domingo, 24 de fevereiro de 2013

O que andamos a ler (7)

          O Rio das Flores foi o livro que acabei de ler durante o mês de Janeiro, visto que estive de férias por não ter exames e já andava com ele há imenso tempo. Amei! É fantástico :)
           Como é habitual e foi esse o propósito de ter iniciado esta rubrica, através de um desafio que me foi colocado, é certo, deixo-vos aqui algumas citações para vos despertar a curiosidade. Só algumas, porque há muitas mais que publicarei depois.

         "Sou republicano quanto às ideias, mas monárquico no coração. Lamento que a Monarquia não tenha sabido democratizar-se, lamento que a República tenha confundido liberdade com libertinagem. Uns e outros prepararam a cama para a ditadura."

         "Acho que os portugueses não gostam o suficiente da liberdade para se importarem muito com a ditadura. Desgraçadamente, não somos ingleses, nem sequer franceses! Nem ao menos espanhóis!"

        "Disse apenas que é o povo português, tal como o vejo: preferem a ordem à liberdade, preferem que alguém decida por eles, em vez do fardo de terem de ser eles a decidirem e a baterem-se pelo seu destino."



          "Tenho medo que a liberdade se torne um vício, enquanto que agora é apenas uma saudade."

          "O melhor que a amizade tem, pensou Diogo para consigo, é a partilha do silêncio."

          "Ora, padre Júlio! Cada um é como é, e para isso é que Deus o pôs cá na terra. Para ouvir, perdoar e calar!"

          "(...) a vida, às vezes, é feita de impossíveis coincidências."

          "Espero bem que as primeiras impressões não desmereçam de tantas ideias e tantas ilusões de que te foste fazendo sobre o Brasil!"

          "(...) nasci tarde demais para o desconhecido, cedo demais para a lucidez. Não sei o que procuro, mas sei do que fujo. Não sei o que encontro, mas sei que vou, que flutuo – como este grande balão, devagar e em frente, suspenso sobre tudo o que são as certezas, a terra firme onde os outros são felizes e realizados e eu não."


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Crenças acerca da vida.

         Compreendi, talvez muito cedo até, que há certos acontecimentos maus, aqueles que nos deixam de rastos, que nos partem o coração, que nos levam as forças, a alegria e a vontade, que nos tiram tudo, que têm um propósito, que trazem com eles algo mais importante do que as coisas más, algo que, para conseguirmos perceber, temos de pôr muita coisa para trás das costas: a raiva, a dor, a vontade de desistir...
         Não é fácil abandonarmos esses sentimentos e conseguir retirar desse mau acontecimento a lição que a vida  nos quis dar, não é nada fácil, mas é condição essencial para que possamos voltar a erguer a cabeça e o nosso coração volte a recompor-se.
         Quero acreditar  que é assim que as coisas funcionam, que não há por parte da vida tamanha crueldade e frieza para que as coisas más que nos faz sejam só para nos fazer sofrer, só porque talvez até se divirta a observar como cada um de nós reage aos problemas, como cada um de nós lida com a dor, com a incerteza, com a angústia.
         Já é muito difícil viver a acreditar que há sempre qualquer coisa boa a retirar dos maus acontecimentos. Se assim não fosse, então seria quase ou até mesmo impossível.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Materiais de Reconstrução.

O nosso coração é como um qualquer objeto de vidro: quando gostámos muito de um determinado objeto e ele se parte, queremos colá-lo, voltar a tê-lo tal e qual ele era, mas por muito boa que a cola seja, as marcas ficam sempre, há-de sempre notar-se que aquele objeto já foi partido.
Era muito bom que quando o nosso coração se partisse, tudo o que fosse preciso para o pôr outra vez inteiro fosse cola como a que cola os objetos, assim, seria uma tarefa fácil e as marcas não seriam nem metade do que as que, por norma, ficam.
Felizmente para nós, também existe cola para o coração. Não é fácil de a encontrar, de perceber se é aquela que deve ser usada ou não e, às vezes, quando, por ser difícil encontrar a cola certa, encontrámos uma que não é a apropriada ele ainda se parte mais, fica ainda com mais marcas.
Há diferentes tipos desta cola milagrosa da qual precisámos mais vezes do que as que gostaríamos: há o abraço de um amigo, há uma conversa que, muitas vezes, não queremos ter, há as decisões que têm de ser tomadas, há os gestos das pessoas que nos amam e nos fazem sentir especiais, há o carinho e o apoio, mas também os sermões e as chamadas de atenção... há mil e um tipos e cada um adequa-se aos diferentes tipos de corações e há quantidade de pedaços em que o coração foi partido.
Por mais complicado que, por vezes, possa parecer reconstruir um coração partido, o segredo é nunca deixar de procurar, nunca deixar de o querer recompor, porque ter um coração partido, é a dor mais difícil de suportar e exige um esforço supra-humano que poucos de nós são capazes de o fazer.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência (19)


Depois de ter estado tanto tempo ausente por diversos motivos que não importa para o caso referir, nada melhor do que regressar - ou talvez isto seja apenas uma tentativa que acabará por sair frustrada - em grande, como se costuma dizer. E estas palavras que deixo aqui são palavras sábias, conselhos e recomendações importantes! Deliciem-se :)

"Encerrando ciclos"

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas na sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração, e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu génio  que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceites, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão."

— Fernando Pessoa*

* a autoria deste texto não é de todo consensual. A maioria aponta Pessoa, sendo que Paulo Coelho também é apontado como possível autor.