domingo, 18 de setembro de 2011

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência (17)

O "Alta Definição", o programa da sic, fez ontem dois anos. Confesso que comecei à pouco tempo a interessar-me por este programa, e umas das primeiras entrevistas que me recordo, particularmente, é a da Marina Mota. Desde aí, até hoje, já houve outras tantas que, de uma forma ou de outra me marcaram. Mas, estava para aqui a ler uns registos que tenho no PC, e encontrei uma parte da entrevista da Marina que na altura gravei, e decidi hoje, não sei bem porquê, publica-lo nesta minha rubrica. Aqui fica:

Daniel Oliveira: Quantas vidas tem?

Marina - Só uma e dá-me imenso trabalho. A vida é uma coisa bonita, mas dá trabalho para ser vivida.

O que é que é mais difícil?
Lidar com a frontalidade, lidar com a mediocridade, lidar com a incompetência… Por outro lado, é maravilhoso ver o sol nascer, levarmos com o vento, ver o mar… há muita coisa boa, mais coisas boas do que más, eu acho!

Dizem, não sei se é verdade, a marina dir-me-á, tem mau feitio...
Eu acho que a maior parte das pessoas que diz isso não me conhece de facto. O meu mau feitio escora-se logo quando as pessoas me conhecem. Eu sou uma pessoa muito rigorosa, eu gosto muito da disciplina quando trabalho, gosto de educação, gosto de pontualidade e esse rigor, às vezes, incomoda, daí dizerem que eu tenho mau feitio.
As pessoas tem que saber o que querem na vida. Uma pessoa que se esconde, que pensa muito para não dizer o que acha, o que é correto, ou que pensa. Ou uma pessoa como eu, que diz o que pensa independentemente dos prejuízos ou das consequências que possa vir a ter.

Conviveu smp bem com as decisões que tomou ao longo da vida?
Sim, sempre muito bem. Aliás, é isso que me leva a pensar que não estou tão errada quanto isso, porque consigo dormir com muita tranquilidade e olho-me ao espelho com algum orgulho enquanto ser humano, enquanto pessoa.


Para mim, o palavrão, às vezes é mais um desabafo, uma palavra, construída com letras, não tem aquele significado tão mau quanto às vezes fazem parecer. (isto surgiu no seguimento de uma pergunta que não tenho anotada qual foi)

E é libertador?
É muito libertador, é mais libertador, mais saudável, alivia mais do que dizer “chiça”.

Nunca perdeu as forças?
Acho que sim, várias vezes. Por pouco tempo… à noite e tal, penso: não vou perder as forças, amanhã acordo melhor. Eu vergo, mas não torço, a não ser que me caia um tijolo. Eu não tenho do que me queixar, a vida tem sido maravilhosa comigo e há períodos menos agradáveis mas há gente em muito piores circunstancias. Nós queremos sempre mais, e eu não quero muito mais, estou muito bem como estou e se tiver que ter menos também terei, portanto, as futilidades a mim interessam-me pouco, nunca fui uma pessoa de ostentação e estou de muito bem com a vida. Obviamente, como qualquer ser humano, há coisas que nos magoam e que às vezes nos apanham em períodos de mais frágeis e precisamos de um carinho, de uma força, de um abraço, mas não é por aí que eu vou andar tristezinha, não, nada disso!

- É preciso uma generosidade imensa?
- Acho que Não!

- Não?
- Não. Isso acho que é o nosso grave defeito enquanto pessoas: acharmos que determinadas atitudes é ser bonzinho, não, isso é a nossa obrigação! eu acho que isso é uma coisa que deveria estar, quando acordamos, isso é natural, o anormal é o contrário. O normal é nós termos a consciência de que não podemos mudar o mundo: eu não posso dar comida a toda a gente que tem fome, não posso melhorar a vida a toda a gente, mas se cada um de nós pensar que aqui ao lado há uma pessoa, isto é tudo tão simples, não é nada de espantoso, acho que é tão básico. Essa coisa de ser generoso, não, não sou nada generosa, sou uma pessoa com defeitos, com virtudes, só não sou indiferente. Eu acho que ninguém deveria ser indiferente a coisa nenhuma.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Está decidido, ou quase. Desistir é que nunca! :)

É esquisito e assustador admitir mas, parece-me que tudo o que me acontece, de uma forma ou de outra, me marca. Sim, eu sei, é normal, marca a toda a gente, é por isso que as experiências que vivenciámos e os caminhos que escolhemos durante o nosso percurso pela estrada da vida fazem de nós a pessoa que somos. Eu sei disso! Mas a mim parece-me que no que toca a suportar experiências e escolhas de caminhos que se revelam errados, uns são mais fortes do que outros. Uns conseguem fazer com que isso não interfira na sua forma de ver e lidar com experiências e caminhos parecidos, e outros não conseguem deixar de se refugiarem e construir muralhas à sua volta, ter medo de arriscar outra vez, de dar outro passo em frente, de voltar a dar tudo o que se deu. Puros mecanismos de defesa de quem não consegue deixar que as coisas lhe passem ao lado.
Ontem pensei que quando tocasse numa bola outra vez, iria sentir de novo aquela sensação: aquela que me fez lutar, que me fez aguentar muitas coisas, que nunca me deixou desistir nas alturas em que era o que eu mais queria. Mas não, a sensação não apareceu. Fiquei sem saber o que pensar, sem saber como reagir, sem saber o que decidir!
Tenho medo do que possa ter acontecido a essa sensação, mas sei que preciso dela se a minha decisão for mesmo voltar a tentar. Agora, mais do que nunca, que estou cansada, que estou com receio, preciso dela para me aguentar, para voltar a travar as lutas e fazer os sacrifícios que sei que me vão ser exigidos.
Diziam-me, quando falava em desistir, que, às vezes, precisámos de estar um tempo afastados para percebermos que estamos só cansados, mas que continua a ser aquilo que queremos fazer…
Estava de rastos quando deixei de jogar em Junho, tinha dado muito de mim, tinha sacrificado muita coisa, tinha suportado demasiadas dores em todo o corpo, tinha aguentado mil e uma tempestades e ajudado a segurar o barco demasiadas vezes, mais do que as que as minhas forças permitiam. Tinha dado mais do que devia, mais do que tinha para dar, mas achei que era só cansaço, que passaria!
Dois meses se passaram e a vontade de tocar numa bola durante as idas ao rio, que já há três anos faziam parte do verão, tinham desaparecido e tinham sido substituídas pela indiferença ou pelo medo de qual seria a sensação que iria ter. Confesso que achei estranho, mas como o cansaço era das coisas que teimava em persistir, lá fui continuando a acreditar que precisava era de tempo e tudo se resolvia…
Ontem, quando não voltei a sentir aquela sensação, percebi que não é só o cansaço que está a estragar essa sensação, é o medo, a marquita que ficou de tudo o que se passou. Percebi que sou daquele género que se refugia e constrói muralhas à volta de si, que tem medo de voltar a dar o passo em frente, que tem medo de arriscar de novo e que, por isso, prefere não se mexer e ficar dentro da muralha que construiu, por achar que lá dentro está a salvo.
Mas desenganem-se os que pensam assim, porque essa muralha pode até proteger-nos de sermos novamente magoados ou desiludidos por outras pessoas, por outras coisas em que apostámos e não têm o efeito desejado, mas é muito mais perigoso porque ficamos sujeitos à auto tortura, à auto condenação e reprovação, o que é bem pior, acreditem!
Apesar de agora me sentir bem dentro da muralha que construí, sei que daqui a uns tempos me iria arrepender de não a ter quebrado e ter ido à luta. Mesmo sem ter as armas que tinha, mesmo sem ter a força e a vontade que tinha, parece-me que o mais correto é arriscar, fazer e ir até onde for capaz, porque a paixão sei que ainda a tenho e estou numa de aprender que as marquinhas que certas situações deixam em nós, servem é para as usarmos como exemplo, para acrescentar qualquer coisa de novo em nós e não para nos tirar a vontade de arriscar e de procurarmos aquilo que nos faz felizes…
Vou pegar no amor que sei que ainda tenho, porque nunca o irei perder, e vou à luta, sem ter muitas mais armas, mas é mesmo esse o objetivo: reconquistar a força e a motivação que trarão aquela sensação de volta!
Tenho perfeita noção dos tempos de avanços e recuos que me esperam, dos momentos de felicidade que volta e meia aparecem, mas também tenho noção que não quero desistir! Como se costuma dizer: “Seja o que deus quiser”!