior atenção e da qual fiz o mais pormenorizado registo pois sabia que me ia ser útil: disseram-nos que este sacramento nos conferia a maturidade suficiente para já podermos ser responsabilizados pelas nossas acções e escolhas.
Uns meses depois, com esse argumento fornecido pelos catequistas e já com a crença que me restava dissipada, decidi começar a exprimir abertamente ao meu pai a minha desistência e a minha descrença. Começaram, então, as discussões em que todos os meus argumentos visam livrar-me desse castigo de ter que assistir, semanalmente, a uma cerimónia em que não acredito em metade das coisas que lá se realizam e muito menos ouço alguma coisa do que o padre tem para dizer, já que, normalmente, aproveito esse tempo para fazer os planos para a semana que se inicia, para rever e organizar tarefas, enfim…
Em cima mencionei o facto de as minhas dúvidas terem começado a aparecer quando comecei a notar um grande desenvolvimento do meu intelectual e da minha capacidade crítica, o que me leva a concluir, e é mais um dos muitos argumentos que exponho ao meu pai quando ele me pergunta porque é que não acredito na existência de deus, que quem acredita cegamente e não questiona os ensinamentos religiosos, são as pessoas que não são “inteligentes” o suficiente para porem em causa aquilo que lhes é ensinado, que não tem a capacidade de, neste caso, raciocinarem por elas próprias porque acreditam naquilo que lhes ensinaram e pronto, contentam-se com o facto de serem conhecimentos antigos e acham que se é antigo e ainda existe é porque é verdadeiro.
Um dos argumentos que usam os que também não acreditam na existência de deus, é que a religião católica foi inventada pelos Homens, porque o povo precisava de alguém a quem pudesse recorrer, pedir auxilio. Tenho de confessar que, durante o tempo em que fui crente, encontrava-me, muitas vezes, antes de ir para a cama, a rezar a deus, a pedir-lhe ajuda e força quando tinha algum problema ou então, e muito comum também, foram as diversas vezes em que lhe pedia que o teste do dia seguinte me corresse bem. Sentia-me bem ao saber que tinha sempre ali aquele suporte, com quem sempre podia contar, em quem sempre ia procurar refúgio quando, muitas vezes, ficava pela madrugada dentro a chorar e a falar sozinha porque acreditava que naquele momento ele me estava a ouvir. Confesso que nesses tempos vivia mais feliz do que agora em que, muitas vezes, me falta o tal apoio que eu achava nele.
Cada vez mais, estou a ser dominada por uma necessidade de conhecimento que me começa a corroer o espírito. Acho que, tal como Descartes, o meu método para chegar ao conhecimento é a dúvida. Dou por mim a por em causa tudo o que já conhecia e tudo o que conheço de novo. Começo por duvidar e só aceito determinada teoria/conhecimento quando arranjar, eu própria, provas ou argumentos que justifiquem tais teorias/conhecimentos. Foi assim que tudo começou em relação à religião: comecei por pôr em causa, não encontrei argumentos fortes e credíveis, no meu ponto de vista, que a justificassem e acabei então por considerá-la falsa, deixando de acreditar e, como tal, recusando-me a praticá-la.
Não vou mentir, era mais feliz quando não tinha estas necessidades, quando vivia na inocência, na ignorância. Duvidar de quase tudo, não obter resposta para muitas das questões, principalmente para as mais essências, alimenta-nos um sentimento de frustração que vai crescendo à medida que o tempo passa e as necessidades de conhecimento se intensificam. Viver sempre insatisfeito, sempre à procura de alguma coisa que justifique determinados factos é um fardo muito pesado para se carregar, traz até infelicidade.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

" O Perigo nas Relações Humanas "

Encontrei, num dos blogues que acompanho e leio com grande assiduidade, "O CITADOR", este post que decidi também postá-lo no meu blogue porque concordo plenamente com o que é dito no texto e é já um dos muitos temas sobre os quais pensei em escrever mas nunca encontrava as palavras certas para exprimir o que o autor conseguiu fazer tão bem. Deixo-vos com o excerto, tirem as vossas próprias conclusões.

"Nas relações humanas o perigo é coisa de todos os dias. Deves precaver-te bem contra este perigo, deves estar sempre de olhos bem abertos: não há nenhum outro tão frequente, tão constante, tão enganador! A tempestade ameaça antes de rebentar, os edifícios estalam antes de cair por terra, o fumo anuncia o incêndio próximo: o mal causado pelo homem é súbito e disfarça-se com tanto mais cuidado quanto mais próximo está. Fazes mal em confiar na aparência das pessoas que se te dirigem: têm rosto humano, mas instintos de feras. Só que nestas apenas o ataque directo é perigoso; se nos passam adiante não voltam atrás à nossa procura. Aliás, somente a necessidade as instiga a fazer mal; a fome ou o medo é que as forçam a lutar. O homem, esse, destrói o seu semelhante por prazer. Tu, contudo, pensando embora nos perigos que te podem vir do homem, pensa também nos teus deveres enquanto homem. Evita, por um lado, que te façam mal, evita, por outro, que faças tu mal a alguém. Alegra-te com a satisfação dos outros, comove-te com os seus dissabores, nunca te esqueças dos serviços que deves prestar, nem dos perigos a evitar. Que ganharás tu vivendo segundo esta norma? Se não evitas que te façam mal, pelo menos consegues que te não tomem por tolo. Acima de tudo, porém, refugia-te na filosofia: ela te protegerá no seu seio, neste templo sagrado viverás seguro ou, pelo menos, mais seguro. Não dão encontrões uns nos outros senão os que caminham pela mesma estrada. Não deverás, todavia, fazer alarde da tua filosofia; muitos dos seus adeptos viram-se em situações perigosas por a praticarem com excessiva altivez e obstinação. Usa-a tu para te livrares dos teus vícios, não para exprobares os dos outros. Que ela te não leve a viver ao invés de todos os demais, nem a parecer condenar tudo aquilo que não praticas. É possível ser sábio sem jactância e sem provocar hostilidades. "

Autor: Séneca, in 'Cartas a Lucílio'

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Reconhecimentos !

Neste momento odeio-me!
Nos momentos em que a raiva me assalta e o ódio me corre nas veias sou capaz de fazer as piores coisas, sou capaz de desejar, para os que me provocam tamanho sofrimento, as piores sortes, sou capaz de cometer atrocidades, desumanidades, loucuras... no entanto, durante esses momentos, não faço nada. Limito-me a chorar e a ouvir a minha consciência dizer para não fazer nada do que aqueles maus sentimentos sugerem. Ouço-a dizer que não devo fazer aos outros aquilo que não gosto que me façam a mim. diz-me ainda, que se alimentar esses ódios e essas raivas, esses maus pensamentos e desejos me tornarei numa pessoa má, repugnante, revoltada…
Não tenho vergonha do ódio que me percorre o corpo quando sou espicaçada por alguém. Não tenho vergonha dos pensamentos que me ocorrem quando estou dominada por tão maus sentimentos. Não me odeio por causa disso, considero que é uma reacção “normal”. Odeio-me sim por não conseguir manter essa raiva e esse ódio vivos, por não conseguir manter sempre acesos os desejos de vingança, por ouvir a minha consciência e por tudo terminar depois de uns bons minutos de choro. Por terminar ali simplesmente sem a mínima luta, a mínima resistência… odeio-me por desistir!
Sou magoada constantemente pelas pessoas das quais era normal esperar protecção. Sou usada e manipulada por aqueles que amo cegamente e por isso fazem de mim o que querem… Em relação a estes, faço juras de que nunca mais os voltarei a perdoar, de que nunca mais confiarei neles, de que nunca mais permitirei que a amor cego me leve a ser novamente usada… desejava ser forte o suficiente para conseguir manter estas promessas. Não me odeio por tentar coisas destas pois acho que tenho o direito de querer tentar já que ninguém merece ser usado e maltratado. Odeio-me sim quando acabo por quebrar todas essas promessas que me levam a cair sempre nos mesmos erros e a sofrer sempre pelos mesmos motivos… odeio-me por ser demasiado fraca!
Em determinados momentos, espero das pessoas que me rodeiam, coisas/atitudes que não me podem dar. Que não me dão, não porque não querem mas porque simplesmente não adivinham qual o gesto, a palavra, a atitude certa de que estou à espera. Odeio-me por ser tão insatisfeita, por ser tão exigente!
Faço muitas vezes asneiras que prejudicam pessoas que amo. Digo muitas vezes, às pessoas de quem mais gosto, coisas que não se dizem a ninguém. Tenho, muitas vezes, atitudes irreflectidas que magoam as pessoas que para mim são importantes…
Sou uma parva que acredita que as pessoas são todas um poço de bondade…
Sou demasiado calculista para gozar em pleno os momentos de felicidade…
Sou uma pessoa imperfeita… odeio todas estas minhas facetas!
Odeio-me…
Neste momento, odeio-me!