segunda-feira, 9 de maio de 2011

Podia haver um sítio onde se comprasse uma coisa tão essencial como esta que me falta tantas vezes!

Já perdi noção das vezes que entrei num autocarro ao domingo à noite com tudo pronto e arrumadinho, mas com a sensação de que me tinha esquecido de alguma coisa, e o que fica, muitas vezes, é a vontade de entrar nesse mesmo autocarro. Volta e meia, ela lá fica perdida em casa, nos pavilhões e balneários, nas ruas que me levam até casa, até à casa de algumas pessoas, nas conversas que queria que durassem mais, nos abraços que gostava que se eternizassem…
Já perdi noção das viagens inteiras que fiz sem que ela me aparecesse, mas também já fiz algumas em que pensei que me tivesse esquecido dela, e a meio da viagem, depois de procurar bem, ela lá me apareceu. Mas, às vezes, teima em não aparecer…
Já perdi noção das vezes que fiz o caminho desde a paragem até minha casa, a arrastar a mala e a chorar por achar que não iria ser capaz de aguentar mais o peso que, às vezes, trago e não é na mala, é nos ombros! Mas também já não sei quantas vezes chorei, ao mesmo tempo que pensava que esta minha nova cidade, esta minha nova “casa” é efetivamente linda e um sítio fantástico para se viver!
Hoje aventurei-me a vir apé até casa, depois de chegar à “bilinha”, e voltei a chorar porque não encontrei a vontade de que tanto preciso, porque trazia, mais uma vez, um peso enorme nos ombros… mas depois, a certa altura, as lágrimas passaram a ser outras – e o curioso é que é sempre na Ponte Vermelha que estas coisas me acontecem, quando os carros estão mesmo pertinho de mim e me conseguem ver as lágrimas, quando olho para aquela paisagem fantástica e me apercebo que esta cidade é lindíssima – passaram a ser lágrimas de uma alegria tímida, de um pensamento mais positivo. Não eram salgadas, eram doces, tinham o sabor de um cansaço que já pesa bastante, – em todas as partes do meu corpo que se possam imaginar, desde joelhos a costas, passando pelo cérebro e pelo coração – mas que está a ser recompensado, aos poucos; eram lágrimas que acarretavam a sensação de dever cumprido, de orgulho no que fiz até agora apesar de todas as coisas menos boas que foram aparecendo pelo meio; eram lagrimas de quem está feliz porque hoje teve a prova de que é amada e de que há pessoas orgulhosas do que faço e que me apoiam muito para que continue a fazê-lo!
Já perdi a conta das vezes em que tenho a certeza que, apesar de tudo, vir parar a Vila Real, foi das melhores coisas que me podia ter acontecido!

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