quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Porque de uma forma ou outra era impossível que não me marcasses…

Á já algum tempo que procuro respostas…
O que foi aquilo que nós tivemos?
Foi amor?
Com que intensidade nos entregávamos sempre que o desejo nos levava do beijo ao toque, do toque…?
Chegamos a ser um só, por escassos minutos que fossem?
Os sermões por causa dos atrasos a chegar a casa, os desvios feitos para matar um sentimento que não sei se existiu valeram a pena?
O que se passou connosco?
Pelo menos diz-me que foi real… foi não foi?

Tanta coisa ficou por esclarecer…
Ainda hoje dou comigo naqueles dias em que, como hoje o sono tarda em chegar, a pensar nisto tudo, na nossa história.
Gostava de saber como a recordas… como uma boa experiência ou como um passatempo? Com saudade ou pelo contrário nem sequer te lembras que um “nós” existiu?
Recordo principalmente os fins de tarde, os beijos trocados debaixo das estrelas, os encontros marcados à última hora porque já não era possível aguentar aquela vontade que nos consumia a alma, as mil mensagens trocadas com palavras meigas, calorosas, intensas, carregadas de desejo… palavras que marcaram e deixaram saudade (esta sim sei que existe e é real, porque a dor não me permite dúvidas) …
Saudade e recordações, experiências e crescimento… pelo menos para uma pergunta tenho resposta: valeu a pena sim, mesmo que agora doa é só de vez em quando, enquanto os bons momentos foram muitos…
Às vezes ainda me lembro de ti…
Às vezes tenho saudades…
Gostava só que soubesses que eu…

A minha caixinha…

Com receio, com medo e até com alguma angústia avancei com a minha decisão…
Porque já estava na altura de a enfrentar, hoje abri na caixinha das recordações uma frecha que me permitisse espreitar um pouco…
Tantas foram as coisas que guardei lá dentro. Coisas boas, coisas más… coisas que me marcaram. Passeios, abraços, beijos, fotografias, mensagens, presentes… mas o que mais lá tem são momentos. Esses evitei-os porque ainda tenho medo de os olhar.
É a caixinha do sorriso, a caixinha das lágrimas… é a minha caixinha, a minha história.
Sei quais serão as consequências deste breve momento de felicidade…

A nostalgia entranhou-se no meu coração, instalou-se juntamente com o desejo de repetir e já me levou às lágrimas.
Para a maioria das pessoas abrir as suas caixinhas significa (re)viver, para mim significa sofrer…
Recordar devolve-nos o sorriso?
- Sim, naquele momento sim!
Esse pequeno momento dá-nos forças para suportar a saudade que depois se instala em nós?
- A mim não!
Mas vale a pena?
- Às vezes… depende das recordações que escolhemos para reviver…

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Tenho medo do escuro... !

Estou sempre sozinha quando começo a senti-la.
Vejo-a aproximar-se…
Não sei se aguento mais uma vez, não sei se desta vez sobreviverei…
Quando chega ao pé de mim começa a olhar-me… Ela sabe que me tornei fraca, que sou agora uma presa fácil mas mesmo assim prefere fazer-me sofrer…
Usa sempre a mesma arma, a mesma estratégia… o seu silêncio!
Começa a torturar-me, faz-me relembrar, obriga-me a admitir fraquezas, dá-me a conhecer defeitos obscuros e negros…
Ela sabe que tenho medo do escuro, que detesto a solidão, ela sabe que fico sempre a pensar naquilo que ela própria me impõe enquanto me tortura e então, depois de se certificar que ficarei a castigar-me a mim própria, abandona-me…
Essa é a parte que mais custa…
A dor que fica é por vezes tão grande que parece não caber no peito, as emoções são tão intensas que parecem entupir-me o cérebro impedindo-me de pensar em outras coisas, o aperto no coração chega a impedir-me de respirar… Como é insuportável!!
Nasce um novo dia… Com ele vem a luz e lá se vai o medo, pessoas e acaba-se a solidão… no entanto, quando as marcas da escuridão ainda são visíveis no novo dia eles perguntam-me se estou bem, o que tenho mas algo me impede de falar… até durante o dia ela tem poder sobre mim.
O dia corre bem… boa disposição, um quase esquecimento, distracção… sou aparentemente feliz!
Conheço esta sensação…
Cheguei a casa, fim do dia… avisto-a a dirigir-se lentamente…

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A história de uma menina… (continuação)

Voltou a sangrar…
A menina do espelho que ultimamente tenho encontrado bem-disposta e sorridente teve uma recaída…
Veio ter comigo e fiquei apavorada quando vi dos seus olhos caírem, outra vez, lágrimas que ainda nascem da mesma fonte, aquela maldita ferida…
Aterrorizada pediu-me que a escutasse pois não conseguia falar com ninguém…
Dizia-me que tinha o coração apertado, pesado… que lhe doía e que queria arrancá-lo para que simplesmente deixasse de sentir.
Não soube o que fazer com ela, nem sequer reagir perante o olhar profundamente triste daquela miúda que estava ao pé de mim… deixei-a simplesmente ir e perder-se naquele sofrimento…
Como me arrependo…
Continuo a observá-la diariamente e vejo que ela tenta libertar-se, assisto a cada sorriso seu, com o qual tenta afastar a dor e a escuridão do olhar, à persistência e à força que tem para carregar todos os dias aquele peso e aquela mágoa que me confessou…
Assisto às suas recaídas, ao mau humor e à agressividade que aquela ferida lhe provoca de cada vez que decide sangrar…
Assisto e sei que não faço muito! Pergunto-me: como é que posso ter consciência disto e mesmo assim não conseguir reagir?
Menina tens que deixar de ter medo e arriscar, libertares-te desses pensamentos e sentimentos, reagir…
Gostaria de ver-te vencer essa ferida que já à muito dura…
Força menina!! Só mais um passo, e outro, e mais outro…
Um dia ela cicatrizará e o teu sorriso, embora privado da inocência, será pelo menos novamente puro… Acredita !!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Cicatrizes... nem sempre totalmente curadas !

Hoje não gosto de ninguém! – Declaro eu com a máxima convicção que consigo…
Aquela nossa última discussão, os nossos últimos dias têm dado cabo de mim…
Reagi mal e se calhar não tinha motivos para tal? Se calhar não mas esse teu egocentrismo mesquinho é insuportável, não paras para perguntar se estou bem e atacas-me sempre nos momentos em que estou mais vulnerável…
Não tem sido fácil lidar comigo? Oh, eu sei que não, a agressividade está presente em cada palavra, em cada gesto meu, mas acho que é teu dever tentar, pelo menos, ajudar-me…
Dizes tu que me conheces… Terias lidado melhor com a situação se, efectivamente me conhecesses, saberias que as minhas lágrimas são uma reacção normal e são provocadas por um conjunto infinito de factores. Não sabes nada sobre o que sinto, a forma como penso, não consegues adivinhar qual será a minha próxima reacção e pior que isso, usas uma imagem estereotipada para me definires banalizando completamente a pessoa que sou!
Bolas, já nem eu te conheço…
Já nem te consigo amar com a mesma intensidade mas aí acho que a culpa nem é muito tua!
As nossas discussões, os nossos insultos… dizes-me para não ligar, que já devia saber como és e que só dizes aquelas coisas porque estás nervoso… tudo isso desperta em mim um sentimento de afastamento. Eu não queria, eu não quero mas acho que me estou a afastar de muita gente…
Tenho medo do sofrimento e por isso sempre que o pressinto fujo dele!
Porquê tentar acreditar que pelo menos durante um dia não gosto de ninguém? Porque durante um dia que fosse não ia ter que viver assustada com a probabilidade de ser magoada, de ser maltratada, afinal de contas as pessoas de quem gostamos são as que mais nos magoam não são?!