segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Tempestades.



Acordei a meio da noite...
Consigo ouvir lá fora a tempestade num murmúrio constante que me atrai...
As gotas da chuva estilhaçam em múltiplas superfícies produzindo sons diferentes. Os raios da trovoada rasgam o céu desenhando cenários de terror...
Movida por uma força dominante acudi ao chamamento...
Caminho na rua, descalça e sem rumo...
Sento-me, rasgo a roupa e deixo que as gotas frias me percorram o corpo como uma leve carícia, a cada trajecto que percorrem é um bocado de mim que gelam, é um bocado de alma que me tiram... Escorrem e param nos meus pés levando com elas o lixo do meu corpo...
Estou limpa e tremo de frio mas elas ainda não estão saciadas...
O meu corpo é o único que elas conseguem atacar pois não está habituado a esta sensação fria, mas não era o meu corpo que elas procuravam... Era o meu coração pois ele é o pior dos seus inimigos...
Esse elas nunca conseguiram atingir porque, por mais tempestades que eu passe, o amor e a bondade que nele habitam nunca escorregarão até aos meus pés porque para lá só escorrega tudo o que não presta, tudo o que não tem força suficiente para lhes fazer frente!
O meu coração começa a aquecer o meu corpo, o meu corpo começa a reagir e eu pego nas minhas roupas e fujo para casa...
As últimas gotas que deambulavam pelo meu corpo perdem imponência perante o meu calor, a tempestade reduzida à sua fraqueza começa a dar lugar a uma noite calma e serena que traz com ela a paz de espírito... Essa sim, deixo que me penetre nas entranhas até que chegue ao meu órgão vital reforçando as minhas energias para a tempestade seguinte...

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