terça-feira, 13 de outubro de 2009

A minha visita…

Ultimamente, agora que está calor, costuma aparecer todos os dias… Gosto dela!
A maioria das vezes, como aconteceu ainda hoje, aparece ao fim da tarde, quando estou sentada nas escadas a conversar com os meus pensamentos, a fantasiar os meus sonhos… Entre pelo portão, já sem pedir licença e senta-se num dos lugares que já são seus, encostada à rede ou ao fundo das escadas e aí fica, eternidades.
Vem cá à procura de atenção, de um ombro amigo ou vêm, simplesmente, para passar o fim do dia com alguém, para poder falar com alguém nem que seja sobre o tempo…
No inicio, eu não ligava muito à sua presença, não dava grande importância às suas lamentações, havia até dias em que a sua presença me incomodava. Com o passar do tempo comecei a sentar-me ao pé dela para a ouvir ou, simplesmente, para lhe fazer companhia e comecei a habituar-me a tê-la por cá todos ou, pelo menos, quase todos os dias e se há semanas em que não aparece fico preocupada pois sei que anda consumida com alguma das histórias que a solidão e a idade persistem em criar na sua cabeça. São essas mesmas histórias, absurdas, para nós que temos conhecimentos e que não temos tempo para fantasiar roubos e outras coisas, que mais oiço quando ela cá vem. Já me acostumei a todo o tipo de coisas e não a acho burra, muito menos maluca, prefiro achar que são partidas da idade e consequências de todas as fortes emoções vividas por aquela mulher solitária.
O exemplo dela apavora-me e mostra-me um dos meus maiores medos em acção. A solidão é uma coisa que pode ser terrível, para mim seria, com certeza, fatal, levar-me-ia, pelo menos, à loucura. Esta mulher vive sozinha, come sozinha, passeia sozinha… pergunto-me como é que será que se sente todos os dias, como é que enfrenta sozinha os desgostos e as amarguras que tantas vezes me confessa. A resposta, essa, vem todos os dias a minha casa!
A minha visita dos fins de tarde… Gosto dela!