terça-feira, 30 de agosto de 2011

o que andamos a ler (6)

Terminei, já há algum tempo, de ler uma das minhas melhores aquisições, no que a livros diz respeito. Gostei mesmo muito de o ler, porque me fez rir, confesso que cheguei quase a chorar, em certas alturas, mas fez-me, sobretudo, refletir sobre muitos aspectos da vida.
Nuno Lobo Antunes é medico, e este livro, é basicamente, falando de uma forma muito genérica, o resumo da sua vida e do que envolve ser médico: lidar com a morte, com os sentimentos, com a doença... Simplesmente apaixonante! :)


"A vida é uma viagem, todos o sabemos. Navegação à vista que a rota não foi prevista e o mapa se vai revelando à medida que o tempo caminha. É desconhecido o destino, são incógnitos os portos, escassas as enseadas onde encontrar abrigo. O barqueiro tem uma venda, e cego, o barco prossegue arrastado por ventos e marés, ferido aqui e ali, por correntes e estolhos. Continuamos viagem sem saber bem o que nos guia e que porto demandamos. Pela minha parte, tento encontrar coerência no meu percurso, o sentido oculto, a harmonia que se deverá esconder por detrás de tudo. (...)

Para lhe dizer a verdade, no entanto, o que mais me aflige é a ideia de “preparação” para a morte de um filho. É como se houvesse um exercício psicológico de antevisão de perda, um refastelar na cadeira da dor, procurando acomodar o traseiro para minorar o sofrimento. É costume ouvir-se: “coitado, foi melhor assim; aquilo já não era viver, deixou de sofrer”. Curioso como a percepção muda quando se trata de suicídio. A dor mental, a tortura de um cérebro que se automutila até ao desespero, é julgada de natureza diferente, como se a doença psiquiátrica fosse da responsabilidade do doente, fraqueza de caracter, produto de uma alma menor. No entanto, o suicida é como o escorpião, que, vendo-se sem saída, e perante o fim menos doloroso, como os corpos que vimos despenharem-se das torres gémeas. Claro que para os outros as chamas que o ameaçam consumir são miragens, ilusões como pesadelos, que nós, pessoas despertas, sabemos serem estrangeiras à realidade. E, no entanto, não é assim, o fogo está lá porque não se extingue a dor da queimadura. Conheço pessoas inteligentes que têm desprezo pelos toxicodependentes ou por quem sofre de depressão. “Ergue-te e ambula” é a ordem para os fortes, os que valem a pena, que quem fica preso das suas dores não é soldado para a vida.

A linguagem era muitas vezes pitoresca. As mulheres, por exemplo, referiam-se a dois orifícios naturais como o da “serventia” (ânus), e o da “servidão” (vagina). Faziam referencia ao período menstrual como estando “assistidas”, o que uma vez levou a um equivoco cómico. Um dos meus irmãos médicos estava a consultar uma senhora que tinha de pé, atras de si, mãos repousando nos seus ombros como nas fotografias antigas, o marido. Desconheço as queixas, só sei que o meu irmão lhe perguntou, como era usual, se era “assistida”. O marido saiu de trás da mulher, deu um passo em frente, endireitou a cabeça, alisou o bigode, enfunou o peito, engrossou a voz e respondeu pelo cônjuge: “É sim senhora… e todos os dias!” " 


Estes são apenas alguns dos excertos que decidi postar. Muitos mais tenho assinalados, para postagens futuras, que se encaixam, perfeitamente, na rubrica Fragmentos de sabedoria e Inteligência.

Retirado da obra: "Vida em Mim"

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Mais um já passou - 3 aninhos :D

O meu blogue está de PARABÉNS. 3 aninhos de vida :D

Foi já no dia 21 de Agosto que se deu a celebração, mas só hoje arranjei um bocadinho de tempo para vir cá dar-lhe os parabéns. Aproveito para lhe dizer que, como presente, no ano passado, lhe dei uma nova imagem, e que este ano tencionava fazer o mesmo, mas, infelizmente, o tempo não tem sido muito, nem para escrever nele como fiz nos dois anos anteriores da sua existência. Mas está prometido, e não me esqueci: a prenda está para breve! E fica também prometido o esforço de tentar voltar a publicar mais coisas por cá ;)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência (16)

A Susana Guimarães é uma rapariga que há dias veio cá ao meu blogue "roubar-me" uma frase de um texto, porque tinha gostado dela. Fiquei tão contente com esse "roubo" :D Pusemo-nos a conversar e ela também escreve textos e poemas e então, curiosa, lá fui dar uma espreitadela às coisinhas dela e decidi retribuir-lhe o "roubo", mas, como comigo "é tudo à grande", trouxe o texto todo e decidi partilhá-lo convosco nesta minha rubrica, porque  me parece um texto que pode servir de conselho a quem ainda não percebeu bem o que significa amar e ser amado! Está fantástico :D

 


Titulo: "Há vidas que... E o amor?"


"Há vidas que baralham a vida dos outros. Não consigo entender relações do género: "gosto muito de ti, mas só te quero para mim. Se não estiveres comigo quero que estejas mal." Não consigo perceber pessoas que dizem amar e depois fazem de tudo para apoderar-se da outra pessoa não a deixando livre para fazer as suas escolhas. Não entendo, desculpem mas não entendo! Eu sei que quando se ama quer-se essa pessoa connosco, mas também sei que quando se ama de verdade, o mais importante é a felicidade dessa pessoa e se essa pessoa não é feliz connosco não podemos "obrigá-la" a ficar perto de nós. A essa vontade de se apoderar de uma pessoa a todo custa chama-se obsessão e não amor (digo eu, muito humildemente)!
Há outra coisa que não me cabe na cabeça... Qual é a das pessoas de dizer que amam outras e depois apregoarem os seus defeitos a alto e bom som? Toda a gente tem defeitos, muitos ou poucos, mas todos temos. E sim, há defeitos que realmente assustam... mas se amamos uma pessoa é porque aceitamos os seus defeitos, por muito repugnantes que possam ser. Quando se ama valorizam-se as qualidades e os defeitos relegam-se para segundo plano. Agora se esses defeitos nos magoam, nos matam aos pouquinhos... o que há a fazer não é repeti-los muitas vezes, é sim, seguir em frente e afastar quem nos magoa. Uma vez alguém me disse: "não podemos amar os outros mais do que a nós mesmos, temos de ter amor próprio". E é verdade, não podemos deixar que nos pisem, que nos usem e que se aproveitem do que sentimos. Na verdade, seguir em frente nem sempre é fácil. Há sempre em nós aquela estúpida esperança de que essa pessoa possa mudar... e cada gesto, por mínimo que seja, alimenta essa esperança de uma forma brutal. Nós mesmos modelamos na nossa cabeça as atitudes das pessoas de forma a não parecem tão más quanto realmente são. A realidade é fodida e como defesa tentamos mascará-la. Falar é tão simples. Para agir é que é preciso coragem e muita força de vontade. O que nem sempre está presente, infelizmente.
Enfim, pior do que amar e acreditar cegamente que as pessoas podem mudar é usar e abusar de quem nos ama ou então deixar-nos manipular e "vender" a quem nos ama. Há pessoas que usam todas as armas que têm para manter as outras por perto, mas pior do que essas pessoas são aquelas que mesmo não gostando, mesmo sabendo que isso é doentio, aceitam esses benefícios e deixam a sua vida e as suas opções para segundo plano. Vivem apenas para aquilo que os outros lhe dão mesmo que isso implique não viverem aquilo que na verdade até desejavam. Há pessoas que não perceberam ainda o verdadeiro significado do amor, há pessoas que quando perceberem talvez seja tarde demais. Há pessoas que tinham tudo para serem felizes e desperdiçam esse amor e essa felicidade por futilidades. Mas lá está, nem todos temos as mesmas prioridades e para uns, o dinheiro, as festas, as mocas, tudo isso vale mais do que o amor. E isso será assim para toda a vida ou então, até um dia... Talvez tarde demais!"

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

The 30 Day Photo Challenge

Day 02 - A picture of you and the person you have been closest with the longest


Desde smp e para sempre! Têm sido inúmeros os momentos vividos em conjunto e juro-te que quero outros tantos: quero rir-me contigo, quero apoiar e aparar as tuas maluqueiras, quero chorar contigo quando alguma de nós tiver que chorar, quero estar presente nos momentos mais importantes e marcantes da tua vida, quero outros tantos anos de felicidade junto de ti! Quero poder afirmar: "Contigo, desde que nasci, até morrer!" :D ♥
P.s - Juro que te devolvo o pacote de fraldas! (Piada privada) :p
I love you, my dear :D ♥

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Querido Afonso, (4)

Meu pequenito,

Faz hoje onze dias que deveria ter-te escrito esta carta, visto que as outras que te escrevi até agora têm, todas elas, um intervalo de 6 meses certos. Mas, os dias são cada vez mais complicados à medida que o tempo vai passando por nós, as responsabilidades crescem, as obrigações multiplicam-se, os entes queridos são, cada vez mais, pessoas por quem fazemos qualquer coisa que seja preciso para os vermos felizes, o tempo livre é cada vez menos e queremos sempre aproveitá-lo para estar com essas pessoas ou então para descansar dos dias atribulados e preenchidos por um monte de tarefas e preocupações. Com isto tudo quero eu justificar-te a razão desta minha demora, mas posso aproveitar para te deixar um conselho: quando somos pequenos temos sempre muita pressa em crescer, faz parte do processo de crescimento de toda a gente, tu não serás exceção, mas, meu amor, quanto maior somos, maiores são as responsabilidades, as preocupações, os trabalhos que temos. Ser adulto significa muito pouco para além destas coisas. Quando somos crianças também temos preocupações e problemas, pensamos nós: preocupámo-nos com os brinquedos que vamos receber no próximo aniversário ou no natal, ficámos chateado quando não recebemos o chocolate ou o gelado que nos apetecia muito, ficamos tristes e infelizes só porque não podemos ir à piscina ou à praia, porque os nossos pais não querem fazer isso e preferem ficar em casa a descansar, etc., e então achámos que os adultos fazem o que querem, compram o que querem, porque têm dinheiro, e, por isso, queremos crescer muito rápido para deixarmos de depender dos pais e podermos fazer o que queremos, mas, desde já te digo que, depois, quando cresces, percebes que não, os adultos não fazem o que querem, não compram o que querem, não têm o que querem quando querem e sofrem, porque têm que trabalhar, porque têm que cuidar de uma casa, da família, por vezes têm que se desdobrar para conseguirem fazer tudo o que precisam e andam sempre cansados, porque pouco tempo descansam. Por isso, pequenino, não tenhas pressa de crescer sim? J
Dois anos é já muito tempo meu amor. Parece que foi ontem que apareceste na minha vida! Tem sido maravilhoso ver-te crescer, e estás a entrar numa das fases mais bonitas do teu crescimento, aquela em que aprendes a falar, em que começas a perceber o que as pessoas à tua volta te dizem, em que já sabes o que queres… Estás cada vez mais lindo! Temos é que te levar à praia sim? Estás muito branquinho. E tens que crescer mais devagar, porque isto de já me dares pela anca aos dois anos não me parece nada bem (estou a brincar :P)
Bem, acho que me vou despedir, agora tenho passado mais tempo contigo, estás farto de me ouvir já, de certeza. J PARABÉNS, meu lindo!
Beijinho do tamanho do mundo,
Amo-te, meu eterno Gui :D