Certas situações que tenho vivido ultimamente têm-me feito pensar em meia dúzia de coisas, uma delas é nas minhas características daquilo que dizem ser o feitio de uma pessoa.
Sempre, desde que me lembro de ter começado a tomar consciência das coisas, me apercebi que não sou uma pessoa com um feitio propriamente fácil de aturar e de se conectar e entender com outros feitios. Coisa de quem tem uma personalidade forte e com convicções vincadas, me parece, porque nunca é fácil para nós abdicarmos de manifestar as nossas opiniões, de tentar impor o nosso ponto de vista.
Quando me pus a pensar nisto lembrei-me da entrevista que a Marina Mota deu no Alta Definição, aqui há uns temos e em que, a certa altura, o Daniel lhe disse: “Dizem, não sei se é verdade, a Marina dir-me-á, tem mau feitio.” e a resposta dela é exatamente o que eu responderia se me fizessem a mesma pergunta: “Eu acho que a maior parte das pessoas que diz isso não me conhece de facto. O meu mau feitio escora-se logo quando as pessoas me conhecem. Eu sou uma pessoa muito rigorosa, eu gosto muito da disciplina quando trabalho, gosto de educação, gosto de pontualidade e esse rigor, às vezes, incomoda, daí dizerem que eu tenho mau feitio.”
Sou mesmo, e não consigo evitar, uma pessoa rigorosa e acho que é esse rigor que às vezes faz despertar o meu mau feitio, porque, e admito, não suporto faltas de responsabilidade, faltas de educação. São duas coisas que me deixam completamente fora de mim e então, confesso, não consigo controlar e evitar, mas estou a tentar e um dia vou conseguir, mandar umas quantas opiniões para o ar, ser arrogante e mazinha, por não escolher as palavras nem a melhor forma de transmitir o meu ponto de vista, que até é o dono da razão, na maior parte das vezes, mas que a acabo por perder por não conseguir manter o meu mau feitio fechado à chave e explicar o que acho sem me exaltar.
Esta intolerância com a falta de responsabilidade e educação torna-se ainda mais agreste no tocante a pessoas que amo e com as quais me preocupo, porque acho que isso as prejudica, porque acho que isso dá uma imagem delas que não é a correta, enfim, porque me preocupo, porque gosto! Mas acabo por ser ainda mais ingrata, ainda mais má e arrogante com eles quando me pronuncio, quando critico. Não sei porquê, mas sei que o sou!
Não é fácil aturar este meu mau feitio quando me ponho a enumerar defeitos, mas este meu mau feitio ajudou-me a ter uma certeza: que quem me ama, aceita-me tal e qual como sou, desculpa-me quando me arrependo e vou pedir desculpa, sim, porque eu sei reconhecer quando exagero ou não me expresso da melhor forma, e que nunca encontrarei ninguém que me ature e me aceite melhor do que quem me ama de verdade! E essa é uma boa certeza para se ter!
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