quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A carta de demissão, nunca a de despedida, porque "eu não digo adeus, eu digo até já na dúvida de saber como o futuro virá"!

Meninas,
O nosso treinador sempre me disse (em tom de brincadeira) que quando fosse embora teria que escrever a minha carta de demissão e entregá-la aos dirigentes do clube registada pelos CTT. Mais do que a eles, acho que é junto de vocês que tenho que a apresentar e justificar-me, porque vocês é que são a (minha) equipa!
Pois bem, como todas sabem, tirando as que entraram novas para a equipa, essas nem sequer vão perceber este meu gesto, mas isso agora também não interessa, vou estudar para longe e isso impossibilita que continue na equipa. Há a possibilidade de treinar convosco aos sábados, se vocês me quiserem aturar, mas nem todos os fins-de-semana estarei cá e isso é uma decisão que ainda tenho que tomar em conjunto com o nosso treinador…
Estou a demitir-me mas não tenho qualquer intenção de abandonar-vos. Sempre que possível estarei presente. Serei a claque, a bate palmas da equipa, a relatadora de resultados, a escritora de artigos para o nosso (vosso?) site com comentários acerca da vossa evolução ou de outra coisa qualquer, serei a tapa buracos sempre que necessário e possível, serei tudo e mais alguma coisa – que humanamente me seja possível - para que nunca vos perca de vista. J
Não vou armar-me em hipócrita e dizer que foi tudo maravilhoso, que fomos a equipa perfeita, longe disso. Este primeiro ano foi difícil. Muito difícil, mas começo a pensar como o nosso treinador que sempre acreditou em nós, e que sempre me disse, de cada vez que eu me queixava, que “o que é preciso é paciência” e que, passada a fase de adaptação, “este ano é que vai ser”! J Só precisam de juntar a vossa paciência à dele e acreditarem todas juntas, o resto virá, fruto também do trabalho e da dedicação, por acréscimo. Aproveito para deixar um especial apelo aos mais recentes membros da equipa: empenhem-se, esforcem-se, trabalhem sempre a 100%. Este primeiro ano será difícil para vocês por causa de todas as mudanças e adaptações mas vai ser óptimo para crescerem e evoluir. Esta é uma oportunidade única para começarem a jogar voleibol a sério. Amem o que fazem, apoiem-se umas às outras, façam face a todas as dificuldades que forem surgindo, nunca desistam, unam-se e sejam uma verdadeira equipa, é esse o meu maior desejo: é ver-vos realizadas enquanto equipa de cada vez que cá vier.
Foi excelente ser treinada pelo Mário (ele permitir-me-á, com certeza, a familiaridade J). A ele tenho a agradecer o desenvolvimento e a aquisição de competências e qualidades que me transformaram na capitã e na jogadora que fui para vocês ao longo da passada época. Uma capitã e jogadora ainda pouco experiente, com muito para aperfeiçoar e aprender, mas fui fazendo sempre o melhor que sabia.
Ser capitã não é nada fácil, esta será talvez uma mensagem mais dirigida para a nova capitã que tenho a certeza que vos deixará orgulhosas. Como eu estava a dizer, não é nada fácil, têm-se responsabilidades acrescidas, é preciso dar o exemplo na pontualidade, na assiduidade, no empenho, na atitude, em tudo. É preciso ser-se o motor de união, quando esta não existe, é-nos exigido que saibamos distinguir o que é pessoal do que é profissional e uma data de outras coisas que eu, certamente, não fui exímia em concretizá-las todas, mas tentei. Tentei e pude contar com a vossa ajuda para sempre tentar fazer melhor. Muito obrigado por tudo: pelos momentos, pelos sorrisos, pelos abraços, pelas palmas, pelo carinho, por tudo mesmo, até pelos momentos menos bons porque com todos eles fui aprendendo qualquer coisa.
Obrigado equipa :D Um especial obrigado ao nosso coach J
Desejo-vos imensos sucessos e felicidades, mas lembrem-se que isso só depende de vocês ;) 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pedaços de Mensagens Trocadas (2)

Mais um extracto recolhido nos e-mails trocados com pessoas com quem é sempre bom conversar, porque somos compreendidos, porque podemos falar sobre o que quisermos, simplesmente porque são sempre boas conversas, mesmo com a limitação de não serem "face to face", como seria ideal. 

Concordo quando dizes que o fardo é por vezes demasiado pesado, é mesmo, há feridas que nunca saram, passados anos ainda sangram, ainda doem. Há momentos efectivamente terríveis e que deixam marcas inconfundíveis na nossa personalidade, às vezes marcas boas, outras vezes negativas, não só para a nossa relação com os outros mas, principalmente, para a nossa relação connosco próprios. E são essas que eu acho que não valem a pena. Por consequência de determinadas experiências, às vezes, dou por mim a infligir, a mim própria, reprovações que são dolorosas. É nesses momentos que escrevo, muitas vezes, os meus textos que publico no blogue, se não o fizesse, à muito que teria "explodido".
Aprendermos com o sofrimento, com a dor, é sempre uma forma muito dolorosa. Se vale a pena ou não? Em relação à minha experiência, no global, acho que tem valido a pena, no entanto, sou a favor de que deveria haver outra forma de nos ensinar, porque há situações em que a aprendizagem tem sido negativa nomeadamente no tocante à relação comigo própria.

Autor: Eu própria.

sábado, 4 de setembro de 2010

Fragmentos de Sabedoria e Inteligência ! (11)

Gosto quando os filmes que vejo me permitem fazer este tipo de registos, é sinal que são, na minha opinião, bons filmes e que me ensinaram qualquer coisa.




O perdão liberta a alma, destrói o medo… É por isso que é uma arma tão poderosa.”

“ - Diga-me François... qual é a sua filosofia sobre a liderança? Como inspira a sua equipa a dar o seu melhor?
- Dando o exemplo. Sempre fui ensinado a seguir o exemplo.
- Isso está correcto. Mas como os fazer serem melhores do que aquilo que pensam que podem ser? Isso é muito difícil, julgo eu. Inspiração, talvez… Como nos inspiramos a nós próprios para a grandeza, quando nada menos que isso será suficiente? Como inspiramos toda a gente à nossa volta? Às vezes penso que é usando o trabalho dos outros.
Na Ilha Robben, quando as coisas se complicavam, encontrava inspiração num poema.
- Num poema?
- Um poema vitoriano. Apenas palavras. Mas elas ajudaram-me a resistir, quando tudo o que queria fazer era desistir. Mas não veio aqui para ouvir um velho falar de coisas que não fazem sentido.
- Não, não, por favor, Sr. Presidente. Para mim faz todo o sentido… No dia de um grande jogo, um teste digamos, no autocarro, a caminho do estádio, ninguém fala.
- Sim. Estão todos a preparar-se.
- Sim. Mas quando penso que estamos preparados, peço ao condutor para meter uma música escolhida por mim, uma que todos conhecemos. E ouvimos as palavras, juntos... e isso ajuda.
- Lembro-me quando fui convidado para os Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992. Toda a gente no estádio me recebeu com uma música. Naquela altura, o futuro... o nosso futuro... parecia desolador. Mas ouvir aquela música e as vozes de pessoas de todo o planeta, fez-me ter orgulho em ser sul-africano. Inspirou-me a vir para casa e fazer melhor. Permitiu-me esperar mais de mim próprio.
- Posso perguntar qual era a música, senhor?
- Bem...era a Nkosi Sikelel' iAfrika. Uma música muito inspiradora.
Precisamos de inspiração, François. Porque, no que diz respeito a construir a nossa nação, devemos todos exceder as nossas próprias expectativas."


excerto retirado do filme: "Invictus"