Titulo: "Há vidas que... E o amor?"
"Há vidas que baralham a vida dos outros. Não consigo entender relações do género: "gosto muito de ti, mas só te quero para mim. Se não estiveres comigo quero que estejas mal." Não consigo perceber pessoas que dizem amar e depois fazem de tudo para apoderar-se da outra pessoa não a deixando livre para fazer as suas escolhas. Não entendo, desculpem mas não entendo! Eu sei que quando se ama quer-se essa pessoa connosco, mas também sei que quando se ama de verdade, o mais importante é a felicidade dessa pessoa e se essa pessoa não é feliz connosco não podemos "obrigá-la" a ficar perto de nós. A essa vontade de se apoderar de uma pessoa a todo custa chama-se obsessão e não amor (digo eu, muito humildemente)!
Há outra coisa que não me cabe na cabeça... Qual é a das pessoas de dizer que amam outras e depois apregoarem os seus defeitos a alto e bom som? Toda a gente tem defeitos, muitos ou poucos, mas todos temos. E sim, há defeitos que realmente assustam... mas se amamos uma pessoa é porque aceitamos os seus defeitos, por muito repugnantes que possam ser. Quando se ama valorizam-se as qualidades e os defeitos relegam-se para segundo plano. Agora se esses defeitos nos magoam, nos matam aos pouquinhos... o que há a fazer não é repeti-los muitas vezes, é sim, seguir em frente e afastar quem nos magoa. Uma vez alguém me disse: "não podemos amar os outros mais do que a nós mesmos, temos de ter amor próprio". E é verdade, não podemos deixar que nos pisem, que nos usem e que se aproveitem do que sentimos. Na verdade, seguir em frente nem sempre é fácil. Há sempre em nós aquela estúpida esperança de que essa pessoa possa mudar... e cada gesto, por mínimo que seja, alimenta essa esperança de uma forma brutal. Nós mesmos modelamos na nossa cabeça as atitudes das pessoas de forma a não parecem tão más quanto realmente são. A realidade é fodida e como defesa tentamos mascará-la. Falar é tão simples. Para agir é que é preciso coragem e muita força de vontade. O que nem sempre está presente, infelizmente.
Enfim, pior do que amar e acreditar cegamente que as pessoas podem mudar é usar e abusar de quem nos ama ou então deixar-nos manipular e "vender" a quem nos ama. Há pessoas que usam todas as armas que têm para manter as outras por perto, mas pior do que essas pessoas são aquelas que mesmo não gostando, mesmo sabendo que isso é doentio, aceitam esses benefícios e deixam a sua vida e as suas opções para segundo plano. Vivem apenas para aquilo que os outros lhe dão mesmo que isso implique não viverem aquilo que na verdade até desejavam. Há pessoas que não perceberam ainda o verdadeiro significado do amor, há pessoas que quando perceberem talvez seja tarde demais. Há pessoas que tinham tudo para serem felizes e desperdiçam esse amor e essa felicidade por futilidades. Mas lá está, nem todos temos as mesmas prioridades e para uns, o dinheiro, as festas, as mocas, tudo isso vale mais do que o amor. E isso será assim para toda a vida ou então, até um dia... Talvez tarde demais!"
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