quarta-feira, 22 de junho de 2011

O que é ser atleta?

Este semestre tive uma cadeira para a qual tivemos que fazer uma exposição oral para a turma e o tema podia ser o que nós quiséssemos. Ora, como já tinha acontecido no semestre passado e como já fui habituando os meus colegas de turma, o meu tema envolvia Voleibol - (eles um dia matam-me e renegam-me de vez, mandam-me recambiada para os de desporto!)  :)

O tema da apresentação está presente na questão que dá título a este post e o que se segue é o texto que escrevi para preparar a apresentação! 

Esta é uma questão que à partida parece ter uma resposta muito simples, mas se calhar envolve mais conceitos e conteúdos que a maioria das pessoas pensam. Vou deixar a resposta a esta pergunta para o final da minha apresentação!
Vou então começar por vos falar da importância que o desporto tem na vida de um indivíduo, particularmente, no tocante á sua formação em termos de personalidade.
Há diversos estudos que comprovam e é mais do que sabido que o desporto favorece a vivência de diversas experiências (individuais e coletivas), experiências essas que são muito importantes na formação de uma boa personalidade. Quando falo em experiências refiro-me a treinos, competições, viagens, e tudo isso ajuda no amadurecimento emocional, uma vez que proporcionam tensões, alegrias, tristezas, sucesso, frustrações e mesmo outras experiências que exigem participação, envolvimento, tomada de decisões, companheirismo, enfrentar desafios e muitas outras oportunidades de manifestação pessoal que é pertinente ao ser humano.
Além disso, a prática de desporto cria autoconfiança e harmonia, gera satisfação, motivação, libera energia e entre outras possibilidades, torna a nossa vida mais dinâmica, mais envolvente e significativa.
Existem dois tipo de atletas: os profissionais e os amadores!
Os primeiros são aqueles que a única coisa que fazem na vida está ligada ao desporto e recebem um salário por isso; e os segundo são os que se têm que desdobrar para conseguirem dar conta do emprego/estudos, da família e do desporto.
Eu, como alguns de vocês sabem, jogo voleibol, ou seja, sou uma atleta amadora, e como tal, como tenho mais conhecimento de causa, é desses que vou falar particularmente.  
Um atleta que não o seja de forma profissional tem outras preocupações que maioritariamente se prendem com estudos ou com um emprego. Mas não é por isso que deixa de ter menos obrigações que um atleta profissional. Das poucas diferenças que existem entre uma categoria e a outra é só o facto de uns receberem por serem atletas e os outros só o são por terem muito amor à modalidade que praticam, porque os sacrifícios, os treinos, as competições, se o objetivo for conseguir dar sempre o máximo do que são capazes de fazer, tem sempre que ser encarado da mesma forma em ambas as categorias.
De um atleta são sempre exigidos certos comportamentos e condutas que, por vezes, nos obrigam a abdicar de algumas coisas:
Ser-se atleta implica que em cada treino se esteja sempre concentrado, prontos sempre a dar o nosso máximo, temos que respeitar e assumir que quem manda naquele momento é o treinador e devemos sempre fazer o que nos é pedido mesmo que não queiramos ou não nos apeteça. Em competições é-nos exigido que saibamos controlar a nossa ansiedade e o nosso nervosismo que podem prejudicar a equipa e o nosso rendimento.
Há sacrifícios que têm que ser feitos e responsabilidades que têm que ser assumidas para que possamos obter sucesso. Ao passarmos a ser atletas, mesmo que amadores, se assumimos que o queremos ser, temos que o ser sempre e não só quando nos apetece. Não podemos faltar a treinos só porque nos surgiu um convite interessante para essa hora, não podemos deixar de ir a um treino ou a um jogo só porque no dia anterior nos zangamos com alguém da equipa e o ambiente não é dos mais acolhedores… Não podemos deixar que o nosso estado de espírito influencie o nosso rendimento, porque ao nos prejudicarmos, prejudicamos também toda a equipa!
Ser-se atleta exige-nos estes e muitos outros comportamentos, assim como, por vezes, enormes sacrifícios, quando, por exemplo, temos que abdicar de fins-de-semana inteiros que são dedicados a treinos e/ou jogos, quando em vez de estarmos numa festa de aniversário da nossa melhor amiga ou de um familiar qualquer de quem gostamos imenso, temos que estar num jogo ou quando temos trabalhos ou algo para fazer e temos que gerir o nosso tempo em função dos treinos e jogos planeados e acabamos por ficar horas acordados para conseguirmos fazer tudo e no dia a seguir ainda nos é exigido que deixemos o cansaço em casa para podermos dar o nosso melhor em campo. Isto tudo não são coisas fáceis de suportar e por vezes a pressão é tanta e o cansaço também que é impossível mantermos a postura que nos é exigida.
Duas outras coisas a ter em atenção é a alimentação e as horas de descanso. Até nisto temos obrigações e não podemos fazer o que bem queremos, só porque não somos profissionais, porque ao não termos as horas de descanso de que o nosso corpo precisa, no treino ou no jogo, não vamos estar capazes de dar o nosso máximo e quando isso acontece somos substituídos e até “castigados”. Com a alimentação passa-se mais ou menos o mesmo: temos que ter uma alimentação equilibrada, de acordo com a carga de exercício físico por nós efetuada, não podemos engordar e emagrecer quando queremos, porque um kilo a mais ou a menos, às vezes, é suficiente para prejudicar o nosso rendimento.
Depois disto tudo que já falei, que vos pode parecer já suficientemente mau, tenho a dizer-vos que na vida de um atleta, isto tudo que referi são coisas mínimas comparadas com as lesões a que estamos sujeitos. Isto sim é um grande problema. Quando nos lesionamos há que assumir que vamos ter que ficar no banco durante o tempo de recuperação, a lesão pode-nos dificultar a nossa vida pessoal, se for muito grave demora muito tempo para estarmos recuperados, pode envolver sessões de fisioterapia, muitos exames, testes, etc… Uma lesão, para os atletas, é das piores coisas que lhes podem acontecer, porque não é fácil suportar a frustração que daí advém!
Bem, acho que com isto tudo já vos respondi à minha questão inicial e deixei-vos também, se calhar, a pensar: “Fogo ser atleta envolve estas coisas “más” todas? Como é que é possível que alguém goste de o ser, então?” Vou agora mostrar-vos um vídeo que vos mostra porque é que todos estes sacrifícios e obrigações são fáceis de suportar e porque é que gostamos do que fazemos, e com isto termino a minha apresentação.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Crises existênciais outra vez? Não, por favor...

É triste quando o que fazemos na vida é feito para e pelos outros, quando fazemos porque sabemos que é isso que esperam que façamos, porque depois, mesmo sabendo que demos o nosso melhor, que fizemos tudo o que podíamos,  mesmo sabendo, conscientemente, que tivemos a atitude e o comportamento corretos, que somos um exemplo e que devemos sentir-nos orgulhosos daquilo que somos capazes de fazer, se não nos disserem essas mesmas coisas, nunca sentimos verdadeiramente a satisfação que sabemos que merecemos sentir, nunca sentimos aquela realização pessoal de termos feito um bom trabalho, porque as palavras de quem nos incentivou a fazer o que havia para fazer são a chave essencial para que da consciência, a satisfação e o sentimento de realização passem a sentimento, o que nos levará a  ficar super felizes e orgulhosos de nós próprios, o que se traduz numa sensação indescritível!
Este é um defeito horrível, é talvez o meu pior defeito, porque com ele faço mal a mim própria e sei que devia ter vergonha de fazer as coisas pelos outros, em vez de as fazer por mim. Mas também estou a aprender, à custa de muitas lágrimas, que está na altura de mudar este defeito.