terça-feira, 31 de agosto de 2010

A construção do sonho que acabou por não se realizar.

Era uma vez um sonho que fui sonhando ao longo de muitos e muitos dias…
O sonho acabou por se ir tornando num objectivo possível de alcançar, mas para isso era preciso trabalhar, despender algum tempo na preparação desse trabalho que precisava de ser feito, mas acima de tudo era preciso força de vontade, empenho, garra, coragem e determinação, coisas que eu tinha pouco.
Um sonho/objectivo acarreta sempre as inevitáveis dúvidas e receios, desperta medos e apreensões e pode acabar por se ter que desistir dele, mesmo antes de se tentar, se não formos suficientemente fortes ou se não tivermos os apoios necessários.
No início, as certezas eram muitas. Com o passar do tempo, foram surgindo novos caminhos, novas opções que os medos e a falta de coragem foram apresentando como uma solução mais fácil e talvez igualmente gratificante, e aí tiveram que começar a ser tomadas decisões, as dúvidas começaram a surgir… e é nessa linha ténue em que, por vezes, nos encontrámos que o apoio de quem nos é importante, ou a falta dele, nos faz pender para o lado correcto ou não.
Há sonhos que não conseguimos construir, e muito menos perseguir, sozinhos. Este meu sonho era um deles. Felizmente, tive, e tenho, a sorte de estar rodeada de pessoas que me ajudaram a acreditar que conseguia construir este meu sonho, que me ajudaram a dar-lhe vida e a transformá-lo em sonho/objectivo possível de se tornar uma realidade alcançada.
O apoio esteve sempre lá. O sonho é que teimava em desvanecer-se nas alturas em que os medos falavam mais alto. Estive muito próxima de decidir matá-lo de vez, por desejar acabar com o sofrimento que aquela perseguição me estava a causar. Muito próxima mesmo. Tão próxima que se poderia duvidar se seria verdadeiro o sonho que eu dizia ter e querer realizar. Eu própria acho que cheguei a duvidar, tal era a vontade de desistir, mas quem me conhece bem sabe que era, e nunca deixou de o ser, verdadeiro.
Houve alturas em que certas pessoas acreditaram mais do que eu na realização deste sonho, e foi esse apoio que fez com que eu não desistisse. Não desisti e fui tentar realizá-lo para que depois pudesse, pelo menos, dizer que tentei. E ainda bem que assim foi, porque agora é a única coisa que tenho para dizer acerca da realização desse sonho: Não consegui, mas, pelo menos, sei que tentei. Se valeu a pena ou não é um balanço do qual ando a fugir desde o dia em que soube que não o consegui realizar…
E, porque o apoio das pessoas foi a coisa mais importante para mim nesta tentativa, quero aproveitar para deixar um enorme agradecimento a todos os que estiveram sempre ao meu lado. Agradecer as palavras de incentivo, de esperança, de acreditação, agradecer os abraços, os beijinhos, os mimos, a coragem que me fizeram ter… Por tudo, Obrigado. Mas o maior agradecimento vai para duas pessoas que foram, sem dúvida, os que mais contribuíram para que eu não desistisse: um porque sabe exactamente o que dizer na altura certa, o outro porque teve a paciência e a dedicação de me aturar algumas horas e de me ajudar no que eu precisei. Aos dois, porque sempre acreditaram que eu conseguiria, porque nunca me deixaram desistir, um muito obrigado: pelo carinho, pela paciência, pela atenção, mas, sobretudo, pelas imensas dores de cabeça que me deram de cada vez que me chamavam á razão, de cada vez que insistiram para que eu continuasse… Muito Obrigado, mesmo!
O que acontece a seguir? Não sei. Acho que agora seguirei um outro caminho e será aí que irei tentar perseguir um outro sonho que apareça. O importante é que eu tente ser feliz e isso, podem ter a certeza que tentarei sempre.

sábado, 28 de agosto de 2010

Pedaços de Mensagens Trocadas.

Pedaços de mensagens trocadas é a nova rubrica que decidi criar no meu blogue.
Esta ideia surgiu-me há já algum tempo e decidi, hoje, dar-lhe início.
Aqui irei publicar mensagens que escrevi/escreverei, que disse/direi a alguém ou que recebi/receberei ou ouvi/ouvirei de alguém.

Esta primeira mensagem foi escrita por mim, num dos tantos e-mails trocados com um seguidor do meu blogue. Os primeiros desses e-mails estão cheios de pedacinhos que darão óptimas postagens! Aqui fica a primeira mensagem:

Não nos devemos perder na busca da realização de determinados sonhos, porque esses, também podem ser bem ingratos, às vezes piores do que a realidade. Se passarmos a maior parte do tempo a sonhar, quando tivermos que encarar a realidade, porque temos sempre que o fazer, principalmente em certas alturas da vida, poderá ser uma experiência desagradável.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência ! (10)

Nada melhor para assinalar a décima postagem desta rubrica do as palavras deste grande génio que há pouco tempo nos deixou. São palavras de José Saramago recolhidas de uma entrevista que li.

“Há acções individuais que parecem mostrar que o ser humano pode ser sempre outra coisa. Há circunstâncias que fazem ascender nele o melhor que ele tem. E há outras que fazem ascender nele o pior que ele tem.”

“Sou suficientemente céptico para nunca acreditar. Quanto maior é a promessa mais eu desconfio. Agora, ter a consciência de que quanto maior é a promessa mais fácil é vir a faltar a ela – ou cumpri-la de uma maneira incompleta – não podia, evidentemente, conduzir-me, não pode conduzir ninguém, à paralisia. Entre um cem que eu sei que não posso alcançar e um oitenta e quatro que sim, talvez, pois então joguemos nos oitenta e quatro.”

sábado, 21 de agosto de 2010

Já lá vão dois anos, venham muitos mais :)

Lembro-me perfeitamente do dia em que me aventurei na criação deste blogue. Já tinha uma meia dúzia de textos escritos num caderno e como a vontade e o gosto de escrever ia crescendo, achei uma boa ideia criar um blogue. E foi isso que fiz na noite do dia 21 de Agosto de 2008. Quando acabei de o criar e publiquei os dois primeiros textos, invadiu-me um sentimento enorme de satisfação que nos dias seguintes, cada vez que vinha à net era o primeiro site que eu visitava. Lembro-me perfeitamente desses primeiros dias.
Dois anos já lá vão, e desde a sua criação, este meu blogue já mudou de imagem e formato algumas vezes. Só o nome que lhe foi dado na altura à falta de melhor permanece o mesmo. Confesso que nunca lhe achei muita piada, era apenas um nome provisório, mas o tempo foi passando e, o que é certo é que, dois anos depois, continua o mesmo e eu continuo com a mesma ideia de o querer mudar, mas não me parece que seja desta vez. Talvez numa outra altura…
Como não podia deixar de ser, aniversário traz mudanças: O Meu Cantinho tem nova imagem, tem novidades, a sua escritora decidiu publicitá-lo no seu perfil das redes sociais e agora é só esperar que os próximos tempos sejam muito bons para este blogue.
O Meu Cantinho não precisa de pedir prenda de anos porque já recebeu muitas ao longo da sua existência e as melhores prendas que se podem oferecer são as visitas, as leituras, os comentários, as criticas, as sugestões de quem por aqui vai passando.
Parabéns ao meu Cantinho!

domingo, 15 de agosto de 2010

Faz-me lembrar alguém que eu conheço!

“Tu pertences a um tipo de mulher que só vive a plenitude do amor na distância ou na impossibilidade. És aquilo a que eu chamo uma “Mulher Impossível”, porque amas com todas as tuas forças os homens que por alguma razão ou outra não podes ter. Para ti, o amor é a própria luta pelo amor, não é uma construção nem uma edificação. Por isso não te casas, não crias bases para ter uma família e ser uma esposa exemplar. Mas estás certa, o teu encanto é justamente esse. E pelo menos tens a honestidade de não te mascarares por detrás de uma situação socialmente aceitável e de não embarcares num casamento de circunstância.
- O pior é que assim nunca mais tenho família nem filhos.
- Claro que vais ter, como toda a gente. Um dia destes encontras uma pessoa com quem te dás bem e casas-te com consciência que pode não ser para a vida toda, mas casas feliz e tornas-te uma mãe exemplar e orgulhosa da sua prole como quase todas as mulheres acabam por ser. ”

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência ! (9)

Hoje o excerto que trago é de um filme que vi aqui há dias.
Before Sunset, poderia ser um filme muito monótono e entediante, visto que as únicas cenas que vemos são um passeio/diálogo entre duas personagens que se tinham apaixonado há uns anos e que, passados 9 anos, se voltam a encontrar, mas o humor das personagens e o diálogo em si que transmite o essencial da condição humana – a fragilidade, os sentimentos, etc. – tornam-no num filme bastante interessante.
De todo ele decidi destacar este excerto, nem sei bem explicar porquê, gostei simplesmente.

“- No meu trabalho, vejo pessoas que começam com grandes visões idealistas de se tornarem o novo líder que criará um mundo melhor. Eles apreciam o objectivo mas não o processo. Mas a realidade é que o verdadeiro trabalho de melhorar as coisas está nas pequenas realizações de cada dia. E é isso que tens de apreciar para te manteres nesse campo.
- Onde queres chegar?
- Eu estive a trabalhar numa organização que ajudava aldeias no México. A preocupação deles era como fazer chegar os lápis enviados às crianças nas escolas da província. Não eram grandes ideias revolucionárias, eram os lápis.
Vejo pessoas que trabalham no duro, e o que é muito triste é que os mais devotados, esforçados e capazes de tornar o mundo melhor geralmente não têm o ego e a ambição de serem líderes. Não têm interesse nenhum em recompensas superficiais. Não lhes interessa que o seu nome apareça na imprensa. Gostam de ajudar os outros. Vivem o presente.
- Mas é tão difícil viver o presente... Eu sinto que estou destinado a estar insatisfeito com tudo. Estou sempre a tentar melhorar a minha situação. Satisfaço um desejo, e isso cria outro. Mas depois penso, que diabo, o desejo é o que motiva a vida. Achas que é verdade, que nunca seríamos infelizes?
- Não sei. Não querer nada não é um sintoma de depressão?
- É isso, não é? É saudável ter desejos. Não sei. É o que os budistas dizem, não é? Liberta-te do desejo e descobrirás que já tens tudo que precisas.
- Mas eu sinto-me viva quando quero mais do que as necessidades básicas. Querer, seja intimidade com outrem ou uns sapatos novos, é lindo. Gosto que tenhamos esses sempre renovados desejos.
- Talvez seja apenas um sentido de direito. Como sempre que sentes que mereces esse novo par de sapatos. É bom que queiras coisas desde que não fiques chateada se não as conseguires. A vida é difícil. É suposto ser. Se não sofrêssemos, não aprenderíamos nada.”