terça-feira, 21 de julho de 2009

Há sempre um refúgio onde nos podemos enconder. Isto quando o procuramos, e às vezes nem importa se é o abrigo mais apropriado. (...)

Quando senti os primeiros ventos e as primeiras lufadas de ar fresco, pensei que só duraria um ou dois dias. Pensei que seria apenas uma das tantas tempestades passageiras. No entanto, o vento foi ficando mais forte, o ar cada vez mais frio…
Proteger-me foi a minha primeira reacção, pois a minha experiência dizia-me que esta era daquelas que vêm para ficar muito e muito tempo. Esta é daquelas mais difíceis de suportar, é das que são traiçoeiras, das que trazem, misturados com os dias maus, dias relativamente bons que nos fazem acreditar que a tempestade se foi. Então, quando menos esperamos, olhamos para cima de nós e lá está ela, aquela nuvem negra pronta para nos descarregar em cima tudo de mau que podemos imaginar…
Para me proteger, procurei então construir um abrigo, mas já não tenho metade dos instrumentos que se foram estragando com a passagem de tantas tempestades. Restou-me, então esperar por ela ao relento e agarrar-me a qualquer coisa que não me deixasse afundar…
Hoje, a tempestade piorou…
Agora, além das rajadas de vento que me fustigavam o corpo e do ar frio que me gelava a alma, havia também a chuva e a trovoada que me zumbiam nos ouvidos e me punham a cabeça a latejar…
Neste dia de tempestade horrível, desesperei…
Ao ver-me desamparada, houve pessoas que me deram abrigo, conforto, segurança…
Ofereceram-me pequenos raios de sol que, por mais pequenos que tenham sido, serviram para me recompor um bocado, para me aquecer e para me preparar para amanhã voltar a sair lá fora…
Obrigado a todos, pelo abrigo!