quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Gosto.



Gosto, e não me perguntem porquê, do acto de descalçar os chinelos antes de me deitar.
É certo que há dias em que fujo desse momento como se esse fosse o maior sacrifício que alguma vez terei que enfrentar. Não sei, talvez seja quando tenho consciência que, ao tirar os chinelos, estou cada vez mais próxima daquilo a que, por vezes, chega a ser um verdadeiro inferno, uma batalha da qual saio sempre torturada, desfeita…
Talvez seja porque sei que, a partir do momento em que me deitar, não será para descansar, mas sim para ficar acordada eternidades, a reviver situações dolorosas, a castigar-me por erros cometidos, a tentar encontrar soluções, o que, para além de não acontecer, ainda faz com que arranje mais problemas, mais preocupações…
Não sei. O que sei é que, felizmente, são cada vez mais raros esses dias.
Há pouco tempo atrás, esses dias, além de persistentes e sistemáticos, eram extremamente dolorosos e desgastantes. Cheguei a pensar que enlouqueceria, coisa que, se calhar, só não aconteceu porque, no meio daquilo que já se estava a tornar numa rotina, havia dias em que tinha uma ajuda preciosíssima, uma ajuda que me acalmava e que conseguia tornar o acto de descalçar os chinelos num acto não tão agradável, como ele realmente pode ser, mas, pelo menos, ajudava a torná-lo menos penoso.
Ontem, ao tirar os chinelos, precisei tanto dessa ajuda, daquele abraço, daquelas palavras, mas depois acabei por o conseguir fazer sozinha.
Hoje, apesar de saber o que me esperava, não só consegui fazê-lo como também apreciá-lo, como o faço em dias normais, e percebi que estou a conseguir, cada vez mais, fazê-lo sozinha e estou muito feliz por isso!
Sei que também ficarás feliz ao ler estas minhas palavras. O mérito, apesar de ser também meu, é, em grande parte, teu, fruto dos muitos e sábios conselhos.
Lembro-me muitas vezes de ti e dos muitos conselhos. Lembro-me com uma nitidez tão grande que é frequente ouvir a tua voz e as tuas palavras a ecoarem dentro da minha cabeça tal e qual as pronuncias-te, e é por elas que me guio e oriento sempre que preciso de ajuda.
Já o sabes, mas nunca é demais dizê-lo: Gosto muito de ti. Um sincero Obrigado, por tudo!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A complexidade do pensamento humano.

Os acontecimentos dos últimos dias fizeram-me chegar à conclusão que, ao contrário do que possamos pensar, não é muito difícil nem precisámos de ser pessoas mal-educadas e sem carácter para criar inimizades, muito pelo contrário, é super fácil, e o mais curioso é que as arranjámos mais rapidamente quando fazemos alguma coisa boa e bem feita, quando tomámos as atitudes certas.
Como é possível que a maioria das pessoas consiga ser tão irracional ao ponto de não perceber que invejar as qualidades de alguém não vai fazer delas pessoas com as mesmas qualidades, que o facto de fazerem de tudo para denegrir a imagem dessa pessoa não vai fazer delas o centro das atenções?
Não se deixem enganar, é tudo uma questão de raciocínio e pensamento.
Acho que o mundo e essas pessoas invejosas que por aí andam só teriam a lucrar se, em vez de perderem o seu tempo a odiar as pessoas que invejam, a falarem mal delas, a tentarem criar intrigas e conflitos, mudassem de estratégia e passassem a ocupar o seu tempo com a procura de soluções e formas de serem iguais ou melhores do que essas pessoas de quem tanto falam mal.
Gente, um conselho: se têm que lidar com uma pessoa que é melhor do que vocês no emprego, no grupo de amigos, no clube onde jogam, não percam tempo a criticá-la, a fazerem olhares mesquinhos, a mandarem bocas foleiras porque, primeiro, isso só servirá para se martirizarem, uma vez que gostavam de ser como essa pessoa mas chegam à conclusão de que não o são e começam a sentirem-se frustradas e, segundo, porque isso impedirá que pensem correctamente e como tal nunca chegarão à conclusão de que também vocês têm potencialidades. Utilizem essa pessoa como um incentivo, ou seja, em vez de criticarem tentem superá-la.