Estou sempre sozinha quando começo a senti-la.
Vejo-a aproximar-se…
Não sei se aguento mais uma vez, não sei se desta vez sobreviverei…
Quando chega ao pé de mim começa a olhar-me… Ela sabe que me tornei fraca, que sou agora uma presa fácil mas mesmo assim prefere fazer-me sofrer…
Usa sempre a mesma arma, a mesma estratégia… o seu silêncio!
Começa a torturar-me, faz-me relembrar, obriga-me a admitir fraquezas, dá-me a conhecer defeitos obscuros e negros…
Ela sabe que tenho medo do escuro, que detesto a solidão, ela sabe que fico sempre a pensar naquilo que ela própria me impõe enquanto me tortura e então, depois de se certificar que ficarei a castigar-me a mim própria, abandona-me…
Essa é a parte que mais custa…
A dor que fica é por vezes tão grande que parece não caber no peito, as emoções são tão intensas que parecem entupir-me o cérebro impedindo-me de pensar em outras coisas, o aperto no coração chega a impedir-me de respirar… Como é insuportável!!
Nasce um novo dia… Com ele vem a luz e lá se vai o medo, pessoas e acaba-se a solidão… no entanto, quando as marcas da escuridão ainda são visíveis no novo dia eles perguntam-me se estou bem, o que tenho mas algo me impede de falar… até durante o dia ela tem poder sobre mim.
O dia corre bem… boa disposição, um quase esquecimento, distracção… sou aparentemente feliz!
Conheço esta sensação…
Cheguei a casa, fim do dia… avisto-a a dirigir-se lentamente…
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