Que grande correria tem sido estes últimos dias. É tudo novo: a casa, a escola, os amigos, as gentes, os professores… É o que dá entrar no primeiro ano da universidade e ainda por cima longe de casa.
Quando se parte para uma aventura destas deixa-se muita coisa para trás, tem que se deixar, somos obrigados a isso, e custa tanto ter que fazê-lo.
Depois de três semanas stressantes, completamente diferentes de tudo aquilo que já vivi e imaginei, ainda estou viva e de boa saúde, o que é bom sinal. J
O novo ritmo é de loucos: ando todos os dias quilómetros, faço sempre as refeições com as mesmas pessoas, nos mesmos sítios, estou sempre com as mesmas pessoas… às vezes torna-se tão saturante esta rotina a que tive que me habituar repentinamente e sem tempo para adaptações, que fico com vontade de fugir para casa, mas depois de umas lágrimas, de um momento de sossego, tudo volta à normalidade.
Mudar de ares era o principal objectivo quando decidi ir para Vila Real. Mas a determinação vacilou um bocado quando chegou definitivamente a hora de deixar o ninho e partir à aventura. Lembro-me tão bem dos dias antecedentes à primeira despedida. Lembro-me e custa-me imenso recordar, por causa das saudades e da sensação de desconforto e de insegurança, o dia seguinte ao dia em que fui fazer a matrícula a Vila Real. Nesse dia, em casa, comecei a pensar na partida que seria no domingo, daí a três dias, e o choro e o pânico foram inevitáveis. A sensação era mesmo pavorosa. A ajudar à “festa” vinham os comentários dos amigos mais próximos a dizer que se queriam despedir de mim antes de eu ir, como se eu fosse para o estrangeiro e nunca mais regressasse ou algo do género… Foram três super longos dias, mesmo!
A primeira semana custou imenso por causa do choque inicial que as coisas novas provocaram. Mas as saudades e o período de adaptação atingiram-me com mais intensidade no início da segunda semana. Custa tanto partir no domingo à noite quando se sabe que se só se volta no fim da semana. A segunda-feira custa ainda mais. Cada início de semana parece ser o início de tudo, outra vez. Então esta semana é que foi… esta terceira semana foi bastante boa e ao mesmo tempo tão dura, porque foi nesta semana que senti verdadeiramente saudades de casa, porque foi nesta semana que me apercebi que tenho quase tudo o que me pertence e faz feliz em Braga e que estou separada da felicidade por não sei quantos quilómetros.
Apesar de tudo, tem sido uma boa aventura e temos que viver com as escolhas que fazemos. Como tal, depois de as fazermos e quando não há solução, há que tentar ser feliz onde quer que estejamos, tentar ser feliz com quem quer que estejamos… e é isso que eu estou a fazer e que vou fazer sempre até ao fim desta nova etapa da minha vida.
Já começo a entrar no ritmo… começo a gostar de Vila Real, de estar por lá, desde que tenha a certeza que na quinta-feira de manhã posso pegar nas minhas malas e fazer-me à estrada, porque tenho um grande pedaço da minha felicidade em Braga e não quero nunca passar muito tempo sem apreciar e amar esse pedaço.
Se estou feliz? Triste não estou… Para já estou bem com a minha nova vida e tenho a certeza que a tendência será para vir a ficar cada vez melhor, porque, embora longe, o meu pedaço de felicidade que fica em casa quando parto, sei que será sempre meu!